26.10.05

História III

Esta é a história de uma jovem professora de Biologia, a Juliana.
Natural do Minho, acabou por ter que concorrer para todo o país, como acontece a todos os jovens professores. Por sorte ou por azar, acabou por ficar colocada numa escola da Grande Lisboa, como a minha, por exemplo, num meio totalmente diferente daquele em que ela habita e onde sonhara exercer a profissão. Sabia já que a escola tinha uma grande percentagem de negros e a Juliana é assumidamente racista.
Pensou muito seriamente em desistir, quando soube o resultado do concurso. Mentalmente fez todos os cenários: sabia que não assumir a colocação implicava um castigo de anos, sem poder voltar a ser colocada. Chegou até a pensar em emigrar para qualquer lado. Meter-se num navio e ir para o outro lado do mundo.
Derrotada, veio assumir a colocação. Dentre as várias turmas que recebeu, uma detestou particularmente, porque era maioritariamente negra: uma turma de 12º ano.
Mas, competente cientificamente como é, a Juliana lá foi dando as aulas, embora detestasse os alunos.
E tão competente foi que os alunos, com exame e tudo, passaram todos!
Conseguem imaginar a tristeza dela a olhar para as pautas? Por orgulhosa que estivesse com a sua competência, ela queria vê-los todos chumbados!

Esta é uma história muito estranha. Que professor é capaz de passar um ano a trabalhar com alunos, vê-los serem bem sucedidos e querer que eles chumbem?
Mas a vida está cheia de contradições e mais contraditório é o ser humano!

6 comentários:

Ana Rute Cavaco disse...

escolher ser professora, sendo racista, é por si só uma contradição!

NEIL disse...

Pouca vergonha! Assumidamente racísta? Não tem vergonha na cara? Racista nem assumidamente nem outra-coisa-qualquer-mente!!! Q gente PARVA! Deve ser inveja de uma cor linda que têm os negros que nem precisam de andar a queimarem-se na praia para conseguir um ár saudável! Queria EU um bocadinho daquela cor!

AnaCristina disse...

Pra já, nem me ocorre falar em cor! pergunto: como é possivel ser-se professor durante um ano lectivo e nem ficar contente por ter sucesso? Ser cientificamente competente não faz um bom professor!!
É a minha opinião...
Sou incapaz de tal atitude, independentemente da cor... Mas eu sou uma apaixonada!...
:D

Karla disse...

"Ser cientificamente competente não faz um bom professor" - esta frase deveria ser emoldurada e colocada em destaque em TODAS as salas de professores de TODAS as escolas.

(Nem vou comentar o racismo, de tão mal disposta que fiquei)

ana disse...

e, a jovem professora não mudou nada? não aprendeu com os alunos que se foram bem sucedidos também contribuiram para o sucesso dela?

Se a jovem professora não aprender nada não há competência que a ajuda a não se tornar amarga. E uma boa professora não pode ser amarga.

Luh disse...

Eu sem ler os comentários, acrescento:
Ela que mude já de profissão...
senão um dia destes vai para um Júlio de Matos...
E eu sem pena, pq não gosto de racistas...