De vez em quando sou surpreendida por alguns posts em blogs sobre a fé, normalmente a dificuldade que algumas pessoas confessam em ter fé. Muitos pensam que a fé é um dom que Deus dá a uns e não a outros. Que injustiça!
No entanto, na vida diária, quanta dose de fé precisamos exercer e exercemos, do modo mais natural.
Por exemplo, na estrada. Precisamos de ter fé, primeiro, na nossa capacidade de conduzir aquela máquina e de saber vencer as surpresas que possam surgir. Precisamos de ter fé que a estrada nos leva realmente onde diz, que aquele troço vai mesmo para o Algarve e não para o Porto. Precisamos de ter fé nos outros condutores: que quem vai a ultrapassar vai entrar à nossa frente na sua vez. Que quem vai a entrar na nossa faixa vai esperar que passemos.
Precisamos de ter fé no nosso veículo: que os travões funcionarão quando for necessário, que as rodas não vão soltar-se, etc.
Devo confessar que esta é uma área em que a minha fé é muito pequena. Apesar de tudo, continuo a viajar, embora não conduza.
Penso que a fé em Deus é uma questão da nossa vontade: é dizer 'sim, eu quero' a um Deus que me convenceu primeiro através da Criação e, principalmente, vindo ao meu mundo em forma humana, para viver comigo e morrer por mim.
Quero ter a fé como a da criança que se lança num buraco escuro sem ver a mãe, só porque ouviu a sua voz dizer: "Atira-te, que eu seguro-te!"