17.5.08

Senhoras

Andam os ânimos exaltados numa terrinha do nosso pais, por causa do nome atribuído à santa padroeira que dá o nome à igreja lá do sítio: Nossa Senhora da Salvação.
Parece que o actual padre leu a Bíblia ou as actas do Concílio Vaticano II e descobriu que não pode a salvação ser atribuída à senhora. Daí a mudar-lhe o nome para Nossa Senhora Mãe do Salvador foi um instante. Ora o povo não gostou. De tal forma tem sido a contenda que estão suspensos os actos religiosos e até se diz na terra que tudo isto contribui para encher as "outras" igrejas que também há lá.
Se a Senhora é só uma e os vários nomes lhe realçam facetas da mesma personalidade, não há grande problema que passem a chamar-lhe coisas diferentes. Eu posso ser chamada avó, professora, mãe, etc. Não deixo de ser eu.
Acontece que o catolicismo popular acalentado há séculos em Portugal distingue cada senhora como sendo fundamentalmente diferente. Não é o mesmo pedir uma graça a Nossa Senhora de Fátima ou a Nossa Senhora da Conceição, da Penha ou da Boa Hora. Uma mulher lá da terra, entrevistada para a televisão, afirmava que era Luísa e nunca seria Maria. Assim sendo, não se pode mudar o nome a uma santa.
Está pois mal parado o culto pretensamente dedicado à mulher que um dia disse:
"Fazei tudo quando Ele (Cristo) vos disser."

2 comentários:

Mocas disse...

Eu diria que o catolicismo popular acalentado há séculos em Portugal é profundamente ignorante. A própria apropriação que as pessoas fazem da figura de Maria é contrária a uma vivência cristã, ao espírito missionário que deveria guiar sempre os passos de um cristão.

Mas não é só em Portugal, infelizmente.

Daniela Mann disse...

São vendas espirituais.