


Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
Bocage







A Pessoa da Minha Vida
Nasceu de uma família humilde, em condições precárias, mas, mais ou menos por acaso, numa terra de antigas e nobres tradições. No entanto, o seu nascimento esteve marcado nas estrelas.
Era um menino e todos se alegraram especialmente por este facto, que à época, as meninas eram pouco mais que a garantia da vida física e do prolongamento da família.
Com poucos dias de vida, a sua família teve que experimentar as agruras dos refugiados em terra estranha, que os tempos eram cruéis e violentos.
O seu pai exercia uma profissão manual, que o menino foi adquirindo como aprendiz. Era assim a tradição. Mas, singularmente, este rapaz cedo se dedicou ao estudo, surpreendendo pela sua precocidade em conhecimento a sociedade humilde em que se inseria.
Ao tornar-se adulto, saiu de casa, abandonou a profissão familiar e começou a percorrer a terra, com uma estranha forma de pensamento e acção, que surpreendia todos quantos o conheciam.
Em breve havia uma multidão à sua volta, à procura das boas palavras ou, talvez mais, das suas benfeitorias. Que era um homem de poder, diziam: que as suas mãos tinham artes curativas, que as suas palavras iriam libertar o povo da tirania.
Ora, os poderes públicos não gostam de ajuntamentos, nem que se fale de libertação. Um plano foi gizado para o apanhar, um traidor foi escolhido para o entregar.
Uma vez preso o homem, onde estava a multidão que o seguia? Reclamando, talvez, a sua condenação...
Foi morto. As autoridades e o povo agitado sossegaram.
Mas, num arrepio às leis cósmicas que nos governam, a morte não conseguiu retê-lo e ele voltou à vida. Para sempre.
Ainda hoje, ele é a pessoa da minha vida. O seu nome é Jesus.

Enquanto as mulheres chorarem, como choram agora, eu lutarei;
Enquanto criancinhas passarem fome, como passam agora, eu lutarei;
Enquanto homens passarem pelas prisões, entrando e saindo, entrando e saindo,
Como eles o fazem agora, eu lutarei;
Enquanto há um bêbado remanescente,
Enquanto há uma pobre menina perdida nas ruas,
Enquanto restar uma alma que seja nas trevas, sem a luz de Deus - eu lutarei,
Eu lutarei até ao último instante.

