13.5.07

Dia das Mães

Os filhos são o que de melhor podemos ter na vida!

(Eu e a minha filha mais velha)

(Prenda do meu filho num Dia da Mãe há muitos anos)

(Prenda da minha filha mais nova num Dia da Mãe há muitos anos)

10.5.07

Carteiros



Ao contrário dos carteiros açorianos, os nossos são uma desgraça. Não só não nos conhecem de lado nenhum, já que o nosso correio vai passear não se sabe aonde e o dos nossos vizinhos acaba sempre na nossa caixa, também não sabem ler! A nossa caixa está devidamente identificada com número, letra, andar, etc, e nome da família! Será por isso que há cada semana um carteiro novo na área: quando descobrem que eles não sabem ler, despedem-nos...
Há alguns anos, dois ou três, esteve colocada na nossa zona uma belíssima carteira, que em breve conhecia toda a gente, sabia ler e tudo, e chegou a entender o parentesco que a nossa casa tinha com a da minha irmã, umas ruas mais à frente. Se a encontrava, por exemplo, perto da minha escola, dizia-me: "Tenho lá uma encomenda para si! Está em casa amanhã a partir de que hora?" Ou: "Não precisa de ir aos correios levantar a carta registada que não pude deixar em sua casa. Amanhã volto a trazê-la."
Era tão boa a nossa carteira! Terá sido promovida a Chefe dos Correios de Portugal?

9.5.07

Estado Inquilino

Foi notícia ontem: o Estado, que sabe legislar para os outros, coloca-se a si mesmo fora das leis que cria. Se já é mau ser devedor ao Estado, imaginem o que será ser credor!

8.5.07

A Rádio Nova Antena foi muito generosa com este humilde espaço, onde alinhavo umas ideias acerca do meu quotidiano. Obrigada!

6.5.07

Dia da Mãe



Uso esta gravura que comprei hoje à minha sobrinha na Feirinha do Jardim da Estrela para dar um abraço a todas as mães que aqui passarem e que considerem ser este o seu dia.

He's Got the Whole World in His Hands!

Melhor do que o anúncio da EDP:

5.5.07

Documento que recebi no meu email

>
>
>
> Divulgação obrigatória nos termos do DL 01/501 do Sec. V(a/c) (Decreto de Péricles).
>
> Se concorda com o teor desta carta, divulgue-a. Faça a sua parte!!!
>
> CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO
>
> JOSÉ SÓCRATES
>
> Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras motivadas por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta. A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta NUM DIREITO QUE O SENHOR AINDA NÃO ELIMINOU: o de manifestar publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da governação.
>
> Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento.
>
> Desminta, se puder, o que passo a afirmar:
>
> 1.º Do Statics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona Euro.
>
> 2.º Outra publicação da Comissão Europeia, L´Emploi en Europe 2003 , permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E o que vemos? Que em média nessa Europa 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado , enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento. Ou seja, a mais baixa dos 12 países , com excepção da Espanha.
>
> As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice destes dois países?
>
> 3º. Um dos slogans mais usados é do peso das despesas da saúde. A insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de 1458. Em Portugal esse gasto é . 758. Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730, a Austria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.
>
> Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas infelizmente os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo público. A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado. A questão reside em fazer escolhas acertadas. O Senhor optou pelas piores . De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas:
>
> 1.º Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito barbaridades . Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo patr> ão ).
>
> OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PAGAM OS SEUS 11 POR CENTO! .
>
> Mas O SEU PATRÃO ESTADO NÃO ENTREGA MENSALMENTE À CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES, COMO LHE COMPETIA E EXIGE AOS DEMAIS EMPREGADORES, os seus 23,75 por cento. E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos.
>
> Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua reforma ser calculada segundo os critérios aplicados aos restantes portugueses. Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco mais de uma década.
>
> Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice das iniquidades que subjazem á sua política o ministro Campos e Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7.000 Euros de salário, os 8.000 de uma reforma conseguida aos 49 anos de idade e com 6 anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte.
>
> 2.º Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seus encantos , baixou-os em 4 pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2.
>
> 3º Por outro lado, fala em austeridade de cátedra, e é apologista juntamente com o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da implosão de uma torre ( Prédio Coutinho ) onde vivem mais de 300 pessoas. Quanto vão custar essas indemnizações, mais a indemnização milionária que pede o arquitecto que a construiu, além do derrube em si?
>
> 4º Por que não defende V. Exa a mesma implosão de uma outra torre, na Covilhã ( ver ' Correio da Manhã ' de 17/10/2005 ) , em tempos defendida pela Câmara, e que agora já não vai abaixo? Será porque o autor do projecto é o Arquitecto Fernando Pinto de Sousa, por acaso pai do Senhor Engenheiro, Primeiro Ministro deste país?
>
> * Por que não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de Euros que as empresas privadas devem à Segurança Social ?
> * Por que não pôs em prática um plano para fazer a execução das dívidas fiscais pendentes nos tribunais Tributários e que somam 20 mil milhões de Euros ?
> * Por que não actuou do lado dos benefícios fiscais que em 2004 significaram 1.000 milhões de Euros ?
> * Por que não modificou o quadro legal que permite aos bancos, que duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos ?
> * Por que não renovou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento que permitiu à PT não pagar impostos pelos prejuízos que teve no Brasil, o que, por junto, representará cerca de 6.500 milhões de Euros de receita perdida ?
>
> A Verdade e a Coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou para se diferenciar dos seus opositores.
>
> QUANDO SUBIU OS IMPOSTOS, QUE PERANTE MILHÕES DE PORTUGUESES GARANTIU QUE NÃO SUBIRIA ,
>
> FICÁMOS TODOS ESCLARECIDOS SOBRE A SUA VERDADE.
>
> QUANDO ELEGEU OS DESEMPREGADOS , OS REFORMADOS E OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COMO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE COMBATE AO DÉFICE,
>
> PERCEBEMOS DE QUE TEOR É A SUA CORAGEM.
>
> Santana Castilho (Professor Ensino Superior)

4.5.07

Rádio

Se virem os comentários de ontem, vão descobrir que o meu blog vai ser comentado na rádio Nova Antena, na próxima 3ª feira, pelas 8:30 e 16:30. Fico entre o vaidoso e o apreensivo: será que continuarei imperturbável caso digam bem ou mal do meu blog?

2.5.07

Fé em tempo de mudança

"Faith is the art of holding on to things your reason has once accepted in spite of your changing moods."
C. S. Lewis

1.5.07

Conversas

Converso com a minha neta Maria, quase a fazer anos.
Eu: "Maria, quantos anos fazes?"
Ela: "Terês."
Eu: "E que queres para os teus anos?"
Ela: "Uma bicicaleta!"
Já tem uma, que acabou de lhe ser oferecida.
Eu: "E que mais queres para os teus anos?"
Ela: "Um burro!"

Um burro?! Na evidente impossibilidade de manter um burro já não digo a pão-de-ló, mas na varanda exígua da casa dela, pensei noutras modalidades. Um livro! Na livraria, muitas vacas, muitas ovelhas, muitos cavalos, mas nada de burros. Passo por uma lojinha de prendas e pergunto à empregada: "Tem um burro?" E ei-lo sobre o balcão, mesmo à minha frente:



Um burro de peluche, que, pressionado na pata dianteira esquerda, zurra a bom zurrar. Espero bem cumprir o desejo da minha neta, no seu muito próximo aniversário.
Ah! Não lhe digam nada acerca deste burro! É surpresa!

30.4.07

Vida

Entrou em vigor na semana passada a lei que legaliza o aborto em Portugal.
A partir de agora, as nossas mães passam a ter, por força da lei, o poder supremo de decisão sobre a continuação das nossas vidas, no seu início.
Será que os nossos filhos virão a ter o poder de decisão sobre o final das nossas vidas?

29.4.07

Diário de Notícias

O DN descobriu os blogs de profs. Podem ver isso aqui.
De facto, os blogs escritos por professores são tão variados como aqueles que são escritos por médicos, ou por enfermeiros, ou por bancários. É verdade que muitos mantêm-se fiéis ao tema sete dias por semana. Outros, como o meu, abordam a escola e a educação como abordam os restantes aspectos da sua vida. Conheço já e visito assiduamente a maior parte dos blogs mencionados no artigo. E não diria que a tónica principal seja a das lamúrias.

28.4.07


De forma completamente imerecida, ao meu blog foi concedida a subida honra dos Thinking Blogger Awards.
E agora tenho que escolher cinco outros blogs que me fazem pensar, ou emocionar. A minha primeira reacção foi a de escolher dentro da família. Depois, pensei que seria demasiado indecoroso. Assim, passo a palavra a estes cinco, por variadas razões:

At Your Disposal - Blog escrito por uma portuguesa em língua inglesa, alguém cujo passado se cruzou com o meu, sem nunca nos termos conhecido. O blog dos portugueses na Diáspora.

Ilustrana - A concessão à família. O espaço da arte.

Meus Rapazainhes - O blog missionário, a guarda avançada, quem vai por nós. Uma família além-mar.

The Dream Will Become True - A palavra à Esperança, o blog da luta contra a infertilidade. Alguém que me ensina a perseverar.

Mais Dia Menos Dia - Babyblog? Blog de prof? Tudo isso e muito mais, por alguém que sabe realmente escrever.

Aos que não mencionei, não fiquem tristes! A minha vontade era colar aqui a minha lista de favoritos. Parabéns a todos!

27.4.07

O pardal


(Foto de Xtec.es)

O pardalito saltitou no passeio, afastando-se de mim e sacudindo as asas. Uma pena fora do sítio provocava certamente um certo mal-estar. Se eu pudesse, pegar-lhe-ia cuidadosamente e alisaria a pena esvoaçante. Mas não. Os pardais portugueses têm medo de humanos e, provavelmente, têm razões de sobra para isso.
Em tempos, num jardim em Viena, eu, o meu marido e um grupo amigos deslumbrámo-nos com os pardalitos que saltitavam junto de nós, à espera de apanhar as migalhas do nosso lanche. Não mostravam receio e quase nos pousavam no colo.
Porque será que os nossos pardais são tão esquivos?

26.4.07

Suicídio

Segundo um estudo hoje apresentado no noticiário da hora do almoço na SIC, cresce a taxa de suicídio em Portugal. Mais no sul que no norte. Entre outros factores, suicida-se menos quem atribui importância à religião.
"Heaven Can Wait" era já o título de um filme dos anos 60 ou 70. Crer que há um céu que espera por nós e um Deus justo juiz ajuda-nos a manter-nos aqui por baixo.

25.4.07

25 de Abril de 1974



Esta fotografia (retocada) foi tirada no próprio dia 25 de Abril. Não nos deixaram ir trabalhar, por isso pude andar a tirar fotografias ao meu marido e filha única na altura, com pouco mais de um ano.
Vivemos aquele dia muito ansiado com muita ansiedade também. O pão esgotou-se, dada a corrida aos víveres, e acabámos o dia em casa de uns amigos, mais um dos meus irmãos e sua mulher, a comer o presunto que eles tinham trazido da terra. Sem pão.

24.4.07

A Migas


anda com cara de caso. Será que comeu a osga?

23.4.07

A Quem Pense Vir Visitar-Me


(Foto de Enresinados)

A minha casa está invadida por uma OSGA! Ao regressar a casa esta noite, eis que descubro na parede da marquise, mesmo ao pé da janela entreaberta, uma osga igualzinha à da foto. Fiquei petrificada e hesitante entre duas possíveis atitudes: o indisfarçável nojo que semelhante bicho me traz (até o nome, OSGA!!) e a equivalente vontade de despejar uma bomba de insecticida em cima dele, e uma atitude 'verde' como o dito animal, um reconhecimento de que a osguinha até nem me faz mal e também tem direito à vida.
Por consciência ou por preguiça, venceu a segunda. Neste momento, amigos, se não gostam de OSGAS, não me venham visitar, a menos que a Migas a encontre e dê cabo dela.

22.4.07

Mudança de Visual

Que acham do novo aspecto?
Estava um pouco cansada do anterior...

21.4.07

Teatro

Tenho vindo a participar em várias Acções de Promoção dos Manuais a serem escolhidos para o próximo ano lectivo. Esta semana participei de uma promovida pela Texto Editores, que, no final, nos presenteou com uma sessão de teatro da Companhia Teatral do Chiado em "As Obras Completas de Shakespeare em 97 Minutos". Espectáculo bem imaginado, representado apenas por três actores que fazem de tudo para 'ir buscar' (literalmente) e provocar o público. Rir de princípio ao fim. De tal forma que algumas das colegas que me acompanharam confessavam ao outro dia já não se lembrarem da última vez que tinham gargalhado como neste espectáculo. Estranho um pouco semelhante afirmação! Será que a minha vida é assim tão divertida que não preciso de teatro para rir?

20.4.07

Aula de Substituição

Chamam-me mais uma vez para dar aula de substituição a uma turma do 8º ano. Disciplina: Educação Física. Convém lembrar que eu dou Inglês e Alemão ao Secundário.
A funcionária mete-me na mão o Plano de Aula que o colega deixou:

Sumário: Ginástica de aparelhos, etc.
Material: Mini-trampolim. etc
Objectivos: Libertação do líquido sinovial. Activação do sistema cardio-respiratório.
Preparação psicológica para a actividade. etc. etc

E assim segue em 3 páginas.
Pois. Percebo disto à farta.
Vou até ao Pavilhão Gimno-Desportivo, o que me leva uns bons 10 minutos, já que se situa nos fundos da escola. Chove abundantemente. Procuro e encontro os alunos. Eles vão calçar sapatilhas para entrar nos ginásios. Eu não posso entrar, não vim equipada. (O equipamento de uma prof de línguas é algo muito diferente.) Fico à porta do Ginásio a vê-los a jogar à bola.
No fim dizem-me: "A aula foi fixe, setora. Oxalá o nosso prof volte a faltar p'ra semana!"

19.4.07

Tribos juvenis


(Foto de www.n-a-u.org)

Ele entrou na minha aula das 8, vestido e penteado a rigor: O cabelo rapado nos lados da cabeça, deixando apenas umas farripas laterais e uma crista, uma senhora crista, vertical ao longo de cerca de 20 cm de altura! Vestia totalmente de negro, roupa de cabedal sobre mangas compridas na Primavera quente.
Os colegas olharam-no entre o espanto e o riso. Podem imaginar o efeito causado na reunião de pais a que assistiu ao fim da tarde desse dia, com a respectiva mãe...
Estou certa de que na rua muita gente se afasta com medo dele. No entanto, os olhos azuis do T. mostram a sua bonomia: excelente rapaz e bom aluno, impossível não se gostar dele.
As aparências...

18.4.07

Um professor como qualquer outro


(imagem de Sic-online)

Liviu Librescu era professor. De origem romena e judaica, cidadão israelita, tinha escapado vivo aos campos de concentração nazis. Aos 87 anos era ainda professor na Virginia Tech. Com o seu próprio corpo barrou a porta ao assassino, enquanto incentivava os seus alunos a saltarem pela janela. Pagou com a vida. Um herói dos tempos modernos.
Não sei o que faria se a minha sala de aula, os meus alunos, fossem ameaçados desta maneira. Talvez o instinto de protecção sobressaísse e eu também tivesse que me tornar vítima da violência gratuita. Não sei. Nem quero saber.

16.4.07

Hotel Rwanda


(Poster do filme)


(Os verdadeiros Paul Rusesabagina e esposa Tatiana)

Vi ontem este filme na RTP pela primeira vez e deu-me muito que pensar: na facilidade com que o ódio absurdo surge e frutifica, no heroísmo de um homem só, na incapacidade que nós, o resto do mundo, tem de intervir quando é necessário.
Fez-me pensar também na nossa responsabilidade como povos colonizadores em relação ao que deixámos nas terras a que chamámos nossas. Como no Ruanda, os conflitos étnicos do presente têm tudo a ver com a forma como o colonizador tirou partido da existência de povos diferentes obrigados ao convívio e das consequentes rivalidades. Isto, é claro, não releva as culpas dos próprios povos que lutam pelo poder, como em "Hotel Ruanda".

15.4.07



Era ainda escuro. A cidade dormia.
Um carro e logo outro e outro convergiam para o ponto alto, no meio da cidade, como que obedecendo a um convite secreto ou seguindo um percurso pré-estabelecido. As pessoas emergiram de dentro dos carros, enfrentando o frio da madrugada de domingo. Um punhado juntou-se, olhou para leste, onde a claridade surgia e começou a cantar:

"Eis morto o Salvador
Na sepultura
Mas com poder, vigor
Ressuscitou!

Da sepultura saíu
Com triunfo e glória ressurgiu!
Ressurgiu vencendo a morte e seu poder
Pode agora a todos vida conceder!
Ressurgiu! Ressurgiu!
Aleluia! Ressurgiu!"

O sol nasceu, embora por trás de espessas núvens. O grupo, pequeno mas formado por gente de várias nacionalidades, terminou a reunião e cumprimentou-se:

"Jesus Cristo ressuscitou!"
"Verdadeiramente Ele ressuscitou!"

Aconteceu há uma semana, no domingo de Páscoa, e eu estava lá.

14.4.07

11.4.07

Interrupção

De novo atraiçoada pela revolução tecnológica...

8.4.07

Ele Vive!


The Empty Tomb, The Brick Testament

O Senhor ressuscitou! Ele está vivo!

7.4.07

Aniversário



A blogosfera celebra por esta altura o seu 10º aniversário e, hoje, eu, apenas menos oito. Não cheguei logo no início, como é próprio da lentidão de uma avozinha, mas acho que ainda vim a tempo.
Parabéns para nós!

4.4.07

Jesus Of The Scars



If we have never sought, we seek Thee now;
Thine eyes burn through the dark, our only stars;
We must have sight of thorn marks upon thy brow,
We must have Thee, O Jesus of the scars...

The other gods were strong, but Thou wast weak;
They rode, but Thou didst stumble to a throne,
But to our wounds, only God's wounds can speak
And not a god has wounds, but Thou alone.

James Shillito

3.4.07

Santos

Costumo frequentar alguns blogs assumidamente católicos, especialmente o do Confessor que muito estimo. Não será demais interpelá-lo sobre este tema.
Já em tempos aqui falei da minha perplexidade quando à canonização na Igreja Católica. Vem isto agora a propósito do intuito de beatificar a irmã Lúcia e especialmente o antigo papa.
Minhas perguntas:
1. Não é verdade que a Bíblia nos incita a todos a sermos santos? Por exemplo, I Pedro 1:15.
2. Assim sendo, por que razão uns são considerados santos e dignos de adoração em altar? Esta última parte é que já não encontro na Bíblia.
3. Para ascender a essa categoria, o antigo papa precisa de já ter morrido. Não se pode ser reconhecidamente santo em vida? No Novo Testamento, todos os cristãos são chamados santos.
4. Para ascender a essa categoria, o antigo papa precisa de realizar um milagre depois de morto. Porque não ainda vivo? No Novo Testamento, todos os cristãos são chamados santos, certamente que a maioria dos quais nunca tendo realizado qualquer milagre.
5. A minha velha questão: e como se pode pedir um milagre a quem não é considerado santo?

2.4.07

Escolas

A ministra quer retirar dividendos das escolas, colocando-as ao serviço da comunidade através do aluguer para casamentos, baptizados, quiçá funerais...
Segue-se uma imagem recebida hoje por e-mail:

1.4.07

Mês da Páscoa


A Cruz marca a subida, mas é vencida pela Vida da folhagem primaveril.

30.3.07

Resposta

Tirei a foto anterior no mesmo sítio onde tirei esta:

Primavera no Portinho da Arrábida

28.3.07

"Caminhos de Deus"

Esta amiga fez-me recordar este poema, que lhe dedico.

Senhor, sei que do alto vês melhor,
quanto mais se sobe maior a visão;
Teus olhos abrangem a eternidade:
contemplam o sol em sua imensidade,
vêem o verme a se arrastar no chão.

Para que então ficar gritando ao mundo:
olha o que tenho, o que sei, que sou?
Se lá do alto vês o mundo todo,
Tu sabes, Senhor, onde eu estou.

Tu sabes porque vim ao mundo,
tens uma missão para mim.
Nada mais falta que submissão,
dizer - Ordena. Abrir o coração.
Ouvir a ordem e obedecer assim:

Sem importar a obra que a mim couber,
ou o lugar em que meu campo esteja,
Pode ser obscura minha atuação,
o que importa é Tua aprovação,
ser tudo aquilo que queres que eu seja.

Talvez não tenha a sorte das estrelas
que belas cintilam, dando inspiração.
Talvez meu campo seja o mais mesquinho;
que me importa, se me tornar caminho
por onde passe a Tua compaixão?

Foram caminhos os servos do passado,
através da História um traço de luz:
Abraão, Moisés, José, Rute, Davi,
Jonas, Ester foram no tempo aqui
apenas caminhos em direcção da cruz.

Os que vieram depois também são caminhos
por onde a graça de Jesus passou
em busca do oprimido e do aflito,
caminhos que se fundem no infinito
no Único Caminho que um dia me salvou.

Agora, Senhor, a minha prece:
eu quero a graça de participar,
se não posso ser um caminho brilhante,
faze-me atalho na serra distante
mas onde o mundo veja Teu amor passar.

Usa-me, Senhor, durante todo o tempo,
para que no dia em que voltar ao céu,
possa dizer-Te, com um sorriso doce:
- Nada fiz, nada juntei, eu nada trouxe,
na terra fui apenas um caminho Teu.

Myrtes Mathias

27.3.07

Peripécias informáticas

Sempre confessei não entender nada de computadores, a não ser o essencial para fazer os trabalhos para a escola, incluindo a avaliação no Excel, (mas só numa página iniciada por uma das minhas filhas), navegar na net e manter este blog. Quando me falam de bytes e megabytes, falam-me chinês.
Pois este fim de semana, uma 'pen' marada avariou-me o Word. Resultado: posso navegar e ver blogs, posso lidar com fotografias, mas textos é que nada.
Para cúmulo do azar, há pouco e de repente, o teclado deixou de funcionar. Fui ver lá atrás e um fio estava caído. Ao tentar re-inserir o fio, não só o teclado se recusava a escrever, mas o rato também paralisou.
O computador ficou congelado várias horas, nem para trás, nem para a frente, recusando-se até a desligar, até que, fazendo o 'reset', voltou à vida! Teclado, rato, etc. O suficiente para estar aqui a escrever estas linhas.
Para a reposição do Word, aguardo a visita de um amigo, o T.P.
Tempos modernos!

26.3.07

Escola

O pai de uma aluna agride a mãe e esta anda a fugir com a filha, levando-a sistematicamente tarde à escola.
A mãe de um aluno declara que receia que o filho se esteja a tornar bi-sexual como o pai.
A mãe de um aluno passa o dia a vigiar o filho da vedação da escola, por recear que ele não coma, ou seja atacado por outros.
Trata-se de miúdos entre os 16 e os 18 anos.
Perante este panorama, muito bons são os alunos!

25.3.07

200 anos da abolição da escravatura na Grã-Bretanha


"Tão grande dor em tão pouco espaço", referia William Wilberforce no seu discurso no Parlamento que introduzia a luta contra a escravatura. Podem ler mais sobre isso no DN de hoje e aqui.
Wilberforce é um dos meus heróis. Ele foi contra tudo e contra todos, numa época em que um escravo mal valia o chão que pisava. Ele possuia uma condição social que lhe permitia ter ficado no seu canto. Sem ele, quem seria hoje livre?
Precisamos de pensar nas nossas escravaturas do nosso tempo: por exemplo, a escravatura sexual de mulheres e crianças em todo o mundo, mesmo no nosso.

2 anos de Migas


22.3.07

Nocturno

Costumo ler alguns baby-blogs onde os respectivos pais falam das noites mal dormidas. Aliás, hoje o meu próprio filho se queixa do mesmo mal!
Conversava há pouco com uma funcionária da minha escola, perguntando-lhe pela sua velha mãe, à beira da morte. E ela respondeu-me:
"Está mal. Hoje não dormi nem um minuto!"
Fiquei a pensar nos pais que perdem noites com os filhos e nos filhos que perdem noites com os pais. Na justiça poética que isto encerra.
Que feliz é esta velha senhora por ter uma filha que perde noites à sua cabeceira!

21.3.07

Dia Mundial da Poesia

Hoje uma colega celebrava o dia distribuindo a todos um poema. Segue o que me coube a mim:

FAZ-ME O FAVOR

Faz-me o favor de não dizer
absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor - muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny

"Primavera" de Edna de Araraquara


Descobri esta pintora 'naif' de nacionalidade brasileira mas radicada em Portugal nas paredes do consultório do meu oftalmologista e fiquei encantada.
É com esta beleza que desejo a todos uma esplêndida Primavera.

20.3.07

Citação

"Um aluno que insulta e agride um professor na sala de aula deve ser punido com prisão".
Xavier Urras, psicólogo, pedagogo, terapeuta espanhol no "DN Magazine"

19.3.07

Dia do Pai


A todos os pais da família.

18.3.07

Feiras e romarias

A capacidade que os portugueses têm de converter tudo em grandes romarias está evidente em cada cantinho do nosso país. Umas vezes a motivação é religiosa, noutras pode ser política.
Agora até a televisão despoleta a coisa, como podem ler no DN de hoje, a propósito do regresso da criança raptada a casa dos pais, contra a opinião de todos os técnicos.
Uma grande feira no exterior, comes e bebes, gente de todo o lado e até foguetes! Viva a festa!

17.3.07

Conversas

Avô para Joana (20 meses)

Avô: Quem é a querida do avô, quem é?
Joana: Xuana.
Avô (à espera de ouvir os nomes das outras netas): E mais?
Joana: A Xixina (avozinha).
Avô: E mais?
Joana: Migas!

15.3.07

Paradoxo

Há muitos anos, quando eu estava no ensino particular, só se falava em nacionalizá-lo. Porque será que, agora que estou no oficial, se fala tanto em privatizá-lo?

14.3.07

Dentro de casa


a Primavera

13.3.07

Ainda o aborto

A história veio de repente, sem que nada a fizesse prever ou sequer que alguma vez tivéssemos abordado o tema. Ainda introduzi um "Sou contra o aborto..." mas ela continuou como se não ouvisse ou não lhe interessasse.
Há muitos anos, ela casada e com uma criança, mas com muitas suspeitas de que em breve ficaria só. O marido queria desesperadamente outro filho. Para salvar o casamento. Ela achava que não, que nada salvava nada, muito menos um outro filho para ela criar sozinha.
E contou-me tudo, incluindo os pormenores sórdidos, a cave manhosa, os lençóis enxovalhados, o balde cheio de sangue. E eu calada, sem entender porque me escolhera para interlocutora. Ela, frequentadora de procissões, mas abertamente vivendo "de forma liberal", confidenciando a mim, a 'certinha' dedicada à família e contra o aborto...
No fim, arrisquei: "Alguma vez te arrependeste?" Ela, segura: "Nunca!"
"Tudo poderia ter sido diferente, quem sabe..." digo eu.
Mas ela não quis que nada fosse diferente.

11.3.07

O trigo e o joio


(Foto de www.tamariskfarm.com)

Mateus 13:24-46

Onde estarei eu a ser joio no meio do trigo?

10.3.07

Perfeição

Se o 7 (sete) 7 é perfeição, é nada mais nada menos que isso que me é pedido por esta amiga bloguista. Sabendo, porém, que tal intento é, à partida, vão, aqui vai uma resposta ao desafio.

7 Coisas Que Faço Com Gosto
- Ler
- Ponto de cruz
- Pegar num bebé
- Pegar numa neta
- Pegar noutra neta
- Pegar ainda na outra neta
- Imaginar-me a pegar na próxima neta

7 Coisas Que Não Sei ou Não Posso Fazer
- Demitir o governo
- Demitir a Ministra da Educação
- Mudar o Estatuto do Professor
- Acabar com as aulas de substituição nos moldes actuais
- Transformar os meus alunos em estudantes
- Mudar a cabeça de algumas pessoas que conheço
- Mudar o coração de algumas pessoas que conheço

7 Coisas Que Me Atraem no Sexo Oposto
- Serem do sexo oposto
- Pensarem como sexo oposto
- Viverem como sexo oposto
- Falarem como sexo oposto (mesmo que isso passe pelo futebol)
- Rirem como sexo oposto (sem precisarem de grandes anedotas)
- Olharem com consideração para o sexo oposto
- Amarem o sexo oposto

7 Coisas Que Eu Digo
- Bom dia à chegada
- Até amanhã à saída (sou muito educada)
- Disparates sem pensar
- Graçolas
- "Onde é que está o espelho?" aos alunos que troçam uns dos outros
- "Tem alguma coisa a alegar em sua defesa?"
- "Fale agora ou cale-se para sempre"

7 Pessoas Que Devem Ser Celebridades
- Os portugueses que chegam a horas às actividades marcadas
- Os funcionários públicos que se preocupam com o seu trabalho
- Os médicos que não se limitam a despachar doentes
- Os empregados de lojas finas que não julgam os clientes pela sua aparência
- Os empregados de lojas normais realmente decididos a atender os clientes
- Os meus amigos que ainda o são depois de me conhecerem
- Os visitantes deste blog que resistem

Não passo este desafio a ninguém em particular, apenas o lanço ao espaço da blogosfera!

9.3.07

Dia do Prémio


Quando cheguei a Guimarães em 1958, quase a fazer 10 anos, fui iniciar a 4ª classe. À medida que 9 de Março do ano seguinte se aproximava, era constantemente alvo da pergunta: "Vais ao prémio?" (Convém dizer que eu era boa aluna...)
A 9 de Março desse ano e dos seguintes que vivi em Guimarães, entendi do que se tratava. Pelas mãos de uma Sociedade Cultural, a Câmara atribuia um prémio aos melhores alunos das escolas da cidade.
Nesse dia 9 de Março não havia aulas e todos se dirigiam com os seus professores às instalações (exíguas para tanto miúdo) da Câmara Municipal. Os nomes dos alunos eram chamados e recebiam das mãos do Presidente o prémio: um lanchezinho modesto e um livrito. Assim, fui recebendo "As Viagens de Vasco da Gama", "Como Criar Galinhas" e outros dos quais já me escaparam os títulos. Depois da sessão solene, o Cine-Teatro Jordão oferecia uma tarde de cinema grátis à pequenada toda, da cidade e arredores. Assim vi, por cima do ombro dos mais altos que eu, já que o espaço não abrigava todas as crianças sentadas, o Coro dos Pequenos Cantores de Viena e outras fitas que se me esfumaram da memória.

8.3.07

Humor



Enviaram-me isto por e-mail. Não sei quem é o autor.

7.3.07

50 anos de RTP



Acompanhar os programas de recordação dos 50 anos da televisão em Portugal é quase um 'flashback' da minha vida.
Recordo bem o início das emissões em Viseu, quando eu tinha 8 anos: todo o pessoal ficava embasbacado pela rua fora, impedindo o trânsito, a ver uma peça de teatro numa loja da cidade. E sem som...
Outros tempos!

6.3.07

Juventude

Hoje, ao recolher um teste, notei que a minha aluna J. guardava na mochila uma inconfundível embalagem de pílula anti-concepcional. Pensei de mim para mim: Bom, ainda bem!
Não me compreendam mal! Acredito e valorizo o sexo como componente do casamento.
No caso desta miúda, ela e o namorado, também meu aluno em outra turma, andam sempre por lá agarradinhos. Há tempos, uma colega 'confiscou' ao rapaz um trabalho que ele tinha feito para a minha disciplina, em cujo verso ele desenrolava uma ardente declaração a outra colega, que lhe respondia perguntando se ele não era 'casado'...
Por tudo isto pensei: mais vale assim!

4.3.07

Modernidade

O casal idoso vivia sozinho nos montes algarvios, o único filho emigrado. A senhora, há muito padecendo de Alzheimer, via o seu estado agravado de dia para dia, entregue por completo ao tratamento dado pelo marido, lavar, vestir, dar de comer, marido esse até então talvez mais habituado a ser tratado que a tratar.
A mulher ia piorando, dando-lhe acessos de fúria em que atacava o próprio marido, talvez por ter já chegado a desconhecê-lo. Na sua impotência, o homem tentou de tudo o que sabia para arranjar algum lar para interná-la. Nada nem ninguém lhe valeu.
Num dia negro, o desespero venceu: deu um tiro na cabeça à mulher que descansava no sofá, saíu para fora e suicidou-se com outro.

O caso foi verídico, veio nos jornais. A Câmara anunciou depois que teria arranjado solução para este casal. Que sociedade é a nossa em que se morre de desespero à nossa porta?

1.3.07

Na escola

De serviço na Biblioteca, vou apoiando os alunos que me procuram para tirar dúvidas ou ajudo-os a encontrar a informação pretendida. Hoje, encontro a uma mesa uma das minhas alunas, folheando o exemplar da Bíblia existente na Biblioteca, uma edição recente dos Capuchinhos. "A ler a Bíblia?" pergunto surpreendida, já que nunca lá vi ninguém pegar em semelhante livro, a não ser eu própria. Diga-se em abono da verdade que os alunos também não pegam muito nos restantes livros, a não ser que precisem de informação para algum trabalho. Preferem de longe a zona dos computadores.
"Sim", diz ela, "mas esta Bíblia é estranha: aqui no índice tem uns livros que eu não conheço!"
E assim fiquei a saber que a minha aluna K. é evangélica como eu.

28.2.07

Aposentação

Uma colega da escola - 68 anos de idade e 36 de serviço - recebeu ontem a comunicação de que seria hoje o seu último dia de trabalho. E assim lá foi despedir-se de nós. Há muito que ansiava por este dia, que o que vai para além dos 60 não se coaduna lá muito bem com adolescentes que são cada vez mais crianças e a paciência que vai sendo cada vez mais escassa.
Vai ficar vago agora o seu lugar até que os processos burocráticos a substituam.
Estranho este cessar repentino de funções, a meio do trabalho programado, testes para dar ou corrigir, avaliações a caminho. Quem vier, virá tomar um trabalho interrompido, sem saber muito bem por onde lhe pegar.
Teria que ser assim? A professora não poderia ter sido avisada com um mês ou dois de antecedência, encontrado o substituto e a transição planeada em conjunto? Os alunos não merecem mais respeito? Já nem falo nos professores! O ideal seria que as últimas aulas da professora fossem já acompanhadas pelo novo professor e que as turmas paulatinamente passassem de uma realidade para outra. Seria melhor para todos.
Mas quem quer saber disso?

27.2.07

"Teacher Man" by Frank McCourt

So, what took you so long?
I was teaching, that's what took me so long. Not in college or university, where you have all the time in the world for writing and other diversions, but in four different New York City public high schools. ( I have read novels about the lives of university professores where they seemed to be so busy with adultery and academic in-fighting you wonder where they found time to squeeze in a little teaching.) When you teach five high school classes a day, five days a week, you're not inclined to go home to clear your head and fashion deathless prose. After a day of five classes your head is filled with the clamor of the classroom.

24.2.07

Gustav Klimt


Death and Life

23.2.07

História VIII

Estavam noivos e preparavam o casamento. A sua alegria era exuberante e partilhavam-na com os amigos, muitos, a quem entregaram o convite cuidadosamente elaborado para ser diferente e só deles.
Com entusiasmo e a colaboração dos felizes pais de ambos, escolheram o local do casamento e da boda: um restaurante da moda, bem no centro da capital.
Os preparativos decorreram com celeridade e tudo em breve estava a postos: o fato dele, o vestido dela, o destino de lua de mel.
O radioso dia chegou. A madrugada fez-se dia de sol e os noivos chegaram.
Sim, eles chegaram, a família também estava lá, mas não os convidados. Após a breve cerimónia e preparado o lauto banquete, começam a ligar para os amigos: Que se passa? Estão atrasados?
Respostas variadas: Tivémos um furo, já não podemos ir. Surgiu-nos um negócio inesperado. Um parente visita-nos do estrangeiro. Tive que ir trabalhar hoje.
Entre as lágrimas da desilusão com tais amigos, os noivos decidem abrir as portas do restaurante chique para a rua: Que entrem os que não foram convidados, os transeuntes, os pedintes, os sem-abrigo!
Lenta e incredulamente, os pobres vão entrando, vão-se sentando nas cadeiras luxuosas, vão apalpando a seda das toalhas, cheirando o perfume no ar, deliciando-se com a música ao vivo, provando a comida deliciosa, bebendo os melhores vinhos do país.
E a festa de casamento foi um espanto, uma alegria!

Moral da história:
(Lucas 14:15-24)
Eu era uma das miseráveis.

21.2.07

Três Meses


"Formaste-me no ventre da minha mãe,
formaste-me no ventre da minha mãe.
Eu Te louvarei, eu Te louvarei!
Formaste-me no ventre da minha mãe!"

Parabéns, Marta!

4ª feira de Cinzas


Há seis anos atrás, passei o carnaval em Nova York com um primo, o meu filho e a minha nora (nessa altura apenas candidata). Inesquecível!
Notámos logo que lá não há carnaval: toda a gente a trabalhar e as ruas, como sempre, cheiinhas de gente.
Estranhámos uma bela manhã que tantas pessoas em Manhatten tivessem a testa enfarruscada. Seguindo a pista, parecia que toda essa gente vinha da Catedral de St. Patrick. Entrámos e vimos os lugares onde se passavam os dedos numa espécie de fuligem e se traçava uma cruz na testa. Era Quarta-Feira de Cinzas.
Interessante que nós, vindos de um país católico do velho mundo, cá não conhecêssemos tal costume e viéssemos dar com ele num país anglo-saxónico, de maioria protestante e na Big Apple!

20.2.07

Carnaval


"Carnival Evening" de Henri Rousseau

Coisas que Detesto no Carnaval:
- a ideia de que se pode fazer de tudo para logo se arrepender de tudo
- os foliões
- as brincadeiras patetas
- os estalinhos, as bombinhas, as bisnagas (felizmente, em desuso, segundo parece)
- as moçoilas desnudas, seja no quente Brasil, seja no patético Portugal, a toda a hora na TV
- o ritmo do samba a propósito de tudo

Coisas de que Gosto no Carnaval:
- a pintura acima
- três dias sem aulas (mas não sem trabalho!)
- as crianças pequenas convencidas que são princesa, cowboy, bailarina, etc.

19.2.07

Chuva


de regresso, para estragar o Carnaval. Ih ih!

17.2.07



Esta fotografia foi há semanas publicada na DN Magazine. No primeiro andar deste edifício, no Largo Camões, funcionava há 30 e tal anos o Externato Novo Rumo. Foi aqui que dei as primeiras aulas da minha vida e foi dessas janelas que assiti aos acontecimentos que se sucederam ao 25 de Abril. Esta bela fotografia trouxe-me memórias fantásticas!

16.2.07

Provas Globais

A Ministra acabou com as Provas Globais das várias disciplinas do 9º ano e foi à Assembleia da República explicar que, dado o seu 'leve' peso de 25% nas classificações dos alunos, "nenhum aluno chumbava por causa delas".
É verdade, ou melhor, era necessário haver uma grande discrepância entre a restante avaliação do aluno e a nota da prova global para esta afectar o resultado final.
No entanto, era uma prova moralizadora, tanto do estudo dos alunos no final do ano, como dos professores, 'obrigados' a dar a matéria toda para a Prova.
Dir-me-ão que tanto os bons alunos como os bons professores não precisam disso. Concordo. Mas era importante para os restantes.
Como anterior governo já fez com as Provas Globais no Secundário, este continua o caminho do facilitismo. Não está bem.

15.2.07

Escola

"A zona amazónica é a biblioteca genética da humanidade."

Era uma frase de um teste de Português do 7º ano, dado por um colega meu. Contava ele hoje que a maior parte dos alunos não foi capaz de responder à pergunta "onde?". Uma aluna não entendeu a frase, porque não sabia o que era uma biblioteca, vários outros não sabiam o que era uma zona.

14.2.07

Sic, "Fátima Lopes"

Há dias, a Maya, comentando as consultas de bruxaria alegadamente feitas em tempos por Pinto da Costa e Carolina Salgado:
"Se as pessoas usassem a cabeça, não recorriam a essas coisas negativas, sapos, sangue ..."

Se as pessoas usassem a cabeça, recorriam à Maya?

13.2.07

Terramoto

Não, desta vez não senti nada. Estava em Lisboa numa Acção de Formação e fiquei feliz por saber que a terra tinha dado um solavanco sem eu o sentir.
Não foi assim há 38 anos.
Era solteira, dormia com a minha irmã em casa dos nossos pais, na Amadora. Acordei com o rugido que vinha do subsolo, algo que nunca mais esquecerei. Abri os olhos e o roupeiro ao fundo da minha cama dançava, ameaçando cair sobre mim. A minha irmã, na cama ao meu lado, gritava. Saí da cama para a ir consolar e caí sobre ela. O nosso quarto parecia um navio em mar encapelado. Abri a porta aos meus irmãos e ficámos juntos, a ver o que se seguiria.
Parou. Surgiram os nosos pais, que, ao cair um frasquito no seu quarto, se tinham preparado para morrer abraçados.
Não foi desta.
Durante dias não conseguia conciliar o sono. Durante meses, anos foi o meu receio maior.
Uma amiga contou-me que, na véspera à noite, tinha lido o Salmo 46: "Deus é o nosso refúgio e a nossa força, é a nossa ajuda nos momentos de angústia. Por isso, não teremos medo, ainda que a terra se ponha a tremer, mesmo que as montanhas se afundem no mar; mesmo que as águas rujam furiosas e os montes tremam com o seu embate."
Nunca mais esqueci.

12.2.07

Publicidade

ao Ninivita nascido cá em casa. Logo às 21h na Antena 3.

Maria

A minha neta Maria de novo a passar uma noite em nossa casa. Converso com ela e vou-lhe contando o primeiro dia em que a conheci (e fui avó).
"Então a mamã foi para o hospital para a Maria nascer. A Maria nasceu e ficou a dormir numa caminha ao lado da mamã.
A avozinha chegou lá e cumprimentou a mamã, o papá, a avó T., o avô J. e depois olhou para a Maria, a dormir na caminha: era tão linda, tão linda!"
Maria:
"A Maria estava a sonhar com a avozinha."

11.2.07

SIM

à vida, hoje e sempre.
Vencida, mas não convencida.

10.2.07

9.2.07

11 de Fevereiro

Todos os que vão votar SIM são filhos de mães que optaram pelo NÃO.

8.2.07

Por Que Razão

terão mais direitos os filhos dos que optam pelo NÃO do que os filhos dos que optam pelo SIM?

7.2.07

Citação

"Cada criança ao nascer traz a mensagem de que Deus não perdeu a esperança nos homens".

E quantas vezes recusamos receber essa sua mensagem!

6.2.07

Eutanásia?

O idoso pai de uma colega minha está praticamente acamado. A minha colega desvela-se em cuidados para que ele se mantenha em sua própria casa e nada lhe falte. Sendo a única cuidadora, a solução que arranjou foi contratar umas senhoras que tratam dele, uma de dia, outra de noite, investindo nisso o seu salário quase todo. Por estes dias, na iminência de perder a senhora que fica de noite, tem envidado esforços para encontrar-lhe uma substituta. Narrava-me ela hoje a conversa telefónica que teve com uma candidata.
Minha colega: Sabe, o meu pai está acamado, temos que o levantar da cama até ao sofá e voltar a deitá-lo. Usa fraldas.
Candidata: Mas afinal que problemas de saúde é que ele tem?
Minha colega: Teve um AVC, é diabético e por causa da diabetes quase não vê.
Candidata: E ele ainda quer viver?

5.2.07

Mitos na Questão do Aborto

1º Mito
"Todos somos contra o aborto."
Mentira! Muita gente é mesmo a favor do aborto.
Basta ver as afirmações da directora da clínica abortista dos Arcos em Badajoz: diz ela que, quer mude a lei em Portugal, quer não mude, vai abrir uma filial em Lisboa. Não é, certamente, para convencer as grávidas a terem os seus bebés...

2º Mito
"As mulheres sofrem muito quando decidem fazer um aborto."
Mentira! Nem todas: já conheci algumas que trataram o caso como se tivessem ido arrancar um dente.

3º Mito
"As mulheres sabem sempre fazer as suas opções".
Mentira! Nem as mulheres, nem os homens optam sempre bem. Todos nós fazemos coisas de que nos arrependemos. Eu, por exemplo, estou arrependidíssima de ter votado PS nas últimas legislativas. E não é só por causa do aborto!

2.2.07

Portugueses

SmileyCentral.com
Diz o DN de hoje que os estrangeiros entre nós nos consideram sérios, pouco convictos do nosso valor, tristes.
Mas não! Nós somos muito felizes!
De manhã, levantamo-nos e encaramos logo o belo sol de que os estrangeiros tanto falam. Ficamos contentes. Mas, é claro, vamos a caminho do emprego e a cara fecha-se.
Somos felizes em ter emprego: mas o patrão, os clientes, os fornecedores são o nosso castigo!
Vamos almoçar: adoramos um cozido à portuguesa. Mas quando temos que pagar a conta...
Saímos finalmente do emprego: são 6 horas e o pôr-do-sol é lindo. Mas os transportes públicos, senhores! Amarramos o olhar.
Finalmente em casa: família linda! Mas tanto trabalho à nossa frente, o jantar por fazer, os miúdos com os TPCs, os banhos, a televisão que só dá desgraças!
Deitamo-nos exauridos.
Mas somos felizes, lá isso somos!
À nossa maneira, talvez.

1.2.07

Mesmo um céu carregado


traz consigo a promessa de azul.

31.1.07

As Minhas Respostas à Questão do Aborto

Trato aqui apenas de algumas coisas que eu responderia a alguns argumentos invocados em favor da despenalização / liberalização do aborto.

Dizem: "Devemos ver isto apenas pela razão e pela ciência."
Minha resposta: É exactamente a ciência e a razão que cada vez mais nos permitem ver um ser humano vivo a partir de muito cedo, muito antes das 10 semanas. Quem tenha visto as imagens de uma ecografia de 7 semanas pode ter alguma dúvida?

Dizem: "Uma sociedade moderna permite o aborto por opção. Devemos ser uma sociedade moderna."
Minha resposta: Não sei bem o que se entende por "sociedade moderna". Se é aquela em que a vida não tem valor, então não quero viver numa "sociedade moderna". Os EUA são uma "sociedade moderna", onde se permite além do aborto, a pena de morte. E ouço tantas vozes contra esta "sociedade moderna"!

Dizem: "Não queremos ver as mulheres que abortaram arrastadas pelos tribunais".
Minha resposta: Vamos continuar a ver arrastadas pelos tribunais as mulheres que abortarem às 11, 12, 13, 14 semanas, que as há e muitas. Bem como as que continuarem a abortar fora do sistema legal.

Dizem: "Vamos mandar para a cadeia as mulheres que abortaram em desespero de causa?"
Minha resposta: Não sei se vamos, como também não o sei nos casos de quem rouba por ter fome, ou de quem mata por ser ameaçado de morte. Há , certamente, outras formas de penalizar quem vai contra a lei. Também não gosto de ver preso quem cometeu outros delitos. Mas essa é uma questão mais à frente, a das penalizações. Lamento, mas não é isso que me perguntam no referendo.

Dizem: "Não é justo que as mulheres ricas possam abortar em Espanha com todas as condições e as pobres no vão de escada."
Minha resposta: Concordo, mas também não é justo que os grandes possam fugir ao fisco com todo o à vontade, que possam roubar e até mandar matar em condições de segurança, enquanto os pobres se arriscam não só a ser imediatamente apanhados, mas até a correr risco de vida.

Dizem: "Não é justo para as crianças nascerem sem ser desejadas."
Minha resposta: Não me façam rir! Se só nascessem crianças planeadas, a humanidade tinha acabado há muitas gerações! Aliás, muitas das nossas crianças que hoje vão nascendo não foram planeadas, mas são recebidas com muito amor.

Dizem: "O aborto ilegal é um convite ao desenvolvimento de esquemas marginais, da lucros ilicítos, de criminalidade."
Minha resposta: É verdade, mas acontece com qualquer lei. A lei que proibe o roubo, a que proibe as drogas, a que proibe a condução sem carta, todas elas levam a que se desenvolva um esquema de o fazer de forma ilegal. Nem por isso decidimos descriminalizar o roubo, a droga ou a condução não habilitada.

Dizem: "O descriminalização do aborto não é uma questão moral, é uma questão de saúde pública."
Minha resposta: Como não é uma questão moral? Não é toda a lei uma questão moral e de ética? Tratar da vida não é uma questão moral? Mas sim, é também uma questão de saúde pública das mulheres que abortam e dos nascituros que são mortos.

Dizem: "A natureza desfaz-se muitas vezes dos embriões e fetos até às 12 semanas. Portanto, não se trata de um crime."
Minha resposta: A natureza também "se desfaz" de todos nós a longo prazo, e nem por isso achamos bem matar alguém.

Como todos sabemos, não somos capazes de criar a vida: ela é-nos concedida. Mas já temos a possibilidade de a tirar, embora não esse direito.
Penso que a questão fundamental é esta: o embrião / feto é ou não é um ser humano?
Se é, não podemos permitir que seja morto, só porque convém.

30.1.07

Wie viel Uhr ist es?


Hoje, na aula de Alemão, ao rever o tema "horas" para o próximo teste, fui pela primeira vez confrontada com a dificuldade dos alunos entenderem todos algo como, em português, dez para as seis, nove e um quarto. Convém relembrar que os meus alunos do 10º ano de Alemão têm origens tão diversas como vários PALOPs, Roménia, Brasil.
Mas o que mais me espantou foi a dificuldade que alguns têm de saber as horas nos reloginhos acima representados! Só as entendem nos digitais!

29.1.07

10ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA DEUS

Para além de todas as razões atrás mencionadas, consideramos que o aborto é uma clara violação da vontade de Deus, revelada nas Escrituras Sagradas. O quinto mandamento declara precisamente: "não matarás" (Êxodo 20:13).
Encontramos na Bíblia a revelação inequívoca de que Deus valoriza a vida humana desde a concepção e que está envolvido no processo criativo, como p. e. no texto seguinte de autoria do rei David (Salmo 139:13-16):
"Foste tu que formaste todo o meu ser; formaste-me no ventre de minha mãe (...) Conheces intimamente o meu ser. Quando os meus ossos estavam a ser formados, sem que ninguém o pudesse ver; quando eu me desenvolvia em segredo, nada disso te escapava. Tu viste-me antes de eu estar formado. Tudo isso estava escrito no teu livro; tinhas assinalado todos os dias da minha vida, antes de qualquer deles exitir."

Dr. Jorge Cruz, Médico

28.1.07

Citação de Domingo

"Tudo vem Dele e tudo para Ele voltará".
N.S.

De novo, a neve!


Como no ano passado, não tinha comigo a minha máquina fotográfica para apanhar um instantâneo da neve em Queluz! Por isso, mostro uma fotografia de outrem e do ano passado.

27.1.07

A Prova do Crime

Aparecem-nos feijõezinhos espalhados pelo chão da sala. Qualquer relação entre a jarra que os ostenta e a nossa gata Migas é pura especulação.
Gata apanhada a subir a estante proibida:

Gata apanhada com a pata na "massa":

26.1.07

9ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A ÉTICA

O aborto, o infanticídio, o suicídio e mesmo a eutanásia eram relativamente comuns e socialmente aceites no mundo antigo greco-romano. O abortamento provocado ocasionava, geralmente, a morte da mãe. No século IV a.C. Hipócrates de Cós, com o seu juramento, impõe uma ruptura com a cultura da morte que prevalecia nessa época. Mais tarde, após a humanização do Direito, por influência do Cristianismo, o aborto passou a ser considerado um crime no mundo ocidental. Deste modo, a norma ética, ao longo dos séculos, tem sido a defesa da vida humana desde a concepção. O aborto induzido é, assim, contra a ética, pois colide com o princípio fundamental da inviolabilidade da vida humana.
Nos raríssimos casos-limite em que a continuação da gravidez põe em risco a vida da mãe, o aborto poderá ser a única forma de salvar a sua vida, o que a actual lei já prevê.

Dr. Jorge Cruz, Médico

25.1.07

Hoje Como no Início do Século Passado...

'There's your little mob in there,' said Grimes.; 'you let them out at eleven.'
'But what am I to teach them?' said Paul in sudden panic.
'Oh I shouldn't try to teach them anything, not just yet, anyway. Just keep them quiet.'
'Now that's a thing I never learned to do,' sighed Mr. Prendergast.
Paul watched him amble into his classroom at the end of the passage, where a burst of applause greeted his arrival. Dumb with terror he went into his own classroom.

"Decline and Fall", Evelyn Waugh

24.1.07

8ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA O DIREITO À DIFERENÇA

Em muitos países ocidentais, a liberalização do abortamento provocado tem impedido o nascimento de crianças com anomalias cromossómicas, das quais a trissomia 21 (síndrome de Down) é a mais frequente, bem como com malformações congénitas perfeitamente compatíveis com a vida, e muitas delas com correcção cirúrgica pós-natal, como é o caso do lábio leporino ou do pé boto. Situações mais graves e complexas, como certas malformações cardíacas, podem também ser tratadas cirurgicamente, por vezes mesmo antes do nascimento.
O abortamento destas crianças contribui para uma desvalorização e discriminação de pessoas com deficiências sensoriais, motoras e/ou cognitivas, que vivem vidas adapatadas e felizes, apesar das limitações.

Dr. Jorge Cruz, Médico

23.1.07

A 34

Durante um mês da minha vida, um mês muito duro, eu fui conhecida não pelo meu nome, mas pela 34.
Isto aconteceu em 1974, entre Novembro e Dezembro, e eu estava internada na cama número 34, na Maternidade de Santa Bárbara, em Lisboa, com ameaça de aborto.
As condições eram deprimentes: uma área enorme, dividida por pequenos tabiques para 8 mulheres cada, recebia cerca de 40 mulheres. Os colchões eram feitos de raspas de cortiça e a casa de banho tinha um grande buraco no tecto, onde entrava o frio daquele inverno.
Todas as mulheres tinham abortado ou estavam em vias de abortar. Muitas, porque tinham feito um aborto no exterior, vinham tratar as sequelas. Outras faziam tudo por tudo para manterem os seus bebés vivos.
Por ser um lugar de abortos, não havia visitas nos 5 primeiros dias, e depois disso, só para quem pudesse ir à sala respectiva. Assim, era da janela que pedíamos aos maridos que trouxessem uns chinelos, um roupão, umas cuecas.
Ali tive uma boa escola do que é realmente o mundo das mulheres. Lembro-me de uma rapariga que tinha feito um aborto: tinham-lhe abortado um bebé, mas ela estava grávida de gémeos e um deles sobrevivia ainda. Em Santa Bárbara, faziam tudo para salvar os bebés. Assim, ela assinou a alta, saiu, abortou o segundo bebé e voltou para tratar as sequelas.
Uma outra rapariga, grávida de cinco meses, perdeu a bebé praticamente à nossa frente.
Interessante foi que nunca vi nem médicos, nem enfermeiras, nem outro pessoal tratar menos bem quem tivesse (ou não) provocado o seu próprio aborto.
A maior parte das mulheres estava lá 3 ou 4 dias e ia-se embora já recuperada. Mas os casos como o meu em que, ou continuava a ameaça de aborto, ou se tratava de uma coisa mais complicada, iam ficando.
Eu, descobriu-se depois, tinha uma mola hidatiforme. Corria a versão que era um bicho que quando nascia, subia pelas paredes.
Quem ia subindo pelas paredes fui eu, quando finalmente decidiram fazer-me expulsar a dita mola. Não tanto pelas dores, que as tive e muitas quando acordei a meio da anestesia geral, mas pela fraqueza geral em que fiquei.
Fizeram-me a curetagem na Magalhães Coutinho e foi aí, na sala de recuperação, que uma rapariga abortou espontaneamente um feto de 3 meses. A enfermeira pegou nele numa gaze e andou a mostrar-nos às outras internadas: um bebé minúsculo, mas completo, com um rostinho perfeito, dedos nas mãos e pés, um rapazinho.
Voltei para casa no dia 19 de Dezembro, e já nem entendia tudo o que a minha filha R. dizia, tanto que ela se desenvolveu num mês, mês esse em que tinha completado 2 anos de vida.
Foi uma experiência terrível, mas que jamais esquecerei.

22.1.07

7ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A DIGNIDADE HUMANA

A tradição moral judaico-cristã sempre se preocupou com a defesa dos mais fracos e vulneráveis, como é o caso das crianças, dos órfãos, dos idosos e das viúvas. O aborto nunca é uma solução dignificante, nem para quem o pratica, nem para a mulher que a ele se submete, e muito menos para a criança inocente.
Concordamos com o relatório-parecer sobre a experimentação no embrião, do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (1996) que afirma que "a vida humana merece respeito, qualquer que seja o seu estádio ou fase, devido à sua dignidade essencial."
É também um facto indiscutível que o número de abortos aumentou, por vezes exponencialmente, em todos os países que despenalizaram a sua prática.

Dr. Jorge Cruz, Médico

21.1.07

Lisboa-Dakar

Acabou-se. Desistimos!!!
Íamos muito bem na sexta-feira passada a passar dunas e desertos, quando encontrámos os senhores e senhoras representados nesta página:
http://multimedia.rtp.pt/index.php?vid=1
Cliquem no vídeo WMU do Contra-Informação de 19 de Janeiro e entendam que, com semelhante companhia, nos recusámos a andar um quilómetro que fosse!
Assim, demos meia volta e voltámos para o aconchego dos nossos lares.

20.1.07

6ª Razão Por Que Somos Contra o Aborto

O ABORTO É CONTRA A CONSCIÊNCIA

É um facto incontestável que ao longo da história da humanidade, por influência do cristianismo, o aborto era considerado um crime, passível de punição. Contudo, nas últimas décadas, tem-se assistido a uma tendência no sentido da desvalorização da vida humana.
A nível individual, é indiscutível a sensação de culpa que a realização de um aborto acarreta, tanto à mulher que a ele recorre como à pessoa que o pratica. Tal facto deve-se à consciência que cada ser humano possui, e que o ajuda na tomada de decisões morais. Como afirma um provérbio francês, "não há travesseiro mais macio do que uma consciência limpa."

Dr. Jorge Cruz, Médico

18.1.07

Inacreditável

mesmo é esta história do pai biológico e dos pais adoptivos.
Quanto a mim, se o pai biológico foi avisado da paternidade ainda durante a gravidez e não quis saber, se foi avisado já com a menina nascida, e não quis saber, como é que a justiça lhe quer entregar a criança depois de tê-lo forçado a fazer análises para determinar a paternidade?
E se a mãe biológica também decidisse uns anos depois reaver a criança, entregavam-lha?
Acho que num caso destes, não deveria subsistir qualquer dúvida sobre quem são (há 5 anos) os verdadeiros pais da criança.