12.4.10

O Tio Padre

Isto aconteceu no início dos anos 60 do século passado, quando o meu pai, pastor 'protestante', iniciava uma missão na cidade de Guimarães, enfrentando feroz oposição, se bem que alguma simpatia dos sectores ditos 'progressistas', mais conotados com o reviralho, como já contei aqui.
Acontece que a minha mãe tinha um primo direito padre, que morava no Porto e dava aulas num colégio. Nessa época, a distância psicológica entre Guimarães e o Porto era de centenas de quilómetros: o que se aceitava e fazia no Porto pouco tinha a ver com o que se achava decente e se praticava em Guimarães.
Um padre vir visitar um pastor protestante e andar pela rua em amena cavaqueira a seu lado foi tão estranho para os olhos vimaranenses da década de 60 como se um extraterrestre se passeasse pelo Rossio à hora de ponta!
Foi, na verdade, uma espécie de vingança perante o resto da população que tantas vezes nos tinha segregado: até nós éramos amigos de um sr. padre!

2 comentários:

Maria Emília disse...

Não falarei do padre da família, mas, como fui à chamada que fazes acerca dos 100 anos do pastor Oliveira, venho dizer-te que bem me lembro dele e da tua mãe, queridos servos do Senhor, sempre muito afáveis comigo.
Como o tempo passa...
Um grande abraço e parabéns pela mensagem.
Shalom!
Mimi

Rute disse...

Como me lembro desse tempo!Parece que ficávamos longe das perseguições porque ninguém ousava abrir a boca contra nós!Boa,primo!