14.1.14

Foi nas urgências do hospital.

Aquele lugar onde ficamos sentados durante horas, muito atentos, à espera de ouvir o nosso nome ou o nome de quem acompanhamos, para ir ao RX, às análises ou ao médico.
Ela estava sentada numa cadeira de rodas, pequena, velhinha e frágil no robe caseiro que a embrulhou para vir ao hospital. Ele estava de pé, por trás dela, de meia idade, alto e forte. Desfolhava com alguma indiferença vários documentos médicos da mãe, até que chegou a um, que lhe mostrou que ela tinha faltado a uma consulta no mês passado.
Confrontou-a pelas costas, em voz suficientemente alta para toda a sala o ouvir:
- Mãe, com que então resolveu faltar a mais uma consulta! Não lhe apeteceu sair, não foi?
A resposta da senhora foi inaudível e ela foi-se encolhendo cada vez mais na cadeira de rodas e no seu velho robe, talvez a ver se ninguém dava por nada. Esta cena durou o suficiente para todos entenderem o que se passava.
Eu não conhecia as pessoas, mas só imaginava esta senhora como jovem mãe toda feliz a cuidar do seu bebé menino com carinho.
Quando somos velhos e estamos esquecidos e estafados, nem todos temos quem cuide de nós com o mesmo carinho. É triste.

4 comentários:

Filomena Pacheco da Ponte Silva disse...

Se estivesse atento, teria lembrado a mãe. É aberrante o desrespeito pela fragilidade e pela incapacidade dos mais velhos. Ele também vai lá estar um dia e, possivelmente, sozinho.

Dulce disse...

Tens toda a razão do mundo...

Mocas disse...

muito, muito triste :(

Filipa disse...

:(