12.1.06

Dr. Jekyll and Mr. Hyde


Esta é uma obra que dei várias vezes aos meus alunos do 12º ano, a propósito da época vitoriana.
Trata do Dr. Jekyll, um médico-cientista de reputação acima de toda a suspeita, que inventa uma beberagem que o transforma em monstro assassino. O bom dr. Jekyll não se consegue ver livre do pérfido Mr. Hyde e este não consegue completamente vencer o cientista. Esta luta entre o bem e o mal foi uma das tónicas do séc. XIX em Inglaterra.
Mas o que me faz pensar é que me parece cada vez mais que há em cada um de nós um Dr. Jekyll e um Mr. Hyde. Qual deles levará a sua avante? Acabaremos como na história de Stevenson?
Quem será a minha Mrs. Hyde?

11.1.06

Bem-vinda ao Inferno!

Disse o rapaz do 8º ano, ao entrarmos na sala onde eu lhes ia dar mais uma aula de substituição. Apenas sorri. Na sala, apenas metade da turma numa aula de Fotografia (as aulas que hoje há...) e a outra metade estava também com outra colega em substituição.
Pois, mal grado o cumprimento inicial, esta foi da turma que até agora mais gostei! Os rapazes e raparigas foram entrando, fui fazendo a chamada: miúdos de origem portuguesa, africana e dois chineses!
Conversámos, eles estiveram calmos e responderam às minhas perguntas, enfim: o que uma aula podia ser sempre e raramente é.
Por fim, são os únicos das substituições que me cumprimentam quando me vêem na escola.
Vou voltar para ali, sempre que puder escolher!

10.1.06

Lisboa-Dakar

A minha amiga T. desafiou-me a enfrentar as areias do Saara e eu decidi-me a acompanhá-la como navegadora.
Poupo-vos a descrição do sempre enfadonho início da viagem, mas aqui vai uma página do nosso diário de bordo.
Já sabia que o deserto era frio de madrugada, mas nunca imaginei um frio assim! Sobretudo, porque de dia foi aquecendo, aquecendo, aquecendo até a minha amiga, que teima em dizer que adora o verão, começar a suar por todos os poros e a maldizer tanto calor.
O carro em que vamos é o dela, pequeno, mas confortável e ela é uma óptima condutora. Digo eu, que não conduzo!
Eu levo é os mapas na mão. Algo que, no meio das dunas e contra-dunas, deixa completamente de fazer sentido.
O que nos vale realmente é uma invenção chamada Global Posiotioning Device. Sem isso, já estaríamos algures no chamado corno de África. As estrelas também podem ser úteis à noite, mas mais para inspirar poemas.
Que fazemos durante os trajectos? Ora! Pomos a conversa em dia e cantamos, cantamos tudo o que nos vem à garganta, desde o Aleluia de Haendel até ao Lá em Cima Está o Tiroliroliro.
E assim vamos atravessando o nosso deserto, sem nenhuma intenção de acompanhar os outros concorrentes. A Elizabete Jacinto desistiu? Nós nunca desistiremos!

9.1.06

Oprah!

Estive a ver um programa da Oprah dedicado aos mentirosos compulsivos. Um dos casos era o de uma mulher que fingiu ser casada com um soldado no Iraque, vindo mais tarde a encenar a morte dele e uma gravidez a acabar em aborto espontâneo. Com esta história, convenceu uma rádio local e outras organizações, até vir a ser descoberta.
A psicóloga de serviço tenta descobrir uma explicação por trás deste tipo de personalidade e, às tantas, diz algo que faz profundo sentido para mim.
É que, ao criar uma personalidade fictícia, o mentiroso põe em causa, entre outras coisas, a nossa própria capacidade de julgamento dos outros e da vida. Não é só o nosso relacionamento com aquela pessoa que é destruído ao descobrir-se a verdade, mas também a nossa própria confiança no mundo que nos rodeia.

8.1.06

À moda de

Um pouco à moda de Bertolt Brecht, decidi escrever o meu próprio

PRAZERES

O primeiro olhar da manhã pela janela
O velho livro reencontrado
Rostos sorridentes
A mudança das estações
O jornal, a revista, uma chávena de chá
Iogurte de caramelo. Sol no sofá
Um gato.
Encontrar velhos amigos
Música dos anos 60
Sapatos confortáveis
Compreender
Escrever, plantar
Caminhar, viajar
Andar de eléctrico
Cantar
Conversar.

7.1.06

A minha tradução

PRAZERES

O primeiro olhar da manhã pela janela
O velho livro reencontrado
Rostos entusiasmados
Neve, a mudança das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar banho, nadar
Música antiga
Sapatos confortáveis
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar
Cantar
Ser amigo.

6.1.06

Bertolt Brecht



Não resisto a transcrever um simples poema deste autor alemão, que vou dar aos meus alunos. Fornecerei uma tradução minha dele, da próxima vez, para quem não entende alemão.

VERGNÜGUNGEN

Der erste Blick aus dem Fenster am Morgen
Das wiedergefundene alte Buch
Begeisterte Gesichter
Schnee, der Wechsel der Jahreszeiten
Die Zeitung
Der Hund
Die Dialektik
Duschen, Schwimmen
Alte Musik
Bequeme Schuhe
Begreifen
Neue Musik
Schreiben, Pflanzen
Reisen
Singen
Freundlich sein.

5.1.06

Anjos

"O anjo do Senhor acampa-se em volta dos que O temem e os livra" (Bíblia).
Antes de uma viagem, pedi a Deus que cercasse o nosso carro dos Seus anjos, para que nada de mal nos acontecesse, nem a nós, nem aos outros.
Ao chegar ao destino, percebi que o que vinha dois carros atrás de nós era da Polícia, e à nossa frente ia um jipe da GNR.

4.1.06

Rotina

Ai que bem que sabe voltar à rotina de todos os dias!

3.1.06

Para 2006 desejo

mais daquelas boas surpresas em que Deus é pródigo.
Só não sei é se estou preparada para desejar aquelas que só vêm depois do sofrimento!

2.1.06

Coisas que eu gostaria de ter deixado em 2005

- Enxaquecas
- Tonturas
- Aulas de substituição
- Sala de Profs cheia de fumo
- Repetidamente ir ver blogs que me irritam
- Alguns (poucos...) defeitos meus

1.1.06

Citação de 1º de Janeiro

"O Senhor está neste lugar e eu não sabia!"
(Bíblia)

30.12.05

As minhas amigas

É altamente provável que as amigas de quem falei ontem nunca venham a ler o que escrevi sobre elas. Isto, porque nenhuma está virada para estas coisas da Net. Digo-lhes: "Meninas, é uma vergonha que seja eu, avozinha de avançada idade, a falar-vos da Internet e a ter um blog!" Pergunta uma: "Que é um blog?" Lá lhes expliquei.
Pode ser que o filho de alguma delas lhe mostre o caminho para aqui.

29.12.05

Amigas

Como é habitual já há uns anos, fui almoçar com um grupinho de ex-colegas do saudoso extinto Externato Acrópole, de cujo grupo docente todas fizémos parte. Almoçámos na zona e, como sempre, aproveitámos para 'pôr a conversa em dia'. Nestas alturas, recontamo-nos velhos episódios passados connosco, com colegas e com alunos. Para mim, trata-se de evocar 24 anos de ensino na zona do Chiado. Há mesmo muito a recordar.
Desta vez, fomos encontrando ou passando por uma ex-colega, ex-alunos e até duas ex-funcionárias nos fizeram parar!
Este encontro de amigas realiza-se pelo Natal, pela Páscoa e no verão, sempre com muita conversa e muitos risos.

28.12.05

Ainda no pós-natal

Continuo a roer os restos do Natal: os frutos secos são nesta fase muito apetecíveis. O bolo-rei prolonga-se mais do que seria suposto. E, de novo, constato que até ele se tornou politicamente correcto: já não há fava e brinde, nem vê-lo! Para que serve um bolo-rei sem fava nem brinde?

27.12.05

Tempos

O Elton John finalmente casou. Parabéns!
Que sejam muito felizes e tenham muitos meninos.
Não podem ter meninos?
Será um caso de infertilidade? Não desanimem: há as FIV, etc.
E, em último caso, ainda podem adoptar.

26.12.05

Pós-Natal

Gosto muito do dia 26 de Dezembro.Passada a agitação da casa, acalmada a excitação das ruas, abertas as prendas, ter apenas que decidir onde colocar os últimos 'tarecos' que nos deram, arrumar a casa, fazer um sacão de papéis para levar ao contentor, preguiçar um pouco, reinventar uma roupa-velha, comer as últimas fatias de bolo-rei ou as refinadas rabanadas.
Lembro-me de um 26 de Dezembro de há muitos anos, teria eu uns seis ou sete, quando, ao brincar com um regadorzinho de lata verde, que tinha sido a minha prenda de Natal, descobri umas misteriosas pintinhas vermelhas nas minhas pernas. Isso provocou uma quase tragédia lá em casa: a minha irmã também as tinha e em breve nos encontrávamaos 'internadas' num quarto forrado a vermelho, com as nossas camisolas vermelhas vestidas. Tínhamos sarampo.

24.12.05

A Palavra

Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado.
Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria.

E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.

Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,

a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.

Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz,

e teve a seu filho primogénito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.

E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor.

O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo:

É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

E isto vos será por sinal: Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura.

Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:

Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade.

E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.

Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura;

e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;

e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam.

Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração.

E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.

(Evangelho segundo Lucas)

23.12.05

Candidatos

O mínimo que se exige de um candidato a Presidente da República é que o queira ser mesmo.

20.12.05

Velhas fotos


Ao manusear velhas fotos de família, deparo com esta, tirada em Outubro de 1951, tinha eu quase 3 anos.
E lembro-me de a tirar: fui, pela mão do meu pai, ao mercado e lá, num tipo de tenda forrada com um tecido às florzinhas, mandaram-me subir a uma caixa e tiraram-me esta fotografia.

19.12.05

Enfeites e desenfeites

Há quem monte a árvore de Natal ainda em Novembro. Há quem a monte só Dezembro adiantado. Na antiga tradição era até no próprio dia 24. Mas desmontá-la no dia 18, deve ser inédito.
Aconteceu aqui. Farta de apanhar a gata mais louca do mundo a atirar-se à árvore e a desfazer as maçãzinhas e os bonecos, farta de ver uma vassoura de pernas para o ar na minha sala (que era o que ela parecia), o facto de ter atirado com ela ao chão ontem fez-me atingir o limite: desfiz tudo e guardei nas caixinhas. Até a um Natal em que a fera já seja uma senhora gata.

Dia a registar

Já lhe tinha ouvido uns "Vvvvvv", mas ontem, pela primeira vez, olhou-me nos olhos e disse: "Vovó!"
A minha neta M.

18.12.05

Feliz Natal!








A todos os que passarem por aqui desejo um abençoado Natal!

17.12.05

Amante de Alcatra

Já antes referi o meu apreço por este amigo. Pois bem: o Amante de Alcatra, primariamente amante de Cristo, é a partir de hoje, pastor de almas.
Aqui fica o meu desejo de que continue sempre seguindo o Grande Pastor e que possa ser uma bênção, por onde quer que vá, como tem sido para nós.

16.12.05

Luís Miguel Cintra


Hoje é notícia, devido a ter recebido o Prémio Pessoa.
Por coincidência, o Luís Miguel Cintra foi meu colega, exatamente na cadeira do Padre Manuel Antunes. Era filho de um outro professor meu, o Prof. Lindley Cintra, um dos melhores. Este era de uma humanidade para os alunos muito invulgar numa Faculdade nos anos 60. Foi ele que despertou o nosso gosto pela Linguística. Vejo-o sempre envolto nas lutas estudantis pela liberdade, antes do 25 de Abril.

15.12.05

Padre Manuel Antunes

P. M. Antunes
Está a realizar-se entre hoje e depois de amanhã um Colóquio Internacional sobre o Padre Manuel Antunes, pensador e professor na Faculdade de Letras de Lisboa.
Foi meu professor de História da Cultura Clássica, um Cadeirão assustador para uma miúda de 17 anos como eu era, recém-chegada de um liceu de província. Não o entendi, nem lhe soube atribuir o seu verdadeiro valor. Mas nunca mais esquecerei o seu leve sorriso de quem saboreia algo de refinado, no seu clássico início de frase: "Este conceito 'Paideia'"...

14.12.05

Peço desculpa...


mas hoje é o meu dia!

13.12.05

Avozinha Moisés


Grandma Moses começou a pintar aos 78 anos, porque a artrite que tinha nas mãos já não lhe permitia fazer os trabalhos do campo. Meu Deus! O que é que ainda não haverá para eu fazer?!

12.12.05

Crucifixos, de novo

"É importante que Deus esteja visível nos edifícios públicos e privados, que Deus esteja presente na vida pública, com a presença da cruz nos estabelecimentos públicos." - Bento XVI
Concordo plenamente com a primeira parte, mas pergunto:
Não é já suposto que Ele lá esteja, graças à Sua omnipresença?
Não seria muito melhor que Deus estivesse presente na vida pública através da vida dos Seus filhos?

11.12.05

Citação de domingo

"A vida é apenas um ensaio geral, antes da verdadeira produção. É o treino colectivo que ocorre antes do jogo; a volta de aquecimento antes do início da corrida. (...)Assim como os nove meses que passou no útero da sua mãe não tinham um fim em si, mas eram uma preparação para a vida, também a vida é uma preparação para o que vem a seguir."
Rick Warren, Uma Vida com Propósitos

10.12.05

História IV

Custava-lhe sempre fazer aquele percurso à noite: sair do metro e caminhar uns bons 15 minutos até casa não é muito próprio para uma rapariga. Sobretudo, porque a vizinhança da estação não era muito desejável: uma grande zona de barracas tornava a coisa mesmo assustadora. Mas, enfim, tinha que ser.
Aquela noite não foi muito diferente do habitual. Saíu da estação e caminhou apressada, apertando a mala contra o corpo. Mas foi nessa noite que aconteceu: de súbito, um violento puxão na mala que não se solta e ela é arrastada pela velocidade da mota até a alça da mala se partir.
Fica sentada no chão molhado da chuva nocturna, aturdida e magoada. Ao tentar pôr-se de pé, nota que não consegue suster-se numa perna mais ferida. E agora?
Vem alguém. Um grupinho de jovens aproxima-se, de violas em riste e Bíblias debaixo do braço. Surpreendem-se com a visão de alguém no chão e afastam-se rapidamente. "Devem ter pensado que eu era uma drogada", pensa ela.
Duas freiras passam também a caminho do metro. Ao avistá-la, benzem-se e desviam-se.
Desesperada por ajuda, é então que ela avista o seu maior receio naquela zona: um cigano estaciona a carrinha a cair de podre do outro lado da rua.
Vê-a e aproxima-se. Ela encolhe-se mais. "Precisa de ajuda?", pergunta ele no seu português cantado.
E é ele que finalmente a mete na sua carrinha e a leva ao hospital. É ele que espera com ela as várias horas que teve que passar naquele lugar. Foi ele que finalmente a levou a casa na manhã seguinte.

9.12.05

Em exibição

desde ontem, a primeira das clássicas Crónicas de Nárnia em adaptação ao cinema.
Aproveitem para ler o seu fascinante autor, C. S. Lewis.

8.12.05

Bem-vindos à Baby TV!

Onde as criancinhas podem ver TV 24 horas por dia. E onde, como uma representante do canal afirma no "Tudo em Família" (RTP2), "não há juízos de valor".
(Pausa)
Não há juizos de valor?!

7.12.05

Reconfortante.

Aqui.

Grandma Moses


Ainda a propósito do Outono que se vai esfumando, deixo-vos aqui este incitamento à paciência com a Grandma Moses, outra pintora americana que aprecio, inserida no estilo 'naif' ou 'folk', neste caso.

6.12.05

Citação

"Não fui tocado pela graça divina".
- Mário Soares.

Como assim? É a graça de um Deus amoroso e paciente que nos cria, sustenta e espera, espera sempre. Espera até demais, no nosso entender humano.

5.12.05

Crucifixos

Não, na minha escola não há crucifixos, já que só tem 25 anos. Ainda bem. Como sabem, não sou católica, e os evangélicos não apreciam os símbolos.
Já dei aulas num colégio católico, com crucifixos em todas as salas. Não me perturbaram, como não me perturbam os budas nas lojas de 300.
Mas, em criança, estudava numa escola com crucifixo e tentavam até obrigar-me a rezar. Não é fácil não se pertencer à maioria, quando se é miúdo.
Por outro lado, não teria problemas em ter nas minhas aulas alunas com o véu islâmico. Afinal, já tive freiras com o hábito completo.
No entanto, acho que é bom que a escola se mantenha neutra. Cumpra-se a lei.

4.12.05

Citação de domingo

"Não desprezes o dia das coisas pequenas."
J.S.

De regresso


do Porto. Casa da filha R. e do genro A.
A foto é de Patricio Bulic.

30.11.05

A avozinha da avozinha

Conheci-a tinha eu uns 5 anos. Até então tínhamos vivido numa terra diferente, o que há 50 anos queria dizer ausência de contactos.
Quando ela entrou em nossa casa e na nossa vida, estranhei a sua existência, pois para mim, o meu pai era o Paizinho e não era suposto ter mãe!
Explicada a coisa e vencido o embaraço das primeiras horas, surpreendeu o meu espírito infantil que o nosso gato arisco a tivesse aceite tão incondicionalmente.
Tornou-se rapidamente a nossa Avozinha.
Conversávamos muito. Ia passear com ela a Ranhados (arredores de Viseu), sua terra e do meu pai. Ensinou-me a tricotar um longo cachecol para bonecas, num branco sujo das minhas mãos cheias de outras brincadeiras menos femininas, como por exemplo, jogar à bola com os meus irmãos.
Dizia-me frequentemente: "Quando eu for para o céu, olha para cima, que eu vou estar lá a dizer-te adeus!"
E um dia, muito breve, ela partiu.
Tenho-me esquecido de olhar para o céu.
Mas é em homenagem a ela que me chamo Avozinha.

29.11.05

Amor

Fui muito amada pelos meus pais, mas eles partiram.
Os meus irmãos amam-me, mas eles têm as suas vidas.
O meu marido ama-me, mas é um homem.
Os meus filhos amam-me, mas eles têm os seus próprios cônjuges e filhos.
As minhas netas começam a amar-me, mas elas pertencem ao futuro.
Os meus amigos amam-me, mas eles têm as suas famílias.
Resta-me o Tudo, o Amor Total, que me ama e me aceita de uma maneira absoluta, incompreensível e absurda. Que fez tudo por mim e que nunca, mas nunca me deixa só.
E Nele tenho tudo: amigos, netas, filhos, marido, irmãos e pais.
Que sensação esta, a de ser amada apesar de tudo!

27.11.05

Citação de domingo

"O Senhor chamou pelo nome a Bezalel e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento.(...) Deus lhe dispôs o coração para ensinar a outrem".
(Êxodo, Bíblia)

26.11.05

1ª aula de substituição da minha vida

em quase 36 anos de carreira.
Uma turma de 7º ano (as minhas são de 12º).
Os alunos vão entrando contrariados. Proponho-lhes umas palavras de Alemão, coisa que funcionou há dias com uma colega e outra turma. Não dizem que sim, nem que não.
Começo com uma folha cheia de fotos da Alemanha, para eles tentarem identificar o que se trata: Restaurante, Cerveja, Paragem de autocarro.
Lá me vão fazendo o favor de ir dizendo qualquer coisa, nos intervalos de tentar conversar uns com os outros em voz altíssima. Como falam alto estes miúdos!
Riem-se de me ouvir ler as palavras em Alemão e essa é talvez a melhor reacção que tiro deles.
Meio bloco passa depressa, graças a Deus!

25.11.05

Ex-alunos

Encontrei-a perto da escola. Cumprimentei-a. O nome não me ocorreu imediatamente, mas a cara e voz estão indelevelmente gravados na minha memória.
Venho andando para casa e só algum tempo depois se me faz luz na cabeça: é a S. e foi minha aluna em 2000/2001. Lembro-me do lugar onde se sentava, com quem se sentava e dos seus modos, neste caso, meigos.
Gosto muito de encontrar ex-alunos e verificar o progresso deles, nos cursos que estão a tirar, nos empregos que têm. Às vezes, encontro-os mesmo como colegas!
Não tenho a pretensão de imaginar que os influenciei, mas gosto de pensar que me foi dado o privilégio de 'tocar' um pouco as suas vidas.

24.11.05

Fui mãe

Rute
Fomos pais há precisamente 33 anos.
Aqui, a nossa filha R. tinha quase 5 meses.
A fotografia foi tirada no comboio Amadora-Rossio, num tempo em que ainda havia 1ª classe!
Parabéns, filhota!

22.11.05

O pintor da Amadora


Artur Bual, em exposição na Igreja Católica da Amadora, esta semana.

Há 42 anos


Kennedy morria assassinado. Ironicamente, as últimas palavras que escreveu foram:
"Se Deus não guardar a cidade, de que serve ao guarda acordar?"

Fisherman

De vez em quando, este pescador excede-se. Foi o caso de ontem.

21.11.05

De novo

Norman Rockwell.
Norman Rockwell

20.11.05

Citação de domingo

"Aos 27 anos de idade, enquanto viajava no metro de Leninegrado (hoje S. Petersburgo), fui dominado por um desespero tão intenso que a vida me pareceu parar de uma vez, anulando completamente o futuro e não deixando nenhum significado. De repente, uma frase apareceu por si só: 'Sem Deus a vida não faz sentido'. Repetindo-a, assombrado, eu repassei a frase como numa escada rolante, saí do metro e caminhei para a luz de Deus".
Andrei Bitov in Rick Warren, "Uma Vida Com Propósitos"

19.11.05

A pérola

Sabem certamente como se forma uma pérola.
Num terrível acidente de percurso, uma tempestade, por exemplo, há uma pedrinha minúscula que entra dentro da ostra. Durante anos, a ostra vai fabricando uma substância nacarada com que envolve a pedra, a fim de diminuir o sofrimento causado por ela. Ao fim de, digamos, 15 anos, a pedra transformou-se numa belíssima e muito valiosa pérola.
O Pescador sabe que há pérolas lá em baixo. Mas chegar lá pode significar até a sua própria morte. Em sucessivos mergulhos de apneia, ele desce e procura. Aqui não está, não está ali. Finalmente, encontra-a. Cá está, a Pérola. Como a busca valeu a pena! A pérola vai agora ganhar todo o seu brilho, à luz do sol!

Esta é tua história, meu amigo Labaredas, e do Pescador que te encontrou.

18.11.05

Rectifico

Não resisti e passei boa parte da manhã a preparar materiais para as famigeradas substituições...

Obviamente

em greve.

17.11.05

Falta de ar

Cansaço. Tosse. Expectoração. Qualidade de vida que se deteriora. Sofrimento. Depender de outros para as actividades do dia a dia. Garrafa de oxigénio. Definhar. Falta de oxigénio também no cérebro. Confusão mental. Situação irreversível. Sufocação. Agonia dramática. Morte.
(Descrição da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica - causada pelo hábito de fumar - pelo Dr. Ramalho de Almeida, pneumologista)
Dia Mundial do Não Fumador.

16.11.05

Do valor da informação

A Madona diz que não lê jornais, provavelmente porque não gosta de se ver nos olhos dos outros. Já há muitos anos que um certo candidato a presidente disse o mesmo.

15.11.05

O meu pai

Aqui, com o meu filho.

14.11.05

O que é um prof?

Transcrevo, com a devida vénia, da minha colega href="http://somaisumaprof.blogspot.com/">.

O professor compra uma agenda nova, um caderno bonito, uma caneta verde. Prepara-se com expectativa (com esperança?) para o que o novo ano lhe trará.
O Professor é um aluno que não quis deixar a escola.
O professor zanga-se, "congelado", longe da família, horário mau, vida difícil. Faz promessas e juras: não gasta nem mais um minuto no fim de semana, nada de projectos loucos, nem mais um tostão do bolso, nem mais um tinteiro, uma folha de papel, gota de tinta, gota de sangue, gota de suor. Espreitem uns dias depois. O professor está, outra vez, a fazer a festa com os alunos. A festa é, quase sempre, muito maior.
O Professor tem forma de coração com memória fraca.
O professor não tem endereço electrónico. Não escreve textos no computador. Não quer. Diz que não, que não gosta, que não percebe. O professor insiste que prefere lápis e papel. Nunca, nunca conseguirá. Diz que não vale a pena. E depois...O professor pede ajuda ao filho. O professor faz formação. Aceita a mão de outro professor.O professor dá mais um passo.
O Professor é um caderno já muito cheio, onde encontramos sempre muitas folhas brancas.
O professor fala de saúde, futuro, matemática, inglês, poesia, estudo, música, informática, livros. Sabe fazer projectos, jornais, cartazes, desenhos, receitas, teatro. Cura feridas, ampara tristezas, acalma medos. Escuta segredos, dá conselhos, conta anedotas, prepara passeios, monta exposições. Dirige a escola, dirige um grupo, escreve regulamentos, prepara oficinas, constrói materiais.
O Professor não sabe o que quer ser quando crescer.
O professor faz muitas perguntas, por dentro e por fora dele. O professor gosta que lhe façam perguntas. O professor ensina que as perguntas são a melhor maneira de aprender. O professor acha mais difícil fazer uma boa pergunta do que dar uma má resposta. O professor ensina a perguntar.O professor não sabe todas as respostas.
O Professor é um ponto de interrogação com muitas respostas possíveis.
O professor tem medo. De não conseguir, de não ser capaz, de errar, de acertar, de se perder, de perder alguém. Tem medo de ter medo. Medo de não ter medo. Medo de avançar depressa, de avançar devagar. Medo de ficar parado.O professor tem medo que não aconteça nada.
O Professor usa o medo como meio de transporte.
O professor chora, ri.
O professor sofre, mastiga desgostos, partilha-os se forem maiores do que ele próprio.
Tem sonhos, tem desejos. Às vezes pinta, às vezes canta, outras escreve. Planta flores, cria borboletas, namora, ama, tem filhos, não tem filhos, representa, dança, vai ao cinema.
O professor é feliz, é menos feliz, é feliz outra vez.
O professor fica parado a pensar no que sente.
O professor é de todas as cores por dentro e por fora.
Mais do que o arco-íris. Mais do que a maior caixa de lápis de cor do mundo.
Mais do que todas as cores que se podem imaginar.
O Professor do avesso é tão colorido como do direito.
O professor recomeça tantas tantas vezes, que desiste do prefixo "re".
O professor caminha numa estrada que dá voltas e voltas e voltas...
Não se lembra de ontem. Não sabe o amanhã. Oferece o tempo que tem.
O Professor não tem princípio nem fim.
O professor tem uma magia só dele.
Um feitiço que lhe foi lançado, não se sabe quando nem por que fada.
Ele é Bela ou Monstro, Princesa Adormecida, Gata Borralheira, Capuchinho Vermelho, Branca de Neve. As madrastas, os lobos, as bruxas, as trevas vão andar sempre por aí.
Ele luta, história a história, contra todos eles.
O Professor tem de ser o final feliz de todas as histórias, para que o mundo se salve.
Por entre o som das palavras, o professor é cheio de silêncios que poucos conhecem.
Silêncios que falam, muitas vezes, uma língua que quase ninguém se lembra de ter ouvido.


O Professor é um segredo que se deve contar em voz alta, para toda a gente ouvir.


* Texto publicado no Correio da Educação, CRIAP ASA, nº232, 3 de Outubro 2005. Autora: Teresa Marques, Escola Básica 2,3 de Azeitão.

13.11.05

De novo

de regresso do Portinho da Arrábida, aqui no seu máximo esplendor, numa foto de Acilina. De novo, um fantástico fim de semana, de novo, o convívio com tantos amigos, de novo o toque da Graça!
Portinho da Arrábida

11.11.05

Dia da Escola

Hoje é o dia da minha escola. Podem conhecê-la aqui.

10.11.05

A minha neta J.

aos 4 meses, adora rugir como um leão. Imaginem o que é passeá-la num espaço público, linda bebé no carrinho, as pessoas a tentar ver esta carinha laroca, e de lá de dentro sai um "Grrrrrrrrr"!
Estou convencida que tudo se deve à selva que a mãe instalou na decoração do quartinho dela!
Joana

9.11.05

Desta vez, a beleza!


Gosto muito de Norman Rockwell. Até tenho uma pequena reprodução deste quadro da escola numa parede cá de casa.
Muitos críticos consideram que Norman pintou uma sociedade que nunca existiu. Não concordo. Acho que ele pintou uma América da primeira metade do século XX, muito doméstica, muito genuína. Adoro.

8.11.05

A minha neta M.

aos 18 meses, não gosta definitivamente de aniversários, nem da canção dos parabéns e muito menos de bolos com velas. Ontem, eu e ela vamos vendo um dos livros que lhe comprei, até chegarmos à página da festa de anos. Olha-me muito séria, faz beicinho e rompe num choro de arrancar lágrimas às paredes!

7.11.05

Amen!

Desta vez, estou inteiramente de acordo com João César das Neves!

6.11.05

Citações de domingo

"É verdadeiramente apaixonante ser um discípulo de Jesus".
A.M.P.
"O fantástico em fazermos o nosso trabalho como para Deus é o verificar que Ele está presente e actuante no nosso ambiente de trabalho."
M.E.C.

5.11.05

Tumultos em França

Muito preocupante a forma como as gerações mais novas dos imigrantes se revelam completamente não integradas. Em França, o facto de muitos desses jovens serem muçulmanos aumenta o problema da dificuldade de integração. Quem falhou? A escola, as igrejas, as próprias mesquitas, a vizinhança?
E cá? Já tivémos algumas pequenas amostras deste tipo de problema. Que estamos a fazer para integrar e dignificar as nossas 'gerações mais novas'?
Tudo quanto fazemos a nível das escolas e das igrejas (e estou a falar daquelas a que pertenço) pode ser precioso.

4.11.05

Desvendando o mistério


Pois é ele mesmo, Sebastião José de Carvalho e Melo, na descrição de Smith.
Estava mesmo a ver-se, não estava?

3.11.05

Muito obrigada, sr. Primeiro Ministro!

Os dois dias de férias que nos concede a partir dos 60 anos vão ser preciosos! Para já, espero bem que quando eu lá chegar (se chegar), já o senhor não seja o nosso primeiro. Em segundo lugar, nas escolas secundárias já mal conseguimos gozar os dias que temos... Este ano, tínhamos que as marcar entre 25 de Julho e 31 de Agosto. Todos. De facto, acabei por ter que adiar as minhas férias, por causa dos exames!
Never mind!

2.11.05

Quem é?

"Alto, de bela figura, feições espirituais e expressivas, modos insinuantes, palavra fácil e fluente, voz melodiosa e muito agradável, solidez dos argumentos, brilho na elocução, afabilidade e cortesia no trato particular".
Quem é? Ora adivinhem lá.

1.11.05

1755


É com esta imagem de mundiconvenius.pt que me refiro ao tema irrecusável de hoje.
Interessante descobrir nas leituras que faço que o terramoto e sucessivo maremoto causaram na época uma enorme discussão filosófica sobre o papel da natureza e o de Deus por detrás da natureza, bem à semelhança (em ponto pequeno) do que se deu a propósito do Katrina e dos EUA. Frase simbólica dessa discussão é, para mim, a de Voltaire: "Lisboa está arruinada e dança-se em Paris".
Eu, que em 1969 experimentei uma amostrinha de terramoto, jamais consegui esquecer a sensação de estar por completo à mercê da natureza, de tentar caminhar e cair, de ver o roupeiro a ameaçar cair sobre mim, e sobretudo do ronco surdo que saía da terra.

31.10.05

De novo, os ciganos

A socióliga Maria Manuela Ferreira Mendes escreveu um livro sobre os ciganos, intitulado "Nós, os Ciganos e os Outros". Numa entrevista à nm, refere-se, entre outras, à tradição da vingança, que pode levar duas famílias a matarem-se mutuamente durante gerações. Diz às tantas:
"Aqui, é preciso dizer que a Igreja Filadélfia, uma igreja evangélica, tem tido importância a esse nível. Há muitas famílias que já se perdoaram devido à intervenção da igreja, nomeadamente dos seus valoes e crenças: na união, no perdão, na bondade, 'no dar a outra face'..."

30.10.05

Ontem

Gastronomia Angolana
A convite do meu amigo do FSA (Fórum Social Angolano), Joaquim Pipa, tive a oportunidade de voltar a experimentar a gastronomia e a amabilidade angolanas.
Quem sabe, um dia, ao vivo e a cores, em Angola!
Um abraço, Né e Quim!

29.10.05

À atenção dos vendedores de livros,

de CDs e outros objectos através dos CTT:
Vejam se simplificam as coisas, que eu recebo as vossas missivas e passo tempos à procura do que pretendem vender. Vejo todos os magníficos carros, jóias, relógios, edredons e outros igualmente magníficos prémios que vou ganhar, mas o objecto que é suposto eu querer comprar está muitas vezes invisível.
Assim é que termino por meter tudo no lixo e já está.

28.10.05

Ranking das escolas

A minha escola não ficou nem nos 100 melhores, nem nos 100 piores. Nada mau! Este ano não estava muito preocupada, porque não tive 12º anos o ano passado. Mas este ano tenho! É sempre bom ver que os nossos alunos não nos deixam ficar mal, embora muitos outros factores pesem nos exames. Por exemplo: a avaliação dada pelo professor tem muito em conta factores como a oralidade, o trabalho realizado de uma forma diária, o que se passa na sala de aula. Os testes valem na minha disciplina um máximo de 50%. Daí que uma única prova seja muito passível de falsear resultados.
Quanto a mim, a diferença de posição nos rankings tem tudo a ver com a população que a escola serve. Escolas inseridas num ambiente desfavorecido lutam muito mais para conseguir uns magros resultados, enquanto outras, colégios particulares, por exemplo, precisam de um investimento muito menor.
Enfim, é o que acontece no resto da vida! É muito bom ver os nossos alunos singrar, especialmente aqueles que, à partida, pareciam fadados ao insucesso.

27.10.05

Migas, a gata mais louca do mundo!


Torna-se cada vez mais difícil lavar a arca congeladora vertical com uma gata quase adulta lá dentro, como se vê na foto.

Hoje

a caminho de um hospital em Lisboa, para marcar uns exames, saem-me duas ciganas ao caminho:
"Senhora, ler a sina por um euro!"
Respondo:
"Não quero saber o futuro, a minha sina está em Jesus Cristo."
Uma delas exclama, como que arrependida:
"Jesus Cristo?! Deus a abençoe e a mim também!"

26.10.05

História III

Esta é a história de uma jovem professora de Biologia, a Juliana.
Natural do Minho, acabou por ter que concorrer para todo o país, como acontece a todos os jovens professores. Por sorte ou por azar, acabou por ficar colocada numa escola da Grande Lisboa, como a minha, por exemplo, num meio totalmente diferente daquele em que ela habita e onde sonhara exercer a profissão. Sabia já que a escola tinha uma grande percentagem de negros e a Juliana é assumidamente racista.
Pensou muito seriamente em desistir, quando soube o resultado do concurso. Mentalmente fez todos os cenários: sabia que não assumir a colocação implicava um castigo de anos, sem poder voltar a ser colocada. Chegou até a pensar em emigrar para qualquer lado. Meter-se num navio e ir para o outro lado do mundo.
Derrotada, veio assumir a colocação. Dentre as várias turmas que recebeu, uma detestou particularmente, porque era maioritariamente negra: uma turma de 12º ano.
Mas, competente cientificamente como é, a Juliana lá foi dando as aulas, embora detestasse os alunos.
E tão competente foi que os alunos, com exame e tudo, passaram todos!
Conseguem imaginar a tristeza dela a olhar para as pautas? Por orgulhosa que estivesse com a sua competência, ela queria vê-los todos chumbados!

Esta é uma história muito estranha. Que professor é capaz de passar um ano a trabalhar com alunos, vê-los serem bem sucedidos e querer que eles chumbem?
Mas a vida está cheia de contradições e mais contraditório é o ser humano!

25.10.05

África às portas da Europa


O azar de se nascer no lado errado.

24.10.05

A gata


está quase uma senhora!
Teve ontem o seu primeiro sinal de cio, que se traduziu por uma meiguice inusitada e uns mais prolongados "prrrr", "prrrr", "prrrr"!

23.10.05

102 anos

Partiu há dias ao encontro do seu Senhor, que amou e serviu por muitas décadas. Era o Pastor Lourenço.
Conheci-o desde sempre e foi visita frequente lá em casa, desde a minha infância. Era famoso pela sua capacidade de conversar, sem nunca se cansar!
Já na minha juventude, ele estava sempre presente nas conferências de jovens que organizávamos e era o respeito e o temor em pessoa. Se os rapazes ou raparigas teimavam em fazer da noite dia, nós lembrávamos: "Olhem que está cá o Pastor Lourenço!" E, no entanto, poucos pastores havia que tanto estimassem os mais novos!
Com a injustiça e falta de rectidão "passava-se"! Felizmente, havia sempre uma filha que o retirasse da cena de confrontação e o acalmasse. Passados alguns minutos, já não era nada com ele e cumprimentava amistosamente quem, pouco antes, tanto o irritara.
Quando o meu pai faleceu, disse-me de lágrimas nos olhos, no cemitério: "Perdi o meu amigo!"
E é isso que digo agora: Perdemos o nosso amigo!
Nunca o esquecerei!

21.10.05

A minha sogra

Já vos falei da minha sogra?
É uma mulher notável! Tem mais 20 anos que eu e apenas mais 18 que o meu marido, primeiro filho dela.
Tem um ar calmo e sofrido, mas é puro engano! Ela é um vulcão! (No bom sentido, claro, já que sempre me dei muito bem com ela.)
A saúde tem-lhe pregado algumas partidas e é muito engraçado, porque os filhos lhe dizem:
"Mãe, tem que fazer assim e assado (como o médico manda)." E ela a tudo diz que sim.
O pior é que só faz realmente o que lhe dá na real gana, sempre com um ar de sofrida humildade...
A vida dela dava não um filme, não um blog, mas uma série de telenovelas!
Voltarei a falar dela.

20.10.05

Da "Notícias Magazine"

Não resisto a transcrever o que Isabel Stilwell escreveu nesta revista, no último domingo. É que é tão raro que a comunicação social chame os bois pelos nomes, no que diz respeito ao aborto!
"Porque, deixemo-nos de conversas, os factos puros e duros dizem que a uma relação sexual pode, com forte probabilidade, corresponder uma concepção. Uma concepção que por muito "ligeiros" que queiramos ser é a de um ser humano (pelo menos não há outra maneira de o conceber...) Mais,todos os métodos existentes de contracepção têm uma possibilidade de falhar. Logo, ninguém pode, em plena consciência, alegar que ficou surpreendido com uma gravidez, mesmo que não a deseje. Ou seja, o risco tem de ser assumido. (...)
Devemos meter na cabeça, na nossa e na dos nossos filhos, que se não temos condições de assumir as consequências dos nossos actos, o que é absolutamente legítimo, temos mais é que não os cometer."
clap clap clap

19.10.05

Gripe das aves

Toda esta febre informativa em volta da gripe das aves é perturbadora. Não me posso esquecer dos idos dos anos 70, quando, com a erradicação da varíola, julgávamos que a ciência ia sempre progredir, descobrindo a cura de cada vez mais doenças até, quem sabe, à descoberta da fonte da eterna juventude...
Pois o choque veio nos anos 80, com a descoberta de uma nova doença mortal, que mudou a vida de todos nós: a sida.
E passou a ser este o paradigma: por cada nova descoberta de cura, vem uma outra doença ameaçar o nosso bem-estar.
Talvez seja este o preço de um mundo global, onde posso hoje estar aqui e amanhã na Tailândia, ou na China, e trazer o vírus na bagagem...

18.10.05

Self-Portrait Tuesday





Aqui estou eu, há um ano, em Vendas Novas.
O Alentejo é sempre lindo no Outono!

17.10.05

28 anos


Foi há precisamente 28 anos que eles vieram a este mundo, com a rapidez de uma tempestade outonal. Em três horas estavam os dois cá fora. O médico que os ajudou a pôr neste mundo, dr. Cabral Sacadura, e a sua enfermeira já não estão neste mundo. O parto foi rápido e simples, não foi, C.? As consequências para a minha saúde já não foram assim tão simples. Mas nem um momento destes 28 anos me arrependi de os ter cá posto. As compensações têm sido mais que muitas.
Agradeço a Deus que vos trouxe, e agora, ambos pais, já compreendem melhor estas minhas palavras, não é?
Parabéns, filhotes!

14.10.05

História II

A minha vizinha D. Laura tem um café na rua há muitos anos, onde toda a vizinhança se reúne. Tem também duas filhas, já quase nos quarentas, a Bela e a São, que a rua viu crescer no café. Nunca conheci o pai das raparigas, penso que morreu cedo. A mãe cuidou sempre delas sozinha e, como se costuma dizer, deu-lhes igual educação.
Quando a escola se tornou um fardo para elas, a mãe puxou-as para a ajudar no café. Foi o que a Bela fez. Mas não a São.
A São, filha mais nova, talvez mais mimada, sofreu a forte investida das drogas aqui na rua, no início da década de 80, que dizimou toda uma geração. Desses moços e moças que se escondiam nas traseiras da escola para fumar os charritos, muito poucos estão estabelecidos na vida, já eles mesmos pais de adolescentes.A maioria perdeu-se.
Foi esse o destino da São. Às drogas leves, seguiram-se as pesadas, dois filhos, um de cada pai, entregues à mãe, uma pena de prisão e desapareceu. Dizem que foi fazer uma desintoxicação para Inglaterra, que roubou todo o dinheirito ganho pela mãe e pela irmã e não mais voltou. Anos a fio.
Qual não é o espanto geral da vizinhança quando a vemos no café da mãe, mais velha, muito mais velha que a sua verdadeira idade, mas sorridente, junto da sua radiante mãe.
Dividem-se as opiniões: a mãe devia desconfiar mais; em breve a São fará o mesmo e lá fica a pobre, uma mão atrás, outra à frente. Outros admiram o gesto da mãe, que mais uma vez perdoou.
Quem está de má cara é a filha mais velha, a Bela. Não esqueçamos que já uma vez viu voar as suas poupanças e teve de aturar os sobrinhos que a irmã deixou. Já não acredita em arrependimentos e estranha o sorriso de orelha a orelha que a mãe exibe agora.
Enfim: histórias de todos os dias.

13.10.05

O jardineiro

Para entenderem este 'post', têm que saber que temos um jardim, ou melhor, um canteirito à frente da casa. Durante os últimos anos, tem, de facto, sido mais um matagal!
Daí que, quando há semanas atrás se me apresentou um jardineiro que tinha acabado de arranjar com sucesso o jardim dos vizinhos de baixo, aceitei ouvi-lo:
"Sinhôra (é brasileiro) vai custá uma mixaria aí, dipois eu falo com a sinhora".
Pois bem: alguns dias e uma devastação total no meu jardim depois, uma ida minha ao Aki para comprar flores que o 'seu' jardineiro plantou, chegou a hora da verdade.
"Então quanto é que lhe devo?", pergunto na minha ignorante atitude de quem tem um jardim cheio de flores, amplamente gabado pela vizinhança e vai correr tudo bem.
"350€", respondeu calmamente.
Paguei.
Fiquei furiosa, mas paguei por 3 tardes de trabalho mais do que ele me tinha dito que a mulher ganha no Brasil por um mês de trabalho como professora.
O que mais me enfureceu foi não ter sido capaz de regatear, de dizer que nem pensar, etc.
Aproveitei apenas para dizer que agora tem que me fazer a manutenção do jardim grátis durante um ano...
De tal forma que já me apareceram mais uns cactos espetados no jardim...
Enfim: que fique como a minha contribuição para os colegas em dificuldades no Brasil!

12.10.05

Conhecem?

Numa manhã de chuva como a de hoje, só a constipação da minha vizinha me faria rir! Já a convidei para um chazinho, mais o Adérito dela. Querem vir também?

11.10.05

Hoje é dia de




Segui uma pista e vim aqui dar.
Esta é a minha foto mais recente, tirada a 5 de Outubro pela minha nora, e estou a dar bolotas à minha netinha M., que retirei da foto por muito respeito!

10.10.05

Meu gato virtual

Amarelo, como sempre quis!


adopt your own virtual pet!

Furacão

Americanos anunciam furacão para Portugal.
Deve ser a vingança por tudo o que se disse e escreveu por cá a propósito do Katrina...

Ressaca II

E agora, Guterr... Sócrates?

9.10.05

Dia de Eleições

Nunca pensei ter que votar como votei hoje...

Na ressaca das eleições:
Em Gondomar, valentias destas só para esquecer.
Em Felgueiras, Fátima foi a senhora aparecida. Quem a fará desaparecer?
Em Oeiras, não há moral: há morais.

8.10.05

Chiuuuuu!

Estou em reflexão!

7.10.05

Outono

You Are Changing Leaves

Pretty, but soon dead.

Já desconfiava...

6.10.05

Fumar? Não, obrigada!


Acabo de 'pedir emprestado' o boneco ao filhote.
Já sabem o (mal) que penso sobre o tabaco, apesar de gostar de tanta gente que fuma.
Se o Lucky deixou de fumar, porque não tu?

5.10.05

Animais

Hoje no DN.
O (mau) tratamento dos animais por parte dos humanos diz muito sobre a sua falta de humanidade.
Boicotemos os circos que apresentam espectáculos com animais!

4.10.05

Dia do Professor?

Só podem estar a gozar connosco, depois de tantas machadadas no nosso salário, na nossa carreira, nos nossos horários, no nosso bom nome público e na nossa dignidade!!!

Comentários

Como sabem, adoro os vossos comentários. Andava a estranhar a ausência deles, quando descubro que inadvertidamente mudei os 'settings' de forma a não os permitir...
Nabices!
A propósito, há blogs por aí a quem apetecia tanto responder... Mandar um email não tem a mesma graça!

3.10.05

O que é politicamente mais relevante?

A abstenção, o voto em branco ou votar no candidato da oposição?

2.10.05

Perguntar não ofende

Será que o poder autárquico tem que estar relacionado com corrupção?