15.4.07



Era ainda escuro. A cidade dormia.
Um carro e logo outro e outro convergiam para o ponto alto, no meio da cidade, como que obedecendo a um convite secreto ou seguindo um percurso pré-estabelecido. As pessoas emergiram de dentro dos carros, enfrentando o frio da madrugada de domingo. Um punhado juntou-se, olhou para leste, onde a claridade surgia e começou a cantar:

"Eis morto o Salvador
Na sepultura
Mas com poder, vigor
Ressuscitou!

Da sepultura saíu
Com triunfo e glória ressurgiu!
Ressurgiu vencendo a morte e seu poder
Pode agora a todos vida conceder!
Ressurgiu! Ressurgiu!
Aleluia! Ressurgiu!"

O sol nasceu, embora por trás de espessas núvens. O grupo, pequeno mas formado por gente de várias nacionalidades, terminou a reunião e cumprimentou-se:

"Jesus Cristo ressuscitou!"
"Verdadeiramente Ele ressuscitou!"

Aconteceu há uma semana, no domingo de Páscoa, e eu estava lá.

14.4.07

11.4.07

Interrupção

De novo atraiçoada pela revolução tecnológica...

8.4.07

Ele Vive!


The Empty Tomb, The Brick Testament

O Senhor ressuscitou! Ele está vivo!

7.4.07

Aniversário



A blogosfera celebra por esta altura o seu 10º aniversário e, hoje, eu, apenas menos oito. Não cheguei logo no início, como é próprio da lentidão de uma avozinha, mas acho que ainda vim a tempo.
Parabéns para nós!

4.4.07

Jesus Of The Scars



If we have never sought, we seek Thee now;
Thine eyes burn through the dark, our only stars;
We must have sight of thorn marks upon thy brow,
We must have Thee, O Jesus of the scars...

The other gods were strong, but Thou wast weak;
They rode, but Thou didst stumble to a throne,
But to our wounds, only God's wounds can speak
And not a god has wounds, but Thou alone.

James Shillito

3.4.07

Santos

Costumo frequentar alguns blogs assumidamente católicos, especialmente o do Confessor que muito estimo. Não será demais interpelá-lo sobre este tema.
Já em tempos aqui falei da minha perplexidade quando à canonização na Igreja Católica. Vem isto agora a propósito do intuito de beatificar a irmã Lúcia e especialmente o antigo papa.
Minhas perguntas:
1. Não é verdade que a Bíblia nos incita a todos a sermos santos? Por exemplo, I Pedro 1:15.
2. Assim sendo, por que razão uns são considerados santos e dignos de adoração em altar? Esta última parte é que já não encontro na Bíblia.
3. Para ascender a essa categoria, o antigo papa precisa de já ter morrido. Não se pode ser reconhecidamente santo em vida? No Novo Testamento, todos os cristãos são chamados santos.
4. Para ascender a essa categoria, o antigo papa precisa de realizar um milagre depois de morto. Porque não ainda vivo? No Novo Testamento, todos os cristãos são chamados santos, certamente que a maioria dos quais nunca tendo realizado qualquer milagre.
5. A minha velha questão: e como se pode pedir um milagre a quem não é considerado santo?

2.4.07

Escolas

A ministra quer retirar dividendos das escolas, colocando-as ao serviço da comunidade através do aluguer para casamentos, baptizados, quiçá funerais...
Segue-se uma imagem recebida hoje por e-mail:

1.4.07

Mês da Páscoa


A Cruz marca a subida, mas é vencida pela Vida da folhagem primaveril.

30.3.07

Resposta

Tirei a foto anterior no mesmo sítio onde tirei esta:

Primavera no Portinho da Arrábida

28.3.07

"Caminhos de Deus"

Esta amiga fez-me recordar este poema, que lhe dedico.

Senhor, sei que do alto vês melhor,
quanto mais se sobe maior a visão;
Teus olhos abrangem a eternidade:
contemplam o sol em sua imensidade,
vêem o verme a se arrastar no chão.

Para que então ficar gritando ao mundo:
olha o que tenho, o que sei, que sou?
Se lá do alto vês o mundo todo,
Tu sabes, Senhor, onde eu estou.

Tu sabes porque vim ao mundo,
tens uma missão para mim.
Nada mais falta que submissão,
dizer - Ordena. Abrir o coração.
Ouvir a ordem e obedecer assim:

Sem importar a obra que a mim couber,
ou o lugar em que meu campo esteja,
Pode ser obscura minha atuação,
o que importa é Tua aprovação,
ser tudo aquilo que queres que eu seja.

Talvez não tenha a sorte das estrelas
que belas cintilam, dando inspiração.
Talvez meu campo seja o mais mesquinho;
que me importa, se me tornar caminho
por onde passe a Tua compaixão?

Foram caminhos os servos do passado,
através da História um traço de luz:
Abraão, Moisés, José, Rute, Davi,
Jonas, Ester foram no tempo aqui
apenas caminhos em direcção da cruz.

Os que vieram depois também são caminhos
por onde a graça de Jesus passou
em busca do oprimido e do aflito,
caminhos que se fundem no infinito
no Único Caminho que um dia me salvou.

Agora, Senhor, a minha prece:
eu quero a graça de participar,
se não posso ser um caminho brilhante,
faze-me atalho na serra distante
mas onde o mundo veja Teu amor passar.

Usa-me, Senhor, durante todo o tempo,
para que no dia em que voltar ao céu,
possa dizer-Te, com um sorriso doce:
- Nada fiz, nada juntei, eu nada trouxe,
na terra fui apenas um caminho Teu.

Myrtes Mathias

27.3.07

Peripécias informáticas

Sempre confessei não entender nada de computadores, a não ser o essencial para fazer os trabalhos para a escola, incluindo a avaliação no Excel, (mas só numa página iniciada por uma das minhas filhas), navegar na net e manter este blog. Quando me falam de bytes e megabytes, falam-me chinês.
Pois este fim de semana, uma 'pen' marada avariou-me o Word. Resultado: posso navegar e ver blogs, posso lidar com fotografias, mas textos é que nada.
Para cúmulo do azar, há pouco e de repente, o teclado deixou de funcionar. Fui ver lá atrás e um fio estava caído. Ao tentar re-inserir o fio, não só o teclado se recusava a escrever, mas o rato também paralisou.
O computador ficou congelado várias horas, nem para trás, nem para a frente, recusando-se até a desligar, até que, fazendo o 'reset', voltou à vida! Teclado, rato, etc. O suficiente para estar aqui a escrever estas linhas.
Para a reposição do Word, aguardo a visita de um amigo, o T.P.
Tempos modernos!

26.3.07

Escola

O pai de uma aluna agride a mãe e esta anda a fugir com a filha, levando-a sistematicamente tarde à escola.
A mãe de um aluno declara que receia que o filho se esteja a tornar bi-sexual como o pai.
A mãe de um aluno passa o dia a vigiar o filho da vedação da escola, por recear que ele não coma, ou seja atacado por outros.
Trata-se de miúdos entre os 16 e os 18 anos.
Perante este panorama, muito bons são os alunos!

25.3.07

200 anos da abolição da escravatura na Grã-Bretanha


"Tão grande dor em tão pouco espaço", referia William Wilberforce no seu discurso no Parlamento que introduzia a luta contra a escravatura. Podem ler mais sobre isso no DN de hoje e aqui.
Wilberforce é um dos meus heróis. Ele foi contra tudo e contra todos, numa época em que um escravo mal valia o chão que pisava. Ele possuia uma condição social que lhe permitia ter ficado no seu canto. Sem ele, quem seria hoje livre?
Precisamos de pensar nas nossas escravaturas do nosso tempo: por exemplo, a escravatura sexual de mulheres e crianças em todo o mundo, mesmo no nosso.

2 anos de Migas


22.3.07

Nocturno

Costumo ler alguns baby-blogs onde os respectivos pais falam das noites mal dormidas. Aliás, hoje o meu próprio filho se queixa do mesmo mal!
Conversava há pouco com uma funcionária da minha escola, perguntando-lhe pela sua velha mãe, à beira da morte. E ela respondeu-me:
"Está mal. Hoje não dormi nem um minuto!"
Fiquei a pensar nos pais que perdem noites com os filhos e nos filhos que perdem noites com os pais. Na justiça poética que isto encerra.
Que feliz é esta velha senhora por ter uma filha que perde noites à sua cabeceira!

21.3.07

Dia Mundial da Poesia

Hoje uma colega celebrava o dia distribuindo a todos um poema. Segue o que me coube a mim:

FAZ-ME O FAVOR

Faz-me o favor de não dizer
absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor - muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny

"Primavera" de Edna de Araraquara


Descobri esta pintora 'naif' de nacionalidade brasileira mas radicada em Portugal nas paredes do consultório do meu oftalmologista e fiquei encantada.
É com esta beleza que desejo a todos uma esplêndida Primavera.

20.3.07

Citação

"Um aluno que insulta e agride um professor na sala de aula deve ser punido com prisão".
Xavier Urras, psicólogo, pedagogo, terapeuta espanhol no "DN Magazine"

19.3.07

Dia do Pai


A todos os pais da família.

18.3.07

Feiras e romarias

A capacidade que os portugueses têm de converter tudo em grandes romarias está evidente em cada cantinho do nosso país. Umas vezes a motivação é religiosa, noutras pode ser política.
Agora até a televisão despoleta a coisa, como podem ler no DN de hoje, a propósito do regresso da criança raptada a casa dos pais, contra a opinião de todos os técnicos.
Uma grande feira no exterior, comes e bebes, gente de todo o lado e até foguetes! Viva a festa!

17.3.07

Conversas

Avô para Joana (20 meses)

Avô: Quem é a querida do avô, quem é?
Joana: Xuana.
Avô (à espera de ouvir os nomes das outras netas): E mais?
Joana: A Xixina (avozinha).
Avô: E mais?
Joana: Migas!

15.3.07

Paradoxo

Há muitos anos, quando eu estava no ensino particular, só se falava em nacionalizá-lo. Porque será que, agora que estou no oficial, se fala tanto em privatizá-lo?

14.3.07

Dentro de casa


a Primavera

13.3.07

Ainda o aborto

A história veio de repente, sem que nada a fizesse prever ou sequer que alguma vez tivéssemos abordado o tema. Ainda introduzi um "Sou contra o aborto..." mas ela continuou como se não ouvisse ou não lhe interessasse.
Há muitos anos, ela casada e com uma criança, mas com muitas suspeitas de que em breve ficaria só. O marido queria desesperadamente outro filho. Para salvar o casamento. Ela achava que não, que nada salvava nada, muito menos um outro filho para ela criar sozinha.
E contou-me tudo, incluindo os pormenores sórdidos, a cave manhosa, os lençóis enxovalhados, o balde cheio de sangue. E eu calada, sem entender porque me escolhera para interlocutora. Ela, frequentadora de procissões, mas abertamente vivendo "de forma liberal", confidenciando a mim, a 'certinha' dedicada à família e contra o aborto...
No fim, arrisquei: "Alguma vez te arrependeste?" Ela, segura: "Nunca!"
"Tudo poderia ter sido diferente, quem sabe..." digo eu.
Mas ela não quis que nada fosse diferente.

11.3.07

O trigo e o joio


(Foto de www.tamariskfarm.com)

Mateus 13:24-46

Onde estarei eu a ser joio no meio do trigo?

10.3.07

Perfeição

Se o 7 (sete) 7 é perfeição, é nada mais nada menos que isso que me é pedido por esta amiga bloguista. Sabendo, porém, que tal intento é, à partida, vão, aqui vai uma resposta ao desafio.

7 Coisas Que Faço Com Gosto
- Ler
- Ponto de cruz
- Pegar num bebé
- Pegar numa neta
- Pegar noutra neta
- Pegar ainda na outra neta
- Imaginar-me a pegar na próxima neta

7 Coisas Que Não Sei ou Não Posso Fazer
- Demitir o governo
- Demitir a Ministra da Educação
- Mudar o Estatuto do Professor
- Acabar com as aulas de substituição nos moldes actuais
- Transformar os meus alunos em estudantes
- Mudar a cabeça de algumas pessoas que conheço
- Mudar o coração de algumas pessoas que conheço

7 Coisas Que Me Atraem no Sexo Oposto
- Serem do sexo oposto
- Pensarem como sexo oposto
- Viverem como sexo oposto
- Falarem como sexo oposto (mesmo que isso passe pelo futebol)
- Rirem como sexo oposto (sem precisarem de grandes anedotas)
- Olharem com consideração para o sexo oposto
- Amarem o sexo oposto

7 Coisas Que Eu Digo
- Bom dia à chegada
- Até amanhã à saída (sou muito educada)
- Disparates sem pensar
- Graçolas
- "Onde é que está o espelho?" aos alunos que troçam uns dos outros
- "Tem alguma coisa a alegar em sua defesa?"
- "Fale agora ou cale-se para sempre"

7 Pessoas Que Devem Ser Celebridades
- Os portugueses que chegam a horas às actividades marcadas
- Os funcionários públicos que se preocupam com o seu trabalho
- Os médicos que não se limitam a despachar doentes
- Os empregados de lojas finas que não julgam os clientes pela sua aparência
- Os empregados de lojas normais realmente decididos a atender os clientes
- Os meus amigos que ainda o são depois de me conhecerem
- Os visitantes deste blog que resistem

Não passo este desafio a ninguém em particular, apenas o lanço ao espaço da blogosfera!

9.3.07

Dia do Prémio


Quando cheguei a Guimarães em 1958, quase a fazer 10 anos, fui iniciar a 4ª classe. À medida que 9 de Março do ano seguinte se aproximava, era constantemente alvo da pergunta: "Vais ao prémio?" (Convém dizer que eu era boa aluna...)
A 9 de Março desse ano e dos seguintes que vivi em Guimarães, entendi do que se tratava. Pelas mãos de uma Sociedade Cultural, a Câmara atribuia um prémio aos melhores alunos das escolas da cidade.
Nesse dia 9 de Março não havia aulas e todos se dirigiam com os seus professores às instalações (exíguas para tanto miúdo) da Câmara Municipal. Os nomes dos alunos eram chamados e recebiam das mãos do Presidente o prémio: um lanchezinho modesto e um livrito. Assim, fui recebendo "As Viagens de Vasco da Gama", "Como Criar Galinhas" e outros dos quais já me escaparam os títulos. Depois da sessão solene, o Cine-Teatro Jordão oferecia uma tarde de cinema grátis à pequenada toda, da cidade e arredores. Assim vi, por cima do ombro dos mais altos que eu, já que o espaço não abrigava todas as crianças sentadas, o Coro dos Pequenos Cantores de Viena e outras fitas que se me esfumaram da memória.

8.3.07

Humor



Enviaram-me isto por e-mail. Não sei quem é o autor.

7.3.07

50 anos de RTP



Acompanhar os programas de recordação dos 50 anos da televisão em Portugal é quase um 'flashback' da minha vida.
Recordo bem o início das emissões em Viseu, quando eu tinha 8 anos: todo o pessoal ficava embasbacado pela rua fora, impedindo o trânsito, a ver uma peça de teatro numa loja da cidade. E sem som...
Outros tempos!

6.3.07

Juventude

Hoje, ao recolher um teste, notei que a minha aluna J. guardava na mochila uma inconfundível embalagem de pílula anti-concepcional. Pensei de mim para mim: Bom, ainda bem!
Não me compreendam mal! Acredito e valorizo o sexo como componente do casamento.
No caso desta miúda, ela e o namorado, também meu aluno em outra turma, andam sempre por lá agarradinhos. Há tempos, uma colega 'confiscou' ao rapaz um trabalho que ele tinha feito para a minha disciplina, em cujo verso ele desenrolava uma ardente declaração a outra colega, que lhe respondia perguntando se ele não era 'casado'...
Por tudo isto pensei: mais vale assim!

4.3.07

Modernidade

O casal idoso vivia sozinho nos montes algarvios, o único filho emigrado. A senhora, há muito padecendo de Alzheimer, via o seu estado agravado de dia para dia, entregue por completo ao tratamento dado pelo marido, lavar, vestir, dar de comer, marido esse até então talvez mais habituado a ser tratado que a tratar.
A mulher ia piorando, dando-lhe acessos de fúria em que atacava o próprio marido, talvez por ter já chegado a desconhecê-lo. Na sua impotência, o homem tentou de tudo o que sabia para arranjar algum lar para interná-la. Nada nem ninguém lhe valeu.
Num dia negro, o desespero venceu: deu um tiro na cabeça à mulher que descansava no sofá, saíu para fora e suicidou-se com outro.

O caso foi verídico, veio nos jornais. A Câmara anunciou depois que teria arranjado solução para este casal. Que sociedade é a nossa em que se morre de desespero à nossa porta?

1.3.07

Na escola

De serviço na Biblioteca, vou apoiando os alunos que me procuram para tirar dúvidas ou ajudo-os a encontrar a informação pretendida. Hoje, encontro a uma mesa uma das minhas alunas, folheando o exemplar da Bíblia existente na Biblioteca, uma edição recente dos Capuchinhos. "A ler a Bíblia?" pergunto surpreendida, já que nunca lá vi ninguém pegar em semelhante livro, a não ser eu própria. Diga-se em abono da verdade que os alunos também não pegam muito nos restantes livros, a não ser que precisem de informação para algum trabalho. Preferem de longe a zona dos computadores.
"Sim", diz ela, "mas esta Bíblia é estranha: aqui no índice tem uns livros que eu não conheço!"
E assim fiquei a saber que a minha aluna K. é evangélica como eu.

28.2.07

Aposentação

Uma colega da escola - 68 anos de idade e 36 de serviço - recebeu ontem a comunicação de que seria hoje o seu último dia de trabalho. E assim lá foi despedir-se de nós. Há muito que ansiava por este dia, que o que vai para além dos 60 não se coaduna lá muito bem com adolescentes que são cada vez mais crianças e a paciência que vai sendo cada vez mais escassa.
Vai ficar vago agora o seu lugar até que os processos burocráticos a substituam.
Estranho este cessar repentino de funções, a meio do trabalho programado, testes para dar ou corrigir, avaliações a caminho. Quem vier, virá tomar um trabalho interrompido, sem saber muito bem por onde lhe pegar.
Teria que ser assim? A professora não poderia ter sido avisada com um mês ou dois de antecedência, encontrado o substituto e a transição planeada em conjunto? Os alunos não merecem mais respeito? Já nem falo nos professores! O ideal seria que as últimas aulas da professora fossem já acompanhadas pelo novo professor e que as turmas paulatinamente passassem de uma realidade para outra. Seria melhor para todos.
Mas quem quer saber disso?

27.2.07

"Teacher Man" by Frank McCourt

So, what took you so long?
I was teaching, that's what took me so long. Not in college or university, where you have all the time in the world for writing and other diversions, but in four different New York City public high schools. ( I have read novels about the lives of university professores where they seemed to be so busy with adultery and academic in-fighting you wonder where they found time to squeeze in a little teaching.) When you teach five high school classes a day, five days a week, you're not inclined to go home to clear your head and fashion deathless prose. After a day of five classes your head is filled with the clamor of the classroom.

24.2.07

Gustav Klimt


Death and Life

23.2.07

História VIII

Estavam noivos e preparavam o casamento. A sua alegria era exuberante e partilhavam-na com os amigos, muitos, a quem entregaram o convite cuidadosamente elaborado para ser diferente e só deles.
Com entusiasmo e a colaboração dos felizes pais de ambos, escolheram o local do casamento e da boda: um restaurante da moda, bem no centro da capital.
Os preparativos decorreram com celeridade e tudo em breve estava a postos: o fato dele, o vestido dela, o destino de lua de mel.
O radioso dia chegou. A madrugada fez-se dia de sol e os noivos chegaram.
Sim, eles chegaram, a família também estava lá, mas não os convidados. Após a breve cerimónia e preparado o lauto banquete, começam a ligar para os amigos: Que se passa? Estão atrasados?
Respostas variadas: Tivémos um furo, já não podemos ir. Surgiu-nos um negócio inesperado. Um parente visita-nos do estrangeiro. Tive que ir trabalhar hoje.
Entre as lágrimas da desilusão com tais amigos, os noivos decidem abrir as portas do restaurante chique para a rua: Que entrem os que não foram convidados, os transeuntes, os pedintes, os sem-abrigo!
Lenta e incredulamente, os pobres vão entrando, vão-se sentando nas cadeiras luxuosas, vão apalpando a seda das toalhas, cheirando o perfume no ar, deliciando-se com a música ao vivo, provando a comida deliciosa, bebendo os melhores vinhos do país.
E a festa de casamento foi um espanto, uma alegria!

Moral da história:
(Lucas 14:15-24)
Eu era uma das miseráveis.

21.2.07

Três Meses


"Formaste-me no ventre da minha mãe,
formaste-me no ventre da minha mãe.
Eu Te louvarei, eu Te louvarei!
Formaste-me no ventre da minha mãe!"

Parabéns, Marta!

4ª feira de Cinzas


Há seis anos atrás, passei o carnaval em Nova York com um primo, o meu filho e a minha nora (nessa altura apenas candidata). Inesquecível!
Notámos logo que lá não há carnaval: toda a gente a trabalhar e as ruas, como sempre, cheiinhas de gente.
Estranhámos uma bela manhã que tantas pessoas em Manhatten tivessem a testa enfarruscada. Seguindo a pista, parecia que toda essa gente vinha da Catedral de St. Patrick. Entrámos e vimos os lugares onde se passavam os dedos numa espécie de fuligem e se traçava uma cruz na testa. Era Quarta-Feira de Cinzas.
Interessante que nós, vindos de um país católico do velho mundo, cá não conhecêssemos tal costume e viéssemos dar com ele num país anglo-saxónico, de maioria protestante e na Big Apple!

20.2.07

Carnaval


"Carnival Evening" de Henri Rousseau

Coisas que Detesto no Carnaval:
- a ideia de que se pode fazer de tudo para logo se arrepender de tudo
- os foliões
- as brincadeiras patetas
- os estalinhos, as bombinhas, as bisnagas (felizmente, em desuso, segundo parece)
- as moçoilas desnudas, seja no quente Brasil, seja no patético Portugal, a toda a hora na TV
- o ritmo do samba a propósito de tudo

Coisas de que Gosto no Carnaval:
- a pintura acima
- três dias sem aulas (mas não sem trabalho!)
- as crianças pequenas convencidas que são princesa, cowboy, bailarina, etc.

19.2.07

Chuva


de regresso, para estragar o Carnaval. Ih ih!

17.2.07



Esta fotografia foi há semanas publicada na DN Magazine. No primeiro andar deste edifício, no Largo Camões, funcionava há 30 e tal anos o Externato Novo Rumo. Foi aqui que dei as primeiras aulas da minha vida e foi dessas janelas que assiti aos acontecimentos que se sucederam ao 25 de Abril. Esta bela fotografia trouxe-me memórias fantásticas!

16.2.07

Provas Globais

A Ministra acabou com as Provas Globais das várias disciplinas do 9º ano e foi à Assembleia da República explicar que, dado o seu 'leve' peso de 25% nas classificações dos alunos, "nenhum aluno chumbava por causa delas".
É verdade, ou melhor, era necessário haver uma grande discrepância entre a restante avaliação do aluno e a nota da prova global para esta afectar o resultado final.
No entanto, era uma prova moralizadora, tanto do estudo dos alunos no final do ano, como dos professores, 'obrigados' a dar a matéria toda para a Prova.
Dir-me-ão que tanto os bons alunos como os bons professores não precisam disso. Concordo. Mas era importante para os restantes.
Como anterior governo já fez com as Provas Globais no Secundário, este continua o caminho do facilitismo. Não está bem.

15.2.07

Escola

"A zona amazónica é a biblioteca genética da humanidade."

Era uma frase de um teste de Português do 7º ano, dado por um colega meu. Contava ele hoje que a maior parte dos alunos não foi capaz de responder à pergunta "onde?". Uma aluna não entendeu a frase, porque não sabia o que era uma biblioteca, vários outros não sabiam o que era uma zona.

14.2.07

Sic, "Fátima Lopes"

Há dias, a Maya, comentando as consultas de bruxaria alegadamente feitas em tempos por Pinto da Costa e Carolina Salgado:
"Se as pessoas usassem a cabeça, não recorriam a essas coisas negativas, sapos, sangue ..."

Se as pessoas usassem a cabeça, recorriam à Maya?

13.2.07

Terramoto

Não, desta vez não senti nada. Estava em Lisboa numa Acção de Formação e fiquei feliz por saber que a terra tinha dado um solavanco sem eu o sentir.
Não foi assim há 38 anos.
Era solteira, dormia com a minha irmã em casa dos nossos pais, na Amadora. Acordei com o rugido que vinha do subsolo, algo que nunca mais esquecerei. Abri os olhos e o roupeiro ao fundo da minha cama dançava, ameaçando cair sobre mim. A minha irmã, na cama ao meu lado, gritava. Saí da cama para a ir consolar e caí sobre ela. O nosso quarto parecia um navio em mar encapelado. Abri a porta aos meus irmãos e ficámos juntos, a ver o que se seguiria.
Parou. Surgiram os nosos pais, que, ao cair um frasquito no seu quarto, se tinham preparado para morrer abraçados.
Não foi desta.
Durante dias não conseguia conciliar o sono. Durante meses, anos foi o meu receio maior.
Uma amiga contou-me que, na véspera à noite, tinha lido o Salmo 46: "Deus é o nosso refúgio e a nossa força, é a nossa ajuda nos momentos de angústia. Por isso, não teremos medo, ainda que a terra se ponha a tremer, mesmo que as montanhas se afundem no mar; mesmo que as águas rujam furiosas e os montes tremam com o seu embate."
Nunca mais esqueci.

12.2.07

Publicidade

ao Ninivita nascido cá em casa. Logo às 21h na Antena 3.

Maria

A minha neta Maria de novo a passar uma noite em nossa casa. Converso com ela e vou-lhe contando o primeiro dia em que a conheci (e fui avó).
"Então a mamã foi para o hospital para a Maria nascer. A Maria nasceu e ficou a dormir numa caminha ao lado da mamã.
A avozinha chegou lá e cumprimentou a mamã, o papá, a avó T., o avô J. e depois olhou para a Maria, a dormir na caminha: era tão linda, tão linda!"
Maria:
"A Maria estava a sonhar com a avozinha."

11.2.07

SIM

à vida, hoje e sempre.
Vencida, mas não convencida.

10.2.07

9.2.07

11 de Fevereiro

Todos os que vão votar SIM são filhos de mães que optaram pelo NÃO.

8.2.07

Por Que Razão

terão mais direitos os filhos dos que optam pelo NÃO do que os filhos dos que optam pelo SIM?

7.2.07

Citação

"Cada criança ao nascer traz a mensagem de que Deus não perdeu a esperança nos homens".

E quantas vezes recusamos receber essa sua mensagem!

6.2.07

Eutanásia?

O idoso pai de uma colega minha está praticamente acamado. A minha colega desvela-se em cuidados para que ele se mantenha em sua própria casa e nada lhe falte. Sendo a única cuidadora, a solução que arranjou foi contratar umas senhoras que tratam dele, uma de dia, outra de noite, investindo nisso o seu salário quase todo. Por estes dias, na iminência de perder a senhora que fica de noite, tem envidado esforços para encontrar-lhe uma substituta. Narrava-me ela hoje a conversa telefónica que teve com uma candidata.
Minha colega: Sabe, o meu pai está acamado, temos que o levantar da cama até ao sofá e voltar a deitá-lo. Usa fraldas.
Candidata: Mas afinal que problemas de saúde é que ele tem?
Minha colega: Teve um AVC, é diabético e por causa da diabetes quase não vê.
Candidata: E ele ainda quer viver?

5.2.07

Mitos na Questão do Aborto

1º Mito
"Todos somos contra o aborto."
Mentira! Muita gente é mesmo a favor do aborto.
Basta ver as afirmações da directora da clínica abortista dos Arcos em Badajoz: diz ela que, quer mude a lei em Portugal, quer não mude, vai abrir uma filial em Lisboa. Não é, certamente, para convencer as grávidas a terem os seus bebés...

2º Mito
"As mulheres sofrem muito quando decidem fazer um aborto."
Mentira! Nem todas: já conheci algumas que trataram o caso como se tivessem ido arrancar um dente.

3º Mito
"As mulheres sabem sempre fazer as suas opções".
Mentira! Nem as mulheres, nem os homens optam sempre bem. Todos nós fazemos coisas de que nos arrependemos. Eu, por exemplo, estou arrependidíssima de ter votado PS nas últimas legislativas. E não é só por causa do aborto!

2.2.07

Portugueses

SmileyCentral.com
Diz o DN de hoje que os estrangeiros entre nós nos consideram sérios, pouco convictos do nosso valor, tristes.
Mas não! Nós somos muito felizes!
De manhã, levantamo-nos e encaramos logo o belo sol de que os estrangeiros tanto falam. Ficamos contentes. Mas, é claro, vamos a caminho do emprego e a cara fecha-se.
Somos felizes em ter emprego: mas o patrão, os clientes, os fornecedores são o nosso castigo!
Vamos almoçar: adoramos um cozido à portuguesa. Mas quando temos que pagar a conta...
Saímos finalmente do emprego: são 6 horas e o pôr-do-sol é lindo. Mas os transportes públicos, senhores! Amarramos o olhar.
Finalmente em casa: família linda! Mas tanto trabalho à nossa frente, o jantar por fazer, os miúdos com os TPCs, os banhos, a televisão que só dá desgraças!
Deitamo-nos exauridos.
Mas somos felizes, lá isso somos!
À nossa maneira, talvez.

1.2.07

Mesmo um céu carregado


traz consigo a promessa de azul.

31.1.07

As Minhas Respostas à Questão do Aborto

Trato aqui apenas de algumas coisas que eu responderia a alguns argumentos invocados em favor da despenalização / liberalização do aborto.

Dizem: "Devemos ver isto apenas pela razão e pela ciência."
Minha resposta: É exactamente a ciência e a razão que cada vez mais nos permitem ver um ser humano vivo a partir de muito cedo, muito antes das 10 semanas. Quem tenha visto as imagens de uma ecografia de 7 semanas pode ter alguma dúvida?

Dizem: "Uma sociedade moderna permite o aborto por opção. Devemos ser uma sociedade moderna."
Minha resposta: Não sei bem o que se entende por "sociedade moderna". Se é aquela em que a vida não tem valor, então não quero viver numa "sociedade moderna". Os EUA são uma "sociedade moderna", onde se permite além do aborto, a pena de morte. E ouço tantas vozes contra esta "sociedade moderna"!

Dizem: "Não queremos ver as mulheres que abortaram arrastadas pelos tribunais".
Minha resposta: Vamos continuar a ver arrastadas pelos tribunais as mulheres que abortarem às 11, 12, 13, 14 semanas, que as há e muitas. Bem como as que continuarem a abortar fora do sistema legal.

Dizem: "Vamos mandar para a cadeia as mulheres que abortaram em desespero de causa?"
Minha resposta: Não sei se vamos, como também não o sei nos casos de quem rouba por ter fome, ou de quem mata por ser ameaçado de morte. Há , certamente, outras formas de penalizar quem vai contra a lei. Também não gosto de ver preso quem cometeu outros delitos. Mas essa é uma questão mais à frente, a das penalizações. Lamento, mas não é isso que me perguntam no referendo.

Dizem: "Não é justo que as mulheres ricas possam abortar em Espanha com todas as condições e as pobres no vão de escada."
Minha resposta: Concordo, mas também não é justo que os grandes possam fugir ao fisco com todo o à vontade, que possam roubar e até mandar matar em condições de segurança, enquanto os pobres se arriscam não só a ser imediatamente apanhados, mas até a correr risco de vida.

Dizem: "Não é justo para as crianças nascerem sem ser desejadas."
Minha resposta: Não me façam rir! Se só nascessem crianças planeadas, a humanidade tinha acabado há muitas gerações! Aliás, muitas das nossas crianças que hoje vão nascendo não foram planeadas, mas são recebidas com muito amor.

Dizem: "O aborto ilegal é um convite ao desenvolvimento de esquemas marginais, da lucros ilicítos, de criminalidade."
Minha resposta: É verdade, mas acontece com qualquer lei. A lei que proibe o roubo, a que proibe as drogas, a que proibe a condução sem carta, todas elas levam a que se desenvolva um esquema de o fazer de forma ilegal. Nem por isso decidimos descriminalizar o roubo, a droga ou a condução não habilitada.

Dizem: "O descriminalização do aborto não é uma questão moral, é uma questão de saúde pública."
Minha resposta: Como não é uma questão moral? Não é toda a lei uma questão moral e de ética? Tratar da vida não é uma questão moral? Mas sim, é também uma questão de saúde pública das mulheres que abortam e dos nascituros que são mortos.

Dizem: "A natureza desfaz-se muitas vezes dos embriões e fetos até às 12 semanas. Portanto, não se trata de um crime."
Minha resposta: A natureza também "se desfaz" de todos nós a longo prazo, e nem por isso achamos bem matar alguém.

Como todos sabemos, não somos capazes de criar a vida: ela é-nos concedida. Mas já temos a possibilidade de a tirar, embora não esse direito.
Penso que a questão fundamental é esta: o embrião / feto é ou não é um ser humano?
Se é, não podemos permitir que seja morto, só porque convém.

30.1.07

Wie viel Uhr ist es?


Hoje, na aula de Alemão, ao rever o tema "horas" para o próximo teste, fui pela primeira vez confrontada com a dificuldade dos alunos entenderem todos algo como, em português, dez para as seis, nove e um quarto. Convém relembrar que os meus alunos do 10º ano de Alemão têm origens tão diversas como vários PALOPs, Roménia, Brasil.
Mas o que mais me espantou foi a dificuldade que alguns têm de saber as horas nos reloginhos acima representados! Só as entendem nos digitais!

29.1.07

10ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA DEUS

Para além de todas as razões atrás mencionadas, consideramos que o aborto é uma clara violação da vontade de Deus, revelada nas Escrituras Sagradas. O quinto mandamento declara precisamente: "não matarás" (Êxodo 20:13).
Encontramos na Bíblia a revelação inequívoca de que Deus valoriza a vida humana desde a concepção e que está envolvido no processo criativo, como p. e. no texto seguinte de autoria do rei David (Salmo 139:13-16):
"Foste tu que formaste todo o meu ser; formaste-me no ventre de minha mãe (...) Conheces intimamente o meu ser. Quando os meus ossos estavam a ser formados, sem que ninguém o pudesse ver; quando eu me desenvolvia em segredo, nada disso te escapava. Tu viste-me antes de eu estar formado. Tudo isso estava escrito no teu livro; tinhas assinalado todos os dias da minha vida, antes de qualquer deles exitir."

Dr. Jorge Cruz, Médico

28.1.07

Citação de Domingo

"Tudo vem Dele e tudo para Ele voltará".
N.S.

De novo, a neve!


Como no ano passado, não tinha comigo a minha máquina fotográfica para apanhar um instantâneo da neve em Queluz! Por isso, mostro uma fotografia de outrem e do ano passado.

27.1.07

A Prova do Crime

Aparecem-nos feijõezinhos espalhados pelo chão da sala. Qualquer relação entre a jarra que os ostenta e a nossa gata Migas é pura especulação.
Gata apanhada a subir a estante proibida:

Gata apanhada com a pata na "massa":

26.1.07

9ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A ÉTICA

O aborto, o infanticídio, o suicídio e mesmo a eutanásia eram relativamente comuns e socialmente aceites no mundo antigo greco-romano. O abortamento provocado ocasionava, geralmente, a morte da mãe. No século IV a.C. Hipócrates de Cós, com o seu juramento, impõe uma ruptura com a cultura da morte que prevalecia nessa época. Mais tarde, após a humanização do Direito, por influência do Cristianismo, o aborto passou a ser considerado um crime no mundo ocidental. Deste modo, a norma ética, ao longo dos séculos, tem sido a defesa da vida humana desde a concepção. O aborto induzido é, assim, contra a ética, pois colide com o princípio fundamental da inviolabilidade da vida humana.
Nos raríssimos casos-limite em que a continuação da gravidez põe em risco a vida da mãe, o aborto poderá ser a única forma de salvar a sua vida, o que a actual lei já prevê.

Dr. Jorge Cruz, Médico

25.1.07

Hoje Como no Início do Século Passado...

'There's your little mob in there,' said Grimes.; 'you let them out at eleven.'
'But what am I to teach them?' said Paul in sudden panic.
'Oh I shouldn't try to teach them anything, not just yet, anyway. Just keep them quiet.'
'Now that's a thing I never learned to do,' sighed Mr. Prendergast.
Paul watched him amble into his classroom at the end of the passage, where a burst of applause greeted his arrival. Dumb with terror he went into his own classroom.

"Decline and Fall", Evelyn Waugh

24.1.07

8ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA O DIREITO À DIFERENÇA

Em muitos países ocidentais, a liberalização do abortamento provocado tem impedido o nascimento de crianças com anomalias cromossómicas, das quais a trissomia 21 (síndrome de Down) é a mais frequente, bem como com malformações congénitas perfeitamente compatíveis com a vida, e muitas delas com correcção cirúrgica pós-natal, como é o caso do lábio leporino ou do pé boto. Situações mais graves e complexas, como certas malformações cardíacas, podem também ser tratadas cirurgicamente, por vezes mesmo antes do nascimento.
O abortamento destas crianças contribui para uma desvalorização e discriminação de pessoas com deficiências sensoriais, motoras e/ou cognitivas, que vivem vidas adapatadas e felizes, apesar das limitações.

Dr. Jorge Cruz, Médico

23.1.07

A 34

Durante um mês da minha vida, um mês muito duro, eu fui conhecida não pelo meu nome, mas pela 34.
Isto aconteceu em 1974, entre Novembro e Dezembro, e eu estava internada na cama número 34, na Maternidade de Santa Bárbara, em Lisboa, com ameaça de aborto.
As condições eram deprimentes: uma área enorme, dividida por pequenos tabiques para 8 mulheres cada, recebia cerca de 40 mulheres. Os colchões eram feitos de raspas de cortiça e a casa de banho tinha um grande buraco no tecto, onde entrava o frio daquele inverno.
Todas as mulheres tinham abortado ou estavam em vias de abortar. Muitas, porque tinham feito um aborto no exterior, vinham tratar as sequelas. Outras faziam tudo por tudo para manterem os seus bebés vivos.
Por ser um lugar de abortos, não havia visitas nos 5 primeiros dias, e depois disso, só para quem pudesse ir à sala respectiva. Assim, era da janela que pedíamos aos maridos que trouxessem uns chinelos, um roupão, umas cuecas.
Ali tive uma boa escola do que é realmente o mundo das mulheres. Lembro-me de uma rapariga que tinha feito um aborto: tinham-lhe abortado um bebé, mas ela estava grávida de gémeos e um deles sobrevivia ainda. Em Santa Bárbara, faziam tudo para salvar os bebés. Assim, ela assinou a alta, saiu, abortou o segundo bebé e voltou para tratar as sequelas.
Uma outra rapariga, grávida de cinco meses, perdeu a bebé praticamente à nossa frente.
Interessante foi que nunca vi nem médicos, nem enfermeiras, nem outro pessoal tratar menos bem quem tivesse (ou não) provocado o seu próprio aborto.
A maior parte das mulheres estava lá 3 ou 4 dias e ia-se embora já recuperada. Mas os casos como o meu em que, ou continuava a ameaça de aborto, ou se tratava de uma coisa mais complicada, iam ficando.
Eu, descobriu-se depois, tinha uma mola hidatiforme. Corria a versão que era um bicho que quando nascia, subia pelas paredes.
Quem ia subindo pelas paredes fui eu, quando finalmente decidiram fazer-me expulsar a dita mola. Não tanto pelas dores, que as tive e muitas quando acordei a meio da anestesia geral, mas pela fraqueza geral em que fiquei.
Fizeram-me a curetagem na Magalhães Coutinho e foi aí, na sala de recuperação, que uma rapariga abortou espontaneamente um feto de 3 meses. A enfermeira pegou nele numa gaze e andou a mostrar-nos às outras internadas: um bebé minúsculo, mas completo, com um rostinho perfeito, dedos nas mãos e pés, um rapazinho.
Voltei para casa no dia 19 de Dezembro, e já nem entendia tudo o que a minha filha R. dizia, tanto que ela se desenvolveu num mês, mês esse em que tinha completado 2 anos de vida.
Foi uma experiência terrível, mas que jamais esquecerei.

22.1.07

7ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A DIGNIDADE HUMANA

A tradição moral judaico-cristã sempre se preocupou com a defesa dos mais fracos e vulneráveis, como é o caso das crianças, dos órfãos, dos idosos e das viúvas. O aborto nunca é uma solução dignificante, nem para quem o pratica, nem para a mulher que a ele se submete, e muito menos para a criança inocente.
Concordamos com o relatório-parecer sobre a experimentação no embrião, do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (1996) que afirma que "a vida humana merece respeito, qualquer que seja o seu estádio ou fase, devido à sua dignidade essencial."
É também um facto indiscutível que o número de abortos aumentou, por vezes exponencialmente, em todos os países que despenalizaram a sua prática.

Dr. Jorge Cruz, Médico

21.1.07

Lisboa-Dakar

Acabou-se. Desistimos!!!
Íamos muito bem na sexta-feira passada a passar dunas e desertos, quando encontrámos os senhores e senhoras representados nesta página:
http://multimedia.rtp.pt/index.php?vid=1
Cliquem no vídeo WMU do Contra-Informação de 19 de Janeiro e entendam que, com semelhante companhia, nos recusámos a andar um quilómetro que fosse!
Assim, demos meia volta e voltámos para o aconchego dos nossos lares.

20.1.07

6ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A CONSCIÊNCIA

É um facto incontestável que ao longo da história da humanidade, por influência do cristianismo, o aborto era considerado um crime, passível de punição. Contudo, nas últimas décadas, tem-se assistido a uma tendência no sentido da desvalorização da vida humana.
A nível individual, é indiscutível a sensação de culpa que a realização de um aborto acarreta, tanto à mulher que a ele recorre como à pessoa que o pratica. Tal facto deve-se à consciência que cada ser humano possui, e que o ajuda na tomada de decisões morais. Como afirma um provérbio francês, "não há travesseiro mais macio do que uma consciência limpa."

Dr. Jorge Cruz, Médico

18.1.07

Inacreditável

mesmo é esta história do pai biológico e dos pais adoptivos.
Quanto a mim, se o pai biológico foi avisado da paternidade ainda durante a gravidez e não quis saber, se foi avisado já com a menina nascida, e não quis saber, como é que a justiça lhe quer entregar a criança depois de tê-lo forçado a fazer análises para determinar a paternidade?
E se a mãe biológica também decidisse uns anos depois reaver a criança, entregavam-lha?
Acho que num caso destes, não deveria subsistir qualquer dúvida sobre quem são (há 5 anos) os verdadeiros pais da criança.

17.1.07

Pilhão?


Querem saber onde coloco as minhas pilhas gastas? Querem? Não, não é no objecto representado acima, é mesmo no lixo aí em baixo!!! Só por causa do estúpido anúncio que arranjaram para a TV, que todos os dias me perfura os tímpanos.

16.1.07

5ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A FAMÍLIA

Os filhos são uma parte integrante e significativa de cada família, considerada um dos pilares fundamentais das sociedades civilizadas. A ênfase dada à autonomia da mulher sobre a sua gravidez prejudica o relacionamento conjugal e familiar. Aliás, sabe-se que mais de 80% dos abortos provocados resultam de relações sexuais extra-conjugais.
Sabe-se também que uma percentagem significativa de gravidezes não planeadas e mesmo não desejadas, se não forem interrompidas, levam invariavelmente ao nascimento de crianças que acabam por ser extremamente apreciadas e amadas pelos seus pais.
Por outro lado, ao impedir-se o nascimento de crianças através do aborto está-se a contribuir para o grave problema demográfico resultante da diminuição acentuada da taxa de natalidade, em muitos países ocidentais. O mesmo se verifica actualmente em Portugal, o que acarretará consequências nefastas a nível económico e social.

Dr. Jorge Cruz, Médico

15.1.07

Ontem, na Sic

na belíssima reportagem sobre a Infertilidade, apreciei, para além da corajosa e digna intervenção da Musa, a informação dada pelo Prof. Mário de Sousa, de duas das principais causas do aumento da infertilidade na nossa sociedade:
1ª a promiscuidade desde muito cedo, que leva raparigas e rapazes a terem inúmeros problemas a nível do aparelho genital.
2ª a entrega dos jovens a comportamentos desregrados, no que diz respeito a álcool, tabaco e drogas, especialmente quando isso se efectua por picos de fim de semana.

14.1.07

Dedicação


Foi hoje dedicada ao Senhor, pelos seus pais, na sua igreja, a minha netinha mais nova, a Marta. Isso significa simplesmente que os pais confiam a sua jovem vida nas mãos de Quem a criou. Mais tarde, ela fará as suas escolhas.

13.1.07

Tempestade de areia


Não sei se vos disse que, após uns dias de grande calor, temos noites muito frias no deserto. Ainda por cima, dormimos numas tendinhas que não nos isolam grande coisa da temperatura exterior. Uma madrugada destas, como não conseguia dormir por causa do frio, decidi deixar as belas adormecidas das minhas companheiras, vestir-me bem e sair.
O sol nascia grandiosamente sobre o acampamento ainda quase totalmente adormecido. Como tinha deixado a minha máquina fotográfica no carro, estou a usar esta foto dos Saharamet, uns jornalistas que me acompanharam nesta belíssima visão.
Mas, como diz um hino cantado nas igrejas evangélicas, "Bem de manhã, embora o céu sereno / Pareça um dia calmo anunciar / Vigia e ora, o coração pequeno / Um temporal pode abrigar!", no decorrer da viagem desse dia, começou a surgir uma neblina acastanhada muito estranha. Em breve, entrámos no que parecia ser uma núvem densa e o vento começou a açoitar o carro. "Chuva?!", exclamou a minha T. Mas não, não era chuva: era o próprio deserto que se voltava contra nós, em forma de tempestade de areia.
Parámos, fechámos tudo o que podíamos e esperámos. Quando aquilo passou, o nosso carro estava semi-enterrado na areia. Havia areia por todo o lado e passámos umas boas horas a tirá-la como podíamos. Felizmente, o motor tinha ficado voltado na direcção contrária aos ventos e pudémos seguir viagem.
Nunca se fiem num belo amanhecer!

12.1.07

4ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A CRIANÇA

Já no célebre Juramento de Hipócrates (IV a.C.), ao qual os médicos têm procurado obedecer ao longo dos séculos, é expressamente referido: "não fornecerei às mulheres meios de impedir a concepção ou o desenvolvimento da criança." Condenamos assim, veementemente, a tese de que "as mulheres têm direito ao seu corpo", na medida em que esse suposto direito colide com princípios que consideramos absolutos, como o direito à vida do nascituro, que apresenta identidade genética própria, distinta dos progenitores.
Nos países que despenalizaram o aborto, os seres humanos correm maior risco de terem uma morte violenta nos primeiros nove meses da sua existência do que em qualquer outro período da sua vida. O útero materno, que deveria ser o lugar supremo de protecção da vida humana tornou-se assim tragicamente, nas últimas décadas, num dos locais mais perigosos. Além disso, sabe-se que muitas crianças, quando descobrem que a sua mãe fez um aborto, numa outra gravidez, desenvolvem perturbações mentais que podem requerer apoio psicológico ou psiquiátrico.

Dr. Jorge Cruz, Médico

11.1.07

Perdidas no deserto!


A T. não se cansa de elogiar a co-pilotagem da nossa amiga J., que sabe sempre para onde vamos, que nunca se engana onde é o sul para onde seguimos e onde ficou o norte onde deixou o seu querido. Chego a pensar que se tratem de piadas acerca do meu desacerto na função no ano transacto, que quase nos fez chegar ao corno de África.
Mas foi exactamente a saudade que a nossa amiga J. tem, mantém e retém do seu querido marido que nos ia causando o desastre completo. No meio dos suspiros, pegou nos mapas ao contrário, ou viu o GPS de pernas para o ar e lá fomos nós contra o morro de areia representado na imagem. Diga-se de passagem que a foto não é minha, que a minha máquina se encheu de areia, foi um jornalista chamado Luminescências que a tirou.
Ao sair do banco da areia e completamente humilhada por uma cena destas, a minha amiga T. ignorou mapas e GPSes e conduziu o carrro pelas areias quentes do deserto, como se fôssemos os três reis magos nos camelos atrás de uma estrela. Foi assim que às tantas nos vimos perdidas no deserto!
Eu só me lembrava que, se o filho da Thatcher há uns anos largos também se perdeu no deserto e a British Air Force foi mobilizada para o procurar, não seria demais que a nossa Força Aérea nos fosse buscar também...
A nossa amiga J. prontificava-se já para chamar reforços lá de casa dela, quando a T. finalmente descobriu uma série de outros carros e motas igualmente encalhados no deserto, mas que, esses ao menos, sabiam o caminho do regresso!

10.1.07

3ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA O HOMEM

O aborto não pode reduzir-se a um acto que apenas envolve a mulher que o pratica. Há pelo menos mais dois elementos fundamentais em todo o processso: o pai da criança e obviamente o nascituro.
Ao valorizar-se a vontade da mulher de prosseguir ou não com a gravidez, remete-se para segundo plano ou ignora-se completamente a vontade do homem, co-responsável pela concepção e paternidade. Desse modo, desvaloriza-se a sua participação no processo criativo. Ainda que muitas vezes o elemento masculino do casal não assuma a sua responsabilidade na família, através da despenalização e promoção do aborto livre, descartam-se completamente os deveres do pai da criança.
Sabe-se também, actualmente, que os homens podem sofrer de depressão pós-aborto, especialmente quando tal acto é realizado sem o seu conhecimento e autorização.

Dr. Jorge Cruz, Médico

9.1.07

Lisboa-Dakar

Ganhámos a primeira etapa! O quê? Não ouviram dizer nada? Bom, é porque a ganhámos moralmente. Assim que partimos de Lisboa, a minha amiga T. desatou a conduzir depressa, como se levasse o diabo atrás de nós. Eu a dizer-lhe "Ó T., olha que isto não é nenhum rally", a nossa amiga J. já baralhada com os mapas e com o GPS, eu a agarrar-me com força ao banco e ela nada. Claro que assim nem consegui tirar nenhuma foto. Ainda tentei lembrar-lhe as vezes (recentes) em que bateu, mas ela leva as coisas sempre muito a sério.
Como há malucos ainda mais doidos que a T., é claro que fomos ultrapassadas. E ainda bem. É que eu estava quase a arrepender-me de me ter metido nesta louca aventura, eu que, para além de odiar o calor e os desertos, também odeio carros, estradas e velocidades.

8.1.07

As minhas netas


As minhas duas netas mais velhas dão-se muito bem, ou melhor: o que uma faz, a outra repete instantaneamente. Se uma corre, correm as duas; se uma grita, gritam as duas; se uma quer colo, as duas querem colo.
Com as três cá em casa, a nossa atenção tem que dividir-se pelas três.
Admiro a forma como a Maria, a mais velha, aprendeu a lidar com a situação de ter deixado de ser a única, primeiro como neta, e agora como filha. Ela brinca e conversa com quem apanha a jeito ou mesmo sozinha. Não há problema. De vez em quando, uma festinha na cabeça da irmã.
Mas, estando a prima Joana, a festa está montada!

6.1.07

Lisboa-Dakar de novo


Pensávamos que tínhamos esgotado a nossa propensão para atravessar desertos no ano passado. A minha amiga T. bem insistiu comigo para nos inscrevermos e eu, népia. Desertos e calor não combinam comigo, disse-lhe.
Mas devo confessar que o relato dos preparativos e as imagens na baixa e arredores mexeram comigo: telefonei à T. e ela foi a correr lavar o carro (quem é que lava o carro quando vai para o deserto?!), fomos rapidamente convidar a nossa amiga J. e zarpámos.
Este ano, como sempre, a T. é a condutora, a J. é a navegante e eu? ora, eu vou no banco de trás, já que sempre me fez confusão encarar com o trânsito de frente. Eu limito-me às fotografias e à escrita. Bom, se necessário, também sou intérprete, isto se no norte de África se falarem as (poucas) línguas que domino.
Para começar, essa foto não é minha, que a minha máquina estava sem pilhas. É de um "compagnon de route" chamado www.pani.com.

5.1.07

Justiça

Comentei aqui há dias como Pinochet se foi, fugindo à justiça humana. Hoje, discute-se apaixonadamente a justiça da justiça infligida a Sadam. E cada vez mais a justiça que é feita cá pela terra nos deixa na boca o sabor amargo da sua ausência.

4.1.07

Manhã de Inverno


(imagem do sitiodoshaicais)

Esta manhã, ainda cedo, um melro igual a este saltitava no passeio entre os pardais e as pombas, debicando uns restos de pão entre o lixo-fim de festa e as últimas folhas caídas do Outono. E que bela visão de uma manhã de Inverno!

3.1.07

Gata Friorenta


No aquecedor


Aproveitando uma réstea de sol no sofá

2.1.07

2ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A MULHER

Sejam quais forem os motivos que a originam, alguns permitidos por lei, qualquer interrupção da gravidez é uma agressão para a saúde física, mental e emocional da mulher. Sabe-se actualmente que qulquer mulher que aborta voluntariamente, mesmo nas melhores condições de assistência médica, tem um risco acrescido de lesões no aparelho genital, infertilidade, abortamentos espontâneoas posteriores, prematuridade em gravidezes ulteriores, entre outros. Mais difíceis de quantificar, mas não menos importantes, são as consequências ao nível da saúde mental, nomeadamente depressão, sentimentos de culpa, sentimentos de perda, abuso de substâncias tóxicas e mesmo suicídio. O Colégio da Especialidade de Psiquiatria do Reino Unido (Royal College of Psychiatrists) chamou a atenção, já em 1992, para uma das consequências da liberalização do aborto nesse país.
"Ainda que a maioria dos abortos seja realizada com base no risco para a saúde mental da mulher, não há justificação de natureza psiquiátrica para o aborto. |Pelo contrário|, coloca as mulheres em risco de sofrerem perturbações psiquiátricas, sem resolver qualquer problema dessa natureza já existente."
Por outro lado, a despenalização total do aborto, ainda que nas dez primeiras semanas de gravidez, em vez de valorizar a vontade da mãe da criança pode expô-la a pressões por parte de familiares, do pai da criança, da entidade patronal ou mesmo de profissionais de saúde (p.e. por um alegado risco de malformações no feto que muitas vezes não se verificam), no sentido de interromper a gravidez, mesmo contra a sua vontade. Quanto mais permissiva for a lei, maior é a probabilidade destas situações ocorrerem.

Dr. Jorge Cruz (médico)

30.12.06

Cartas de longe

Andei ontem a mexer nuns papéis antigos e descobri esta carta, escrita pela minha mãe à sua cunhada M., pouco depois do meu nascimento. A alegria pela vinda de uma menina era compreensível, depois de 4 (quatro) rapazes...

Guarda, 3 de Fevereiro de 1949
(...) Muito obrigadinha pelos parabéns que nos dá pelo nascimento da nossa menina. Na verdade ficámos radiantes com a sua vinda, pois todos me diziam que ia ter outro rapaz, porém eu tinha pedido ao Senhor que me desse uma menina por isso andava sempre esperançada que era uma menina, porque também sentia alguma diferença dos outros, no período da gravidez.
Esta menina tem sido muito abençoada pelo Senhor em prendas que tem recebido; os outros também recebiam, mas não era nada que se comparasse com esta. Todos me diziam: se for uma menina, dou-lhe isto, outros, dou-lhe aquilo, etc.
De maneira que já tem anel, pulseira de ouro e brincos que são umas argolinhas com uma pérola branca.
Os padrinhos vieram cá de automóvel registar a menina num domingo e à tarde tivemos uma boa reunião com pregação e cânticos de alguns solos pelo irmão Jaime Nipo que é cunhado dos padrinhos. (...) Agora desejam saber como é que se chama a vossa sobrinha, não é verdade?
Chama-se M.(...). É muito engraçadinha e muito esperta, tem os olhos muito lindos e grandes.
(...) O que nos vale aqui é a braseira, se não morríamos gelados mesmo em casa. Por agora, vou-lhe dizer adeus. (...) Desculpe esta ir tão mal escrita pois foi muito à pressa, porque a sua sobrinha está à espera do banho pois já são 11 e meia da noite; ela é muito mansinha, mas também não devemos abusar. (...)
Desta sua mana muito amiga
A.

29.12.06

Tristeza

O ano está de novo a terminar mal com a notícia da pequena Sara espancada pela própria mãe até à morte. Até quando continuaremos a permitir que isto suceda entre nós, sem nos apercebermos? Ou sem fazermos nada?

28.12.06

1ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A VIDA

A Declaração Universal dos Direitos do Homem afirma que "todo o indivíduo tem direito à vida" (artigo 3º). Também a Constituição da República Portuguesa declara que "a vida humana é inviolável" (artigo 24º).
De acordo com a ciência, a vida humana tem início com a fecundação, resultante da união de um espermatozóide masculino com um óvulo feminino. Cada uma das células sexuais transporta metade da informação genética do progenitor, de modo que a célula resultante da fertilização, denominada ovo ou zigoto, recebe toda a informação genética necessária para orientar o desenvolvimento do novo ser humano.
O aborto provocado, independentemente do momento em que é realizado, acarreta sempre a destruição de uma vida humana, a quem é negada a continuação do seu desenvolvimento, impedindo-se o seu nascimento e a expressão do seu potencial como criança e adulto.
Assim, qualquer referendo ou decreto-lei que legitime a morte de um ser humano indefeso, designadamente a despenalização do aborto, sem qulquer indicação médica que o justifique, é um atentado claro contra a vida humana, e viola a própria constituição portuguesa e os direitos fundamentais do ser humano, expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Dr. Jorge Cruz, Médico

27.12.06

Família


(Imagem obscurecida para não ofender ninguém)

Este ano decidi fazer para a noite de Natal esta árvore genealógica da minha família. Ao fazê-la, fui-me tornando cada vez mais consciente do lugar que cada membro nela ocupa, incluindo os 'adquiridos' por casamento. Fui ficando também cada vez mais grata a Deus por cada um deles.
Li por estes dias que no norte há a tradição de colocar na mesa de Natal um prato, talheres, copo e tudo para os ausentes, os que partiram. É uma boa ideia. Não esperando por um eventual fantasmagórico regresso, mas como homenagem aos que nos deram origem e já não estão deste lado da eternidade.
Só que a nossa mesa de Natal já nem dava bem para as 29 pessoas ...

26.12.06

Feto às Dez Semanas


Mexe os braços, salta e a mãe ainda não o sente...

23.12.06

Feliz Natal!

A todos os que passam por aqui, deixo os meus desejos de um Natal abençoado com a Sissel em "O Helga Natt" (Oh Noite Santa). Muito simbolicamente, a Sissel está grávida nesta gravação.

22.12.06

7ª e Última Maravilha

A Universidade de Coimbra

Pela sua antiguidade, pela beleza da sua arquitectura, pela importância na cultura do nosso país.

21.12.06

6ª Maravilha de Portugal

Palácio de Queluz

Belíssimo, este Palácio pertinho aqui de casa.
Muitas coisas me ligam a Queluz: a minha igreja é em Queluz, muitos amigos moram em Queluz, muitos alunos também são de Queluz.
Vale sempre a pena um passeio pelos jardins do Palácio.

20.12.06

5ª Maravilha

Palácio da Pena, Sintra

Lugar de sortilégio, no cimo de uma montanha, contemplando a beleza de Sintra até ao mar. Os meus filhos cedo ganharam o hábito de percorrerem esta zona trepando os rochedos, com os amigos da igreja. Uma vez que cheguei lá antes deles, (tinha ido pela estrada, claro) e vi chegar os gémeos, rochedo atrás de rochedo, tão pequenos que, em certas passagens, tinham que ser levados ao colo pelos mais velhos, o meu coração deu um baque.

19.12.06

4ª Maravilha de Portugal

Casa de Mateus

De todas as que escolhi, é a única que não conheço. Escolhi-a, porque conheço outras casas solarengas do norte do país e porque esta fotografia me convenceu totalmente.