Aprecio bastante este canal do Cabo. Mas quem será que eles têm para lhes fazer as traduções ou escrever os 'slogans' de apresentação dos programas. Esta é uma 'pérola' que eles repetem incessantemente:
"Os Relatos De Quem Quase Não O Contaram"
Quê???
21.2.06
20.2.06
Caprichos

Era assim que chamávamos às Fotonovelas editadas em revista nos idos dos anos 60, a que a NM do passado dia 12 de Fevereiro se refere.
Descobri a sua existência ao entrar no liceu aos 10/11 anos. Eram a coqueluche das colegas de liceu, especialmente das que eram um pouco mais velhas.
Na voragem de ler tudo o que me vinha às mãos, consegui que de vez em quando me emprestassem um 'Capricho', que foi cumprindo a sua missão de me ilucidar acerca de amores e desamores.
Ao ler o artigo da NM, voltou à minha memória o velhinho liceu de Guimarães, os seus claustros, as muralhas, todo o ambiente de um liceu de província no início dos anos 60.
19.2.06
Amor
Eu te amo com o amor do Senhor
Eu te amo com o amor do Senhor
Posso ver em ti
A glória do meu Rei
Eu te amo com o amor do Senhor.
Dedico este cântico ao P., ao J., à S. e à H., que provavelmente nunca lerão este post.
Eu te amo com o amor do Senhor
Posso ver em ti
A glória do meu Rei
Eu te amo com o amor do Senhor.
Dedico este cântico ao P., ao J., à S. e à H., que provavelmente nunca lerão este post.
18.2.06
17.2.06
Princípio de um dia de trabalho
16.2.06
15.2.06
Aula de apoio
Deram-me a nova tarefa de apoiar seis alunos do oitavo ano, em Inglês.
No primeiro dia, eles vão entrando um por um, rostos desconfiados da nova prof que lhes arranjaram. São quase todos de origem africana. Estes miúdos têm normalmente grandes dificuldades de adaptação à escola, à ordem, à disciplina. Não falam bem Português, línguas estrangeiras então uma desgraça.
Estes, descubro rapidamente que não sabem nada, literalmente nada. Estão no quinto nível de língua e começo a ensinar-lhes o verbo 'to be'.
Saem da primeira aula felizes, porque lhes ensinei uma nova frase: "It's now or never!"
No primeiro dia, eles vão entrando um por um, rostos desconfiados da nova prof que lhes arranjaram. São quase todos de origem africana. Estes miúdos têm normalmente grandes dificuldades de adaptação à escola, à ordem, à disciplina. Não falam bem Português, línguas estrangeiras então uma desgraça.
Estes, descubro rapidamente que não sabem nada, literalmente nada. Estão no quinto nível de língua e começo a ensinar-lhes o verbo 'to be'.
Saem da primeira aula felizes, porque lhes ensinei uma nova frase: "It's now or never!"
14.2.06
38º Dia dos Namorados
13.2.06
Manias...
[Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.]
Muito desafiada por esta colega, lá me resolvi a analisar-me o suficiente para encontrar cinco manias em mim. O que não foi fácil! O meu antigo colega R.P. dizia que eu tinha o vício de não ter vícios.
Mania 1 - Gostar de todos os gatos com que me cruzo. Paixão total.
Mania 2 - Usar ironia com demasiadas pessoas e, logo, ter que ser às vezes repreendida pelos próprios filhos. Mas nunca é por mal, garanto!
Mania 3 - Ter pavor de carros, trânsito, e outras rodas mais. Por isso nunca tirei a carta.
Mania 4 - Sofrer demais com as opiniões dos outros. Sobretudo quando acho que não têm razão.
Mania 5 - Apanhar molas da roupa na rua. Com esta é que o avôzinho afina...
E pronto! Passo a tarefa aos seguintes 'blogueiros':
http://quezia.blogspot.com/
http://novosfragmentos.blogspot.com/
http://www.mukankala.blogspot.com/
http://www.amelhorparte.blogspot.com/
http://portugales.blogspot.com/
Muito desafiada por esta colega, lá me resolvi a analisar-me o suficiente para encontrar cinco manias em mim. O que não foi fácil! O meu antigo colega R.P. dizia que eu tinha o vício de não ter vícios.
Mania 1 - Gostar de todos os gatos com que me cruzo. Paixão total.
Mania 2 - Usar ironia com demasiadas pessoas e, logo, ter que ser às vezes repreendida pelos próprios filhos. Mas nunca é por mal, garanto!
Mania 3 - Ter pavor de carros, trânsito, e outras rodas mais. Por isso nunca tirei a carta.
Mania 4 - Sofrer demais com as opiniões dos outros. Sobretudo quando acho que não têm razão.
Mania 5 - Apanhar molas da roupa na rua. Com esta é que o avôzinho afina...
E pronto! Passo a tarefa aos seguintes 'blogueiros':
http://quezia.blogspot.com/
http://novosfragmentos.blogspot.com/
http://www.mukankala.blogspot.com/
http://www.amelhorparte.blogspot.com/
http://portugales.blogspot.com/
12.2.06
Boa morte
Ainda nunca tinha pensado nisto, mas este artigo fez-me ver até que ponto a aceitação social da eutanásia nos pode levar a menosprezar a vida dos mais idosos ou a tornar a vida mais difícil de quem sofre.
Por isso, afirmo: a vida é um dom de Deus.
Por isso, afirmo: a vida é um dom de Deus.
11.2.06
De volta à Net
Eis-me de volta ao vosso meio, isto partindo do princípio que ainda há alguém que me lê...
Após uma arreliadora avaria do computador, descobrimos como ele nos faz falta! Até para
deixar uns pensamentos diários.
E que fazer com a enorme selecção de 'Favoritos' que se esfumou?
Após uma arreliadora avaria do computador, descobrimos como ele nos faz falta! Até para
deixar uns pensamentos diários.
E que fazer com a enorme selecção de 'Favoritos' que se esfumou?
10.2.06
Citação de domingo (atrasada)
"Como posso criticar o meu irmão, em quem o Espírito habita? Ou como posso criticar alguém que foi criado por Deus e que Ele ama tanto, que deu o Seu Filho por ele?
Não, não vou criticar ninguém. Só o Senhor será o juiz das acções de cada um."
R.H.
Não, não vou criticar ninguém. Só o Senhor será o juiz das acções de cada um."
R.H.
8.2.06
Ninguém calará a voz da avozinha!
Ai pensavam que a avozinha tinha emudecido, emigrado, desistido? Nããão!
A avozinha foi acometida de um problema técnico, que levou o computador para o estaleiro. Mas a avozinha voltará!
A avozinha foi acometida de um problema técnico, que levou o computador para o estaleiro. Mas a avozinha voltará!
1.2.06
Mozart!
31.1.06
Narcisos
30.1.06
Ó sr. Manuel Alegre!
Ainda não percebeu que só votámos em si porque queríamos castigar o elemento apontado pelo partido do governo e jamais votaríamos no Cavaco?
29.1.06
História IV
Inventei uma nova sobremesa, daquelas que ligam todos os ingredientes necessários para se tornarem um manjar do céu. Daí, convidei vários amigos para o provarem numa festazinha caseira.
O Abel serviu-se da sobremesa, mas logo se distraíu com a conversa, pousou a taça e veio a gata e lambeu-lha toda.
A Beatriz encheu a taça até cima, os olhos brilharam ao contemplar a divinal substância, ouviu um comentário depreciativo da sua textura e largou a sobremesa.
O Carlos foi deitando colheradas da sobremesa na sua taça, mas de repente tocou o telemóvel, o doce ficou frio e já não lhe pegou mais.
A Daniela serviu-se, provou, até os olhos se lhe riram: comeu tudo, voltou a servir-se. Por fim, pediu a receita e tem continuado a fazê-la para todos os seus amigos.
(Esta história é dedicada a T. C., que hoje nos recordou as velhas parábolas no Dia da Bíblia).
O Abel serviu-se da sobremesa, mas logo se distraíu com a conversa, pousou a taça e veio a gata e lambeu-lha toda.
A Beatriz encheu a taça até cima, os olhos brilharam ao contemplar a divinal substância, ouviu um comentário depreciativo da sua textura e largou a sobremesa.
O Carlos foi deitando colheradas da sobremesa na sua taça, mas de repente tocou o telemóvel, o doce ficou frio e já não lhe pegou mais.
A Daniela serviu-se, provou, até os olhos se lhe riram: comeu tudo, voltou a servir-se. Por fim, pediu a receita e tem continuado a fazê-la para todos os seus amigos.
(Esta história é dedicada a T. C., que hoje nos recordou as velhas parábolas no Dia da Bíblia).
28.1.06
Adolescência

Há dias, a minha irmã trouxe-me esta foto, onde estou com ela, com a nossa mãe e com a Boneca. A boneca tinha acabado de chegar para ela vinda dos States, onde a minha irmã tinha estado para ser operada ao coração, coisa que só viria a acontecer uns anitos mais tarde.
Quando ela me mostrou a fotografia, saltou-me imediatamente ao nariz o cheiro que esta boneca trazia, especialmente no cabelo, um perfume diferente.
A fotografia é a marca do nosso passado, mas a memória muito mais.
27.1.06
O desporto favorito dos portugueses
Concordo inteiramente com este artigo! Eu própria não diria melhor!
26.1.06
Teolinda Gersão

Excelente poetisa e escritora, foi minha professora de Teoria da Literatura na Faculdade de Letras. E foi óptima professora, não só no quanto lhe devo dos meus conhecimentos de Literatura, que os deu de forma muito bem organizada (caso raro na Faculdade da época), mas muito humana para os seus alunos.
No dia do meu exame oral ( e eu tinha tido 15 na escrita, o que na altura era uma grande nota!), tive o azar de a avó dela falecer, o que a impediu de fazer os exames. Foi substituída por uma megera de quem providencialmente esqueci o nome, que me azucrinou a cabeça com a Poética de Aristóteles. Ora, tínhamos combinado com a Teolinda que essa matéria não vinha para a oral, mesmo porque ela valorizava mais a interpretação de poesia feita na escrita.
Moral da história: eu ia chumbando, mas nunca esqueci esta Senhora das letras.
25.1.06
Dr. Phill
24.1.06
Netas
As minhas netas trazem-me alegrias numa base diária.
A mais velha (20 meses) está uma senhora conversadora e deixa-me sempre uma dor no pescoço quando passa o dia comigo: é de pegar nesta boa arroba de gente sempre do mesmo lado.
A mais nova (6 meses) está a dar-nos a alegria que a mais velha deu, algures por volta da mesma idade: conhece-nos e ri-se para nós, apesar de não nos ver todos os dias.
A mais velha (20 meses) está uma senhora conversadora e deixa-me sempre uma dor no pescoço quando passa o dia comigo: é de pegar nesta boa arroba de gente sempre do mesmo lado.
A mais nova (6 meses) está a dar-nos a alegria que a mais velha deu, algures por volta da mesma idade: conhece-nos e ri-se para nós, apesar de não nos ver todos os dias.
23.1.06
Como é bom aprender!
Como é difícil aprender!
Numa Formação que fiz há uns anos, a formadora fez-nos notar a nós, professores, que muitas vezes já não nos lembramos de como é difícil aprender, já que isso envolve uma reavaliação de tudo o que conhecemos e/ou usamos até ao momento. Aprender significa abandonar velhos hábitos confortáveis e passar a utilizar novos. Por isso, talvez, se diz que "burro velho não aprende línguas".
Na altura, a formadora desafiava-nos a que recordássemos uma aprendizagem recente, tirar a carta, por exemplo.
Verifiquei essa verdade uns tempos mais tarde, ao tentar aprender algo de Grego.
Ao tentar ensinar Inglês ou Alemão aos meus alunos, tento sempre manter essa dificuldade na minha memória.
Numa Formação que fiz há uns anos, a formadora fez-nos notar a nós, professores, que muitas vezes já não nos lembramos de como é difícil aprender, já que isso envolve uma reavaliação de tudo o que conhecemos e/ou usamos até ao momento. Aprender significa abandonar velhos hábitos confortáveis e passar a utilizar novos. Por isso, talvez, se diz que "burro velho não aprende línguas".
Na altura, a formadora desafiava-nos a que recordássemos uma aprendizagem recente, tirar a carta, por exemplo.
Verifiquei essa verdade uns tempos mais tarde, ao tentar aprender algo de Grego.
Ao tentar ensinar Inglês ou Alemão aos meus alunos, tento sempre manter essa dificuldade na minha memória.
22.1.06
Citação de domingo
"Se só tens um pão, então tu és pobre.
Se só tens uma muda de roupa, então tu és pobre.
Se só tens um carro, então tu és pobre.
Se só tens uma casa, então tu és pobre.
Se só tens esta vida, então tu és pobre.
Deus quer enriquecer-te com a vida eterna."
(Anónimo)
Se só tens uma muda de roupa, então tu és pobre.
Se só tens um carro, então tu és pobre.
Se só tens uma casa, então tu és pobre.
Se só tens esta vida, então tu és pobre.
Deus quer enriquecer-te com a vida eterna."
(Anónimo)
21.1.06
20.1.06
19.1.06
E agora?
Em quem vamos votar desta vez?
O Jerónimo é o nosso vizinho atencioso, mas engoliu a cassete. Nele não votamos.
O Garcia Pereira parece um bom cidadão, mas é do MRPP. Não votamos nele.
O Francisco Louçã é o nosso primo revolucionário, mas quer pôr os gays a adoptar as criancinhas. Não votamos nele.
O Alegre é um poeta de Abril, mas já não há pachorra. Não votamos nele.
O Soares é o nosso avozinho preferido, mas de momento não há vagas no lar da 3ª idade. Não votamos nele.
O Cavaco percebe muito de contas, mas raramente se engana e nunca tem dúvidas. Não votamos nele.
E agora?
O Jerónimo é o nosso vizinho atencioso, mas engoliu a cassete. Nele não votamos.
O Garcia Pereira parece um bom cidadão, mas é do MRPP. Não votamos nele.
O Francisco Louçã é o nosso primo revolucionário, mas quer pôr os gays a adoptar as criancinhas. Não votamos nele.
O Alegre é um poeta de Abril, mas já não há pachorra. Não votamos nele.
O Soares é o nosso avozinho preferido, mas de momento não há vagas no lar da 3ª idade. Não votamos nele.
O Cavaco percebe muito de contas, mas raramente se engana e nunca tem dúvidas. Não votamos nele.
E agora?
18.1.06
Finalmente Dakar!
Atravessado o deserto, chegámos finalmente ao nosso destino. Tarde demais e desclassificadas, mas cumprimos o nosso objectivo. Como já ninguém esperava por nós, pudemos apreciar apenas a desmontagem do circo. E, mais uma vez, ver o lixo que resta da civilização.
Felizes, demos uma boa volta pelo local, comprámos fruta africana, comêmo-la e metemo-nos num bom hotel para dormir cinco dias sem parar.
Ao levantar-nos, telefonámos à família, olhámos para o carro, entrámos e dirigimo-nos a sul, sempre para sul, até ao Cabo da Boa Esperança.
Felizes, demos uma boa volta pelo local, comprámos fruta africana, comêmo-la e metemo-nos num bom hotel para dormir cinco dias sem parar.
Ao levantar-nos, telefonámos à família, olhámos para o carro, entrámos e dirigimo-nos a sul, sempre para sul, até ao Cabo da Boa Esperança.
15.1.06
13.1.06
Lisboa-Dakar II
Nesta nossa travessia do deserto, uma das coisas que mais me impressionam são os restos dos carros e motas dos que nos precedem e que vão ficando no trilho. Parece às vezes um verdadeiro cemitério da tecnologia. Até podemos dizer que nos enganámos no caminho quando deixamos de os ver. Fico a pensar no que sucederá a tanto lixo no fim do Rali.
A minha amiga T. estava mais ansiosa por vislumbrar as civilizações do deserto. Não tanto no deserto, mas mais nas zonas povoadas por que passamos. Isso para mim tem sido uma desilusão. De todo o lado surgem cabeças de gente para nos ver passar. Se paramos, os miúdos não nos deixam descansar, tentando que lhes demos umas moedinhas ou quaisquer objectos. O que deixamos inadvertidamente para trás é imediatamente apanhado. Se tentamos tirar umas fotografias, é difícil não apanhar garotos aos saltos por trás de nós.
Enfim, é a globalização, senhores!
A minha amiga T. estava mais ansiosa por vislumbrar as civilizações do deserto. Não tanto no deserto, mas mais nas zonas povoadas por que passamos. Isso para mim tem sido uma desilusão. De todo o lado surgem cabeças de gente para nos ver passar. Se paramos, os miúdos não nos deixam descansar, tentando que lhes demos umas moedinhas ou quaisquer objectos. O que deixamos inadvertidamente para trás é imediatamente apanhado. Se tentamos tirar umas fotografias, é difícil não apanhar garotos aos saltos por trás de nós.
Enfim, é a globalização, senhores!
12.1.06
Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Esta é uma obra que dei várias vezes aos meus alunos do 12º ano, a propósito da época vitoriana.
Trata do Dr. Jekyll, um médico-cientista de reputação acima de toda a suspeita, que inventa uma beberagem que o transforma em monstro assassino. O bom dr. Jekyll não se consegue ver livre do pérfido Mr. Hyde e este não consegue completamente vencer o cientista. Esta luta entre o bem e o mal foi uma das tónicas do séc. XIX em Inglaterra.
Mas o que me faz pensar é que me parece cada vez mais que há em cada um de nós um Dr. Jekyll e um Mr. Hyde. Qual deles levará a sua avante? Acabaremos como na história de Stevenson?
Quem será a minha Mrs. Hyde?
11.1.06
Bem-vinda ao Inferno!
Disse o rapaz do 8º ano, ao entrarmos na sala onde eu lhes ia dar mais uma aula de substituição. Apenas sorri. Na sala, apenas metade da turma numa aula de Fotografia (as aulas que hoje há...) e a outra metade estava também com outra colega em substituição.
Pois, mal grado o cumprimento inicial, esta foi da turma que até agora mais gostei! Os rapazes e raparigas foram entrando, fui fazendo a chamada: miúdos de origem portuguesa, africana e dois chineses!
Conversámos, eles estiveram calmos e responderam às minhas perguntas, enfim: o que uma aula podia ser sempre e raramente é.
Por fim, são os únicos das substituições que me cumprimentam quando me vêem na escola.
Vou voltar para ali, sempre que puder escolher!
Pois, mal grado o cumprimento inicial, esta foi da turma que até agora mais gostei! Os rapazes e raparigas foram entrando, fui fazendo a chamada: miúdos de origem portuguesa, africana e dois chineses!
Conversámos, eles estiveram calmos e responderam às minhas perguntas, enfim: o que uma aula podia ser sempre e raramente é.
Por fim, são os únicos das substituições que me cumprimentam quando me vêem na escola.
Vou voltar para ali, sempre que puder escolher!
10.1.06
Lisboa-Dakar
A minha amiga T. desafiou-me a enfrentar as areias do Saara e eu decidi-me a acompanhá-la como navegadora.
Poupo-vos a descrição do sempre enfadonho início da viagem, mas aqui vai uma página do nosso diário de bordo.
Já sabia que o deserto era frio de madrugada, mas nunca imaginei um frio assim! Sobretudo, porque de dia foi aquecendo, aquecendo, aquecendo até a minha amiga, que teima em dizer que adora o verão, começar a suar por todos os poros e a maldizer tanto calor.
O carro em que vamos é o dela, pequeno, mas confortável e ela é uma óptima condutora. Digo eu, que não conduzo!
Eu levo é os mapas na mão. Algo que, no meio das dunas e contra-dunas, deixa completamente de fazer sentido.
O que nos vale realmente é uma invenção chamada Global Posiotioning Device. Sem isso, já estaríamos algures no chamado corno de África. As estrelas também podem ser úteis à noite, mas mais para inspirar poemas.
Que fazemos durante os trajectos? Ora! Pomos a conversa em dia e cantamos, cantamos tudo o que nos vem à garganta, desde o Aleluia de Haendel até ao Lá em Cima Está o Tiroliroliro.
E assim vamos atravessando o nosso deserto, sem nenhuma intenção de acompanhar os outros concorrentes. A Elizabete Jacinto desistiu? Nós nunca desistiremos!
Poupo-vos a descrição do sempre enfadonho início da viagem, mas aqui vai uma página do nosso diário de bordo.
Já sabia que o deserto era frio de madrugada, mas nunca imaginei um frio assim! Sobretudo, porque de dia foi aquecendo, aquecendo, aquecendo até a minha amiga, que teima em dizer que adora o verão, começar a suar por todos os poros e a maldizer tanto calor.
O carro em que vamos é o dela, pequeno, mas confortável e ela é uma óptima condutora. Digo eu, que não conduzo!
Eu levo é os mapas na mão. Algo que, no meio das dunas e contra-dunas, deixa completamente de fazer sentido.
O que nos vale realmente é uma invenção chamada Global Posiotioning Device. Sem isso, já estaríamos algures no chamado corno de África. As estrelas também podem ser úteis à noite, mas mais para inspirar poemas.
Que fazemos durante os trajectos? Ora! Pomos a conversa em dia e cantamos, cantamos tudo o que nos vem à garganta, desde o Aleluia de Haendel até ao Lá em Cima Está o Tiroliroliro.
E assim vamos atravessando o nosso deserto, sem nenhuma intenção de acompanhar os outros concorrentes. A Elizabete Jacinto desistiu? Nós nunca desistiremos!
9.1.06
Oprah!
Estive a ver um programa da Oprah dedicado aos mentirosos compulsivos. Um dos casos era o de uma mulher que fingiu ser casada com um soldado no Iraque, vindo mais tarde a encenar a morte dele e uma gravidez a acabar em aborto espontâneo. Com esta história, convenceu uma rádio local e outras organizações, até vir a ser descoberta.
A psicóloga de serviço tenta descobrir uma explicação por trás deste tipo de personalidade e, às tantas, diz algo que faz profundo sentido para mim.
É que, ao criar uma personalidade fictícia, o mentiroso põe em causa, entre outras coisas, a nossa própria capacidade de julgamento dos outros e da vida. Não é só o nosso relacionamento com aquela pessoa que é destruído ao descobrir-se a verdade, mas também a nossa própria confiança no mundo que nos rodeia.
A psicóloga de serviço tenta descobrir uma explicação por trás deste tipo de personalidade e, às tantas, diz algo que faz profundo sentido para mim.
É que, ao criar uma personalidade fictícia, o mentiroso põe em causa, entre outras coisas, a nossa própria capacidade de julgamento dos outros e da vida. Não é só o nosso relacionamento com aquela pessoa que é destruído ao descobrir-se a verdade, mas também a nossa própria confiança no mundo que nos rodeia.
8.1.06
À moda de
Um pouco à moda de Bertolt Brecht, decidi escrever o meu próprio
PRAZERES
O primeiro olhar da manhã pela janela
O velho livro reencontrado
Rostos sorridentes
A mudança das estações
O jornal, a revista, uma chávena de chá
Iogurte de caramelo. Sol no sofá
Um gato.
Encontrar velhos amigos
Música dos anos 60
Sapatos confortáveis
Compreender
Escrever, plantar
Caminhar, viajar
Andar de eléctrico
Cantar
Conversar.
PRAZERES
O primeiro olhar da manhã pela janela
O velho livro reencontrado
Rostos sorridentes
A mudança das estações
O jornal, a revista, uma chávena de chá
Iogurte de caramelo. Sol no sofá
Um gato.
Encontrar velhos amigos
Música dos anos 60
Sapatos confortáveis
Compreender
Escrever, plantar
Caminhar, viajar
Andar de eléctrico
Cantar
Conversar.
7.1.06
A minha tradução
PRAZERES
O primeiro olhar da manhã pela janela
O velho livro reencontrado
Rostos entusiasmados
Neve, a mudança das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar banho, nadar
Música antiga
Sapatos confortáveis
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar
Cantar
Ser amigo.
O primeiro olhar da manhã pela janela
O velho livro reencontrado
Rostos entusiasmados
Neve, a mudança das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar banho, nadar
Música antiga
Sapatos confortáveis
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar
Cantar
Ser amigo.
6.1.06
Bertolt Brecht

Não resisto a transcrever um simples poema deste autor alemão, que vou dar aos meus alunos. Fornecerei uma tradução minha dele, da próxima vez, para quem não entende alemão.
VERGNÜGUNGEN
Der erste Blick aus dem Fenster am Morgen
Das wiedergefundene alte Buch
Begeisterte Gesichter
Schnee, der Wechsel der Jahreszeiten
Die Zeitung
Der Hund
Die Dialektik
Duschen, Schwimmen
Alte Musik
Bequeme Schuhe
Begreifen
Neue Musik
Schreiben, Pflanzen
Reisen
Singen
Freundlich sein.
5.1.06
Anjos
"O anjo do Senhor acampa-se em volta dos que O temem e os livra" (Bíblia).
Antes de uma viagem, pedi a Deus que cercasse o nosso carro dos Seus anjos, para que nada de mal nos acontecesse, nem a nós, nem aos outros.
Ao chegar ao destino, percebi que o que vinha dois carros atrás de nós era da Polícia, e à nossa frente ia um jipe da GNR.
Antes de uma viagem, pedi a Deus que cercasse o nosso carro dos Seus anjos, para que nada de mal nos acontecesse, nem a nós, nem aos outros.
Ao chegar ao destino, percebi que o que vinha dois carros atrás de nós era da Polícia, e à nossa frente ia um jipe da GNR.
4.1.06
3.1.06
Para 2006 desejo
mais daquelas boas surpresas em que Deus é pródigo.
Só não sei é se estou preparada para desejar aquelas que só vêm depois do sofrimento!
Só não sei é se estou preparada para desejar aquelas que só vêm depois do sofrimento!
2.1.06
Coisas que eu gostaria de ter deixado em 2005
- Enxaquecas
- Tonturas
- Aulas de substituição
- Sala de Profs cheia de fumo
- Repetidamente ir ver blogs que me irritam
- Alguns (poucos...) defeitos meus
- Tonturas
- Aulas de substituição
- Sala de Profs cheia de fumo
- Repetidamente ir ver blogs que me irritam
- Alguns (poucos...) defeitos meus
1.1.06
30.12.05
As minhas amigas
É altamente provável que as amigas de quem falei ontem nunca venham a ler o que escrevi sobre elas. Isto, porque nenhuma está virada para estas coisas da Net. Digo-lhes: "Meninas, é uma vergonha que seja eu, avozinha de avançada idade, a falar-vos da Internet e a ter um blog!" Pergunta uma: "Que é um blog?" Lá lhes expliquei.
Pode ser que o filho de alguma delas lhe mostre o caminho para aqui.
Pode ser que o filho de alguma delas lhe mostre o caminho para aqui.
29.12.05
Amigas
Como é habitual já há uns anos, fui almoçar com um grupinho de ex-colegas do saudoso extinto Externato Acrópole, de cujo grupo docente todas fizémos parte. Almoçámos na zona e, como sempre, aproveitámos para 'pôr a conversa em dia'. Nestas alturas, recontamo-nos velhos episódios passados connosco, com colegas e com alunos. Para mim, trata-se de evocar 24 anos de ensino na zona do Chiado. Há mesmo muito a recordar.
Desta vez, fomos encontrando ou passando por uma ex-colega, ex-alunos e até duas ex-funcionárias nos fizeram parar!
Este encontro de amigas realiza-se pelo Natal, pela Páscoa e no verão, sempre com muita conversa e muitos risos.
Desta vez, fomos encontrando ou passando por uma ex-colega, ex-alunos e até duas ex-funcionárias nos fizeram parar!
Este encontro de amigas realiza-se pelo Natal, pela Páscoa e no verão, sempre com muita conversa e muitos risos.
28.12.05
Ainda no pós-natal
Continuo a roer os restos do Natal: os frutos secos são nesta fase muito apetecíveis. O bolo-rei prolonga-se mais do que seria suposto. E, de novo, constato que até ele se tornou politicamente correcto: já não há fava e brinde, nem vê-lo! Para que serve um bolo-rei sem fava nem brinde?
27.12.05
Tempos
O Elton John finalmente casou. Parabéns!
Que sejam muito felizes e tenham muitos meninos.
Não podem ter meninos?
Será um caso de infertilidade? Não desanimem: há as FIV, etc.
E, em último caso, ainda podem adoptar.
Que sejam muito felizes e tenham muitos meninos.
Não podem ter meninos?
Será um caso de infertilidade? Não desanimem: há as FIV, etc.
E, em último caso, ainda podem adoptar.
26.12.05
Pós-Natal
Gosto muito do dia 26 de Dezembro.Passada a agitação da casa, acalmada a excitação das ruas, abertas as prendas, ter apenas que decidir onde colocar os últimos 'tarecos' que nos deram, arrumar a casa, fazer um sacão de papéis para levar ao contentor, preguiçar um pouco, reinventar uma roupa-velha, comer as últimas fatias de bolo-rei ou as refinadas rabanadas.
Lembro-me de um 26 de Dezembro de há muitos anos, teria eu uns seis ou sete, quando, ao brincar com um regadorzinho de lata verde, que tinha sido a minha prenda de Natal, descobri umas misteriosas pintinhas vermelhas nas minhas pernas. Isso provocou uma quase tragédia lá em casa: a minha irmã também as tinha e em breve nos encontrávamaos 'internadas' num quarto forrado a vermelho, com as nossas camisolas vermelhas vestidas. Tínhamos sarampo.
Lembro-me de um 26 de Dezembro de há muitos anos, teria eu uns seis ou sete, quando, ao brincar com um regadorzinho de lata verde, que tinha sido a minha prenda de Natal, descobri umas misteriosas pintinhas vermelhas nas minhas pernas. Isso provocou uma quase tragédia lá em casa: a minha irmã também as tinha e em breve nos encontrávamaos 'internadas' num quarto forrado a vermelho, com as nossas camisolas vermelhas vestidas. Tínhamos sarampo.
24.12.05
A Palavra
Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado.
Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria.
E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,
a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz,
e teve a seu filho primogénito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.
Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.
E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor.
O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo:
É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E isto vos será por sinal: Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura.
Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:
Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade.
E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.
Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura;
e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;
e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam.
Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração.
E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.
(Evangelho segundo Lucas)
Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria.
E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,
a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz,
e teve a seu filho primogénito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.
Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.
E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor.
O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo:
É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E isto vos será por sinal: Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura.
Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:
Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade.
E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.
Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura;
e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;
e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam.
Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração.
E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito.
(Evangelho segundo Lucas)
23.12.05
Candidatos
O mínimo que se exige de um candidato a Presidente da República é que o queira ser mesmo.
20.12.05
Velhas fotos
19.12.05
Enfeites e desenfeites
Há quem monte a árvore de Natal ainda em Novembro. Há quem a monte só Dezembro adiantado. Na antiga tradição era até no próprio dia 24. Mas desmontá-la no dia 18, deve ser inédito.
Aconteceu aqui. Farta de apanhar a gata mais louca do mundo a atirar-se à árvore e a desfazer as maçãzinhas e os bonecos, farta de ver uma vassoura de pernas para o ar na minha sala (que era o que ela parecia), o facto de ter atirado com ela ao chão ontem fez-me atingir o limite: desfiz tudo e guardei nas caixinhas. Até a um Natal em que a fera já seja uma senhora gata.
Aconteceu aqui. Farta de apanhar a gata mais louca do mundo a atirar-se à árvore e a desfazer as maçãzinhas e os bonecos, farta de ver uma vassoura de pernas para o ar na minha sala (que era o que ela parecia), o facto de ter atirado com ela ao chão ontem fez-me atingir o limite: desfiz tudo e guardei nas caixinhas. Até a um Natal em que a fera já seja uma senhora gata.
Dia a registar
Já lhe tinha ouvido uns "Vvvvvv", mas ontem, pela primeira vez, olhou-me nos olhos e disse: "Vovó!"
A minha neta M.
A minha neta M.
18.12.05
17.12.05
Amante de Alcatra
Já antes referi o meu apreço por este amigo. Pois bem: o Amante de Alcatra, primariamente amante de Cristo, é a partir de hoje, pastor de almas.
Aqui fica o meu desejo de que continue sempre seguindo o Grande Pastor e que possa ser uma bênção, por onde quer que vá, como tem sido para nós.
Aqui fica o meu desejo de que continue sempre seguindo o Grande Pastor e que possa ser uma bênção, por onde quer que vá, como tem sido para nós.
16.12.05
Luís Miguel Cintra

Hoje é notícia, devido a ter recebido o Prémio Pessoa.
Por coincidência, o Luís Miguel Cintra foi meu colega, exatamente na cadeira do Padre Manuel Antunes. Era filho de um outro professor meu, o Prof. Lindley Cintra, um dos melhores. Este era de uma humanidade para os alunos muito invulgar numa Faculdade nos anos 60. Foi ele que despertou o nosso gosto pela Linguística. Vejo-o sempre envolto nas lutas estudantis pela liberdade, antes do 25 de Abril.
15.12.05
Padre Manuel Antunes

Está a realizar-se entre hoje e depois de amanhã um Colóquio Internacional sobre o Padre Manuel Antunes, pensador e professor na Faculdade de Letras de Lisboa.
Foi meu professor de História da Cultura Clássica, um Cadeirão assustador para uma miúda de 17 anos como eu era, recém-chegada de um liceu de província. Não o entendi, nem lhe soube atribuir o seu verdadeiro valor. Mas nunca mais esquecerei o seu leve sorriso de quem saboreia algo de refinado, no seu clássico início de frase: "Este conceito 'Paideia'"...
14.12.05
13.12.05
Avozinha Moisés
12.12.05
Crucifixos, de novo
"É importante que Deus esteja visível nos edifícios públicos e privados, que Deus esteja presente na vida pública, com a presença da cruz nos estabelecimentos públicos." - Bento XVI
Concordo plenamente com a primeira parte, mas pergunto:
Não é já suposto que Ele lá esteja, graças à Sua omnipresença?
Não seria muito melhor que Deus estivesse presente na vida pública através da vida dos Seus filhos?
Concordo plenamente com a primeira parte, mas pergunto:
Não é já suposto que Ele lá esteja, graças à Sua omnipresença?
Não seria muito melhor que Deus estivesse presente na vida pública através da vida dos Seus filhos?
11.12.05
Citação de domingo
"A vida é apenas um ensaio geral, antes da verdadeira produção. É o treino colectivo que ocorre antes do jogo; a volta de aquecimento antes do início da corrida. (...)Assim como os nove meses que passou no útero da sua mãe não tinham um fim em si, mas eram uma preparação para a vida, também a vida é uma preparação para o que vem a seguir."
Rick Warren, Uma Vida com Propósitos
Rick Warren, Uma Vida com Propósitos
10.12.05
História IV
Custava-lhe sempre fazer aquele percurso à noite: sair do metro e caminhar uns bons 15 minutos até casa não é muito próprio para uma rapariga. Sobretudo, porque a vizinhança da estação não era muito desejável: uma grande zona de barracas tornava a coisa mesmo assustadora. Mas, enfim, tinha que ser.
Aquela noite não foi muito diferente do habitual. Saíu da estação e caminhou apressada, apertando a mala contra o corpo. Mas foi nessa noite que aconteceu: de súbito, um violento puxão na mala que não se solta e ela é arrastada pela velocidade da mota até a alça da mala se partir.
Fica sentada no chão molhado da chuva nocturna, aturdida e magoada. Ao tentar pôr-se de pé, nota que não consegue suster-se numa perna mais ferida. E agora?
Vem alguém. Um grupinho de jovens aproxima-se, de violas em riste e Bíblias debaixo do braço. Surpreendem-se com a visão de alguém no chão e afastam-se rapidamente. "Devem ter pensado que eu era uma drogada", pensa ela.
Duas freiras passam também a caminho do metro. Ao avistá-la, benzem-se e desviam-se.
Desesperada por ajuda, é então que ela avista o seu maior receio naquela zona: um cigano estaciona a carrinha a cair de podre do outro lado da rua.
Vê-a e aproxima-se. Ela encolhe-se mais. "Precisa de ajuda?", pergunta ele no seu português cantado.
E é ele que finalmente a mete na sua carrinha e a leva ao hospital. É ele que espera com ela as várias horas que teve que passar naquele lugar. Foi ele que finalmente a levou a casa na manhã seguinte.
Aquela noite não foi muito diferente do habitual. Saíu da estação e caminhou apressada, apertando a mala contra o corpo. Mas foi nessa noite que aconteceu: de súbito, um violento puxão na mala que não se solta e ela é arrastada pela velocidade da mota até a alça da mala se partir.
Fica sentada no chão molhado da chuva nocturna, aturdida e magoada. Ao tentar pôr-se de pé, nota que não consegue suster-se numa perna mais ferida. E agora?
Vem alguém. Um grupinho de jovens aproxima-se, de violas em riste e Bíblias debaixo do braço. Surpreendem-se com a visão de alguém no chão e afastam-se rapidamente. "Devem ter pensado que eu era uma drogada", pensa ela.
Duas freiras passam também a caminho do metro. Ao avistá-la, benzem-se e desviam-se.
Desesperada por ajuda, é então que ela avista o seu maior receio naquela zona: um cigano estaciona a carrinha a cair de podre do outro lado da rua.
Vê-a e aproxima-se. Ela encolhe-se mais. "Precisa de ajuda?", pergunta ele no seu português cantado.
E é ele que finalmente a mete na sua carrinha e a leva ao hospital. É ele que espera com ela as várias horas que teve que passar naquele lugar. Foi ele que finalmente a levou a casa na manhã seguinte.
9.12.05
Em exibição
desde ontem, a primeira das clássicas Crónicas de Nárnia em adaptação ao cinema.
Aproveitem para ler o seu fascinante autor, C. S. Lewis.
Aproveitem para ler o seu fascinante autor, C. S. Lewis.
8.12.05
Bem-vindos à Baby TV!
Onde as criancinhas podem ver TV 24 horas por dia. E onde, como uma representante do canal afirma no "Tudo em Família" (RTP2), "não há juízos de valor".
(Pausa)
Não há juizos de valor?!
(Pausa)
Não há juizos de valor?!
7.12.05
Grandma Moses
6.12.05
Citação
"Não fui tocado pela graça divina".
- Mário Soares.
Como assim? É a graça de um Deus amoroso e paciente que nos cria, sustenta e espera, espera sempre. Espera até demais, no nosso entender humano.
- Mário Soares.
Como assim? É a graça de um Deus amoroso e paciente que nos cria, sustenta e espera, espera sempre. Espera até demais, no nosso entender humano.
5.12.05
Crucifixos
Não, na minha escola não há crucifixos, já que só tem 25 anos. Ainda bem. Como sabem, não sou católica, e os evangélicos não apreciam os símbolos.
Já dei aulas num colégio católico, com crucifixos em todas as salas. Não me perturbaram, como não me perturbam os budas nas lojas de 300.
Mas, em criança, estudava numa escola com crucifixo e tentavam até obrigar-me a rezar. Não é fácil não se pertencer à maioria, quando se é miúdo.
Por outro lado, não teria problemas em ter nas minhas aulas alunas com o véu islâmico. Afinal, já tive freiras com o hábito completo.
No entanto, acho que é bom que a escola se mantenha neutra. Cumpra-se a lei.
Já dei aulas num colégio católico, com crucifixos em todas as salas. Não me perturbaram, como não me perturbam os budas nas lojas de 300.
Mas, em criança, estudava numa escola com crucifixo e tentavam até obrigar-me a rezar. Não é fácil não se pertencer à maioria, quando se é miúdo.
Por outro lado, não teria problemas em ter nas minhas aulas alunas com o véu islâmico. Afinal, já tive freiras com o hábito completo.
No entanto, acho que é bom que a escola se mantenha neutra. Cumpra-se a lei.
4.12.05
30.11.05
A avozinha da avozinha
Conheci-a tinha eu uns 5 anos. Até então tínhamos vivido numa terra diferente, o que há 50 anos queria dizer ausência de contactos.
Quando ela entrou em nossa casa e na nossa vida, estranhei a sua existência, pois para mim, o meu pai era o Paizinho e não era suposto ter mãe!
Explicada a coisa e vencido o embaraço das primeiras horas, surpreendeu o meu espírito infantil que o nosso gato arisco a tivesse aceite tão incondicionalmente.
Tornou-se rapidamente a nossa Avozinha.
Conversávamos muito. Ia passear com ela a Ranhados (arredores de Viseu), sua terra e do meu pai. Ensinou-me a tricotar um longo cachecol para bonecas, num branco sujo das minhas mãos cheias de outras brincadeiras menos femininas, como por exemplo, jogar à bola com os meus irmãos.
Dizia-me frequentemente: "Quando eu for para o céu, olha para cima, que eu vou estar lá a dizer-te adeus!"
E um dia, muito breve, ela partiu.
Tenho-me esquecido de olhar para o céu.
Mas é em homenagem a ela que me chamo Avozinha.
Quando ela entrou em nossa casa e na nossa vida, estranhei a sua existência, pois para mim, o meu pai era o Paizinho e não era suposto ter mãe!
Explicada a coisa e vencido o embaraço das primeiras horas, surpreendeu o meu espírito infantil que o nosso gato arisco a tivesse aceite tão incondicionalmente.
Tornou-se rapidamente a nossa Avozinha.
Conversávamos muito. Ia passear com ela a Ranhados (arredores de Viseu), sua terra e do meu pai. Ensinou-me a tricotar um longo cachecol para bonecas, num branco sujo das minhas mãos cheias de outras brincadeiras menos femininas, como por exemplo, jogar à bola com os meus irmãos.
Dizia-me frequentemente: "Quando eu for para o céu, olha para cima, que eu vou estar lá a dizer-te adeus!"
E um dia, muito breve, ela partiu.
Tenho-me esquecido de olhar para o céu.
Mas é em homenagem a ela que me chamo Avozinha.
29.11.05
Amor
Fui muito amada pelos meus pais, mas eles partiram.
Os meus irmãos amam-me, mas eles têm as suas vidas.
O meu marido ama-me, mas é um homem.
Os meus filhos amam-me, mas eles têm os seus próprios cônjuges e filhos.
As minhas netas começam a amar-me, mas elas pertencem ao futuro.
Os meus amigos amam-me, mas eles têm as suas famílias.
Resta-me o Tudo, o Amor Total, que me ama e me aceita de uma maneira absoluta, incompreensível e absurda. Que fez tudo por mim e que nunca, mas nunca me deixa só.
E Nele tenho tudo: amigos, netas, filhos, marido, irmãos e pais.
Que sensação esta, a de ser amada apesar de tudo!
Os meus irmãos amam-me, mas eles têm as suas vidas.
O meu marido ama-me, mas é um homem.
Os meus filhos amam-me, mas eles têm os seus próprios cônjuges e filhos.
As minhas netas começam a amar-me, mas elas pertencem ao futuro.
Os meus amigos amam-me, mas eles têm as suas famílias.
Resta-me o Tudo, o Amor Total, que me ama e me aceita de uma maneira absoluta, incompreensível e absurda. Que fez tudo por mim e que nunca, mas nunca me deixa só.
E Nele tenho tudo: amigos, netas, filhos, marido, irmãos e pais.
Que sensação esta, a de ser amada apesar de tudo!
27.11.05
Citação de domingo
"O Senhor chamou pelo nome a Bezalel e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento.(...) Deus lhe dispôs o coração para ensinar a outrem".
(Êxodo, Bíblia)
(Êxodo, Bíblia)
26.11.05
1ª aula de substituição da minha vida
em quase 36 anos de carreira.
Uma turma de 7º ano (as minhas são de 12º).
Os alunos vão entrando contrariados. Proponho-lhes umas palavras de Alemão, coisa que funcionou há dias com uma colega e outra turma. Não dizem que sim, nem que não.
Começo com uma folha cheia de fotos da Alemanha, para eles tentarem identificar o que se trata: Restaurante, Cerveja, Paragem de autocarro.
Lá me vão fazendo o favor de ir dizendo qualquer coisa, nos intervalos de tentar conversar uns com os outros em voz altíssima. Como falam alto estes miúdos!
Riem-se de me ouvir ler as palavras em Alemão e essa é talvez a melhor reacção que tiro deles.
Meio bloco passa depressa, graças a Deus!
Uma turma de 7º ano (as minhas são de 12º).
Os alunos vão entrando contrariados. Proponho-lhes umas palavras de Alemão, coisa que funcionou há dias com uma colega e outra turma. Não dizem que sim, nem que não.
Começo com uma folha cheia de fotos da Alemanha, para eles tentarem identificar o que se trata: Restaurante, Cerveja, Paragem de autocarro.
Lá me vão fazendo o favor de ir dizendo qualquer coisa, nos intervalos de tentar conversar uns com os outros em voz altíssima. Como falam alto estes miúdos!
Riem-se de me ouvir ler as palavras em Alemão e essa é talvez a melhor reacção que tiro deles.
Meio bloco passa depressa, graças a Deus!
25.11.05
Ex-alunos
Encontrei-a perto da escola. Cumprimentei-a. O nome não me ocorreu imediatamente, mas a cara e voz estão indelevelmente gravados na minha memória.
Venho andando para casa e só algum tempo depois se me faz luz na cabeça: é a S. e foi minha aluna em 2000/2001. Lembro-me do lugar onde se sentava, com quem se sentava e dos seus modos, neste caso, meigos.
Gosto muito de encontrar ex-alunos e verificar o progresso deles, nos cursos que estão a tirar, nos empregos que têm. Às vezes, encontro-os mesmo como colegas!
Não tenho a pretensão de imaginar que os influenciei, mas gosto de pensar que me foi dado o privilégio de 'tocar' um pouco as suas vidas.
Venho andando para casa e só algum tempo depois se me faz luz na cabeça: é a S. e foi minha aluna em 2000/2001. Lembro-me do lugar onde se sentava, com quem se sentava e dos seus modos, neste caso, meigos.
Gosto muito de encontrar ex-alunos e verificar o progresso deles, nos cursos que estão a tirar, nos empregos que têm. Às vezes, encontro-os mesmo como colegas!
Não tenho a pretensão de imaginar que os influenciei, mas gosto de pensar que me foi dado o privilégio de 'tocar' um pouco as suas vidas.
24.11.05
Fui mãe
22.11.05
Há 42 anos
21.11.05
20.11.05
Citação de domingo
"Aos 27 anos de idade, enquanto viajava no metro de Leninegrado (hoje S. Petersburgo), fui dominado por um desespero tão intenso que a vida me pareceu parar de uma vez, anulando completamente o futuro e não deixando nenhum significado. De repente, uma frase apareceu por si só: 'Sem Deus a vida não faz sentido'. Repetindo-a, assombrado, eu repassei a frase como numa escada rolante, saí do metro e caminhei para a luz de Deus".
Andrei Bitov in Rick Warren, "Uma Vida Com Propósitos"
Andrei Bitov in Rick Warren, "Uma Vida Com Propósitos"
19.11.05
A pérola
Sabem certamente como se forma uma pérola.
Num terrível acidente de percurso, uma tempestade, por exemplo, há uma pedrinha minúscula que entra dentro da ostra. Durante anos, a ostra vai fabricando uma substância nacarada com que envolve a pedra, a fim de diminuir o sofrimento causado por ela. Ao fim de, digamos, 15 anos, a pedra transformou-se numa belíssima e muito valiosa pérola.
O Pescador sabe que há pérolas lá em baixo. Mas chegar lá pode significar até a sua própria morte. Em sucessivos mergulhos de apneia, ele desce e procura. Aqui não está, não está ali. Finalmente, encontra-a. Cá está, a Pérola. Como a busca valeu a pena! A pérola vai agora ganhar todo o seu brilho, à luz do sol!
Esta é tua história, meu amigo Labaredas, e do Pescador que te encontrou.
Num terrível acidente de percurso, uma tempestade, por exemplo, há uma pedrinha minúscula que entra dentro da ostra. Durante anos, a ostra vai fabricando uma substância nacarada com que envolve a pedra, a fim de diminuir o sofrimento causado por ela. Ao fim de, digamos, 15 anos, a pedra transformou-se numa belíssima e muito valiosa pérola.
O Pescador sabe que há pérolas lá em baixo. Mas chegar lá pode significar até a sua própria morte. Em sucessivos mergulhos de apneia, ele desce e procura. Aqui não está, não está ali. Finalmente, encontra-a. Cá está, a Pérola. Como a busca valeu a pena! A pérola vai agora ganhar todo o seu brilho, à luz do sol!
Esta é tua história, meu amigo Labaredas, e do Pescador que te encontrou.
18.11.05
Rectifico
Não resisti e passei boa parte da manhã a preparar materiais para as famigeradas substituições...
17.11.05
Falta de ar
Cansaço. Tosse. Expectoração. Qualidade de vida que se deteriora. Sofrimento. Depender de outros para as actividades do dia a dia. Garrafa de oxigénio. Definhar. Falta de oxigénio também no cérebro. Confusão mental. Situação irreversível. Sufocação. Agonia dramática. Morte.
(Descrição da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica - causada pelo hábito de fumar - pelo Dr. Ramalho de Almeida, pneumologista)
Dia Mundial do Não Fumador.
(Descrição da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica - causada pelo hábito de fumar - pelo Dr. Ramalho de Almeida, pneumologista)
Dia Mundial do Não Fumador.
16.11.05
Do valor da informação
A Madona diz que não lê jornais, provavelmente porque não gosta de se ver nos olhos dos outros. Já há muitos anos que um certo candidato a presidente disse o mesmo.
15.11.05
14.11.05
O que é um prof?
Transcrevo, com a devida vénia, da minha colega href="http://somaisumaprof.blogspot.com/">.
O professor compra uma agenda nova, um caderno bonito, uma caneta verde. Prepara-se com expectativa (com esperança?) para o que o novo ano lhe trará.
O Professor é um aluno que não quis deixar a escola.
O professor zanga-se, "congelado", longe da família, horário mau, vida difícil. Faz promessas e juras: não gasta nem mais um minuto no fim de semana, nada de projectos loucos, nem mais um tostão do bolso, nem mais um tinteiro, uma folha de papel, gota de tinta, gota de sangue, gota de suor. Espreitem uns dias depois. O professor está, outra vez, a fazer a festa com os alunos. A festa é, quase sempre, muito maior.
O Professor tem forma de coração com memória fraca.
O professor não tem endereço electrónico. Não escreve textos no computador. Não quer. Diz que não, que não gosta, que não percebe. O professor insiste que prefere lápis e papel. Nunca, nunca conseguirá. Diz que não vale a pena. E depois...O professor pede ajuda ao filho. O professor faz formação. Aceita a mão de outro professor.O professor dá mais um passo.
O Professor é um caderno já muito cheio, onde encontramos sempre muitas folhas brancas.
O professor fala de saúde, futuro, matemática, inglês, poesia, estudo, música, informática, livros. Sabe fazer projectos, jornais, cartazes, desenhos, receitas, teatro. Cura feridas, ampara tristezas, acalma medos. Escuta segredos, dá conselhos, conta anedotas, prepara passeios, monta exposições. Dirige a escola, dirige um grupo, escreve regulamentos, prepara oficinas, constrói materiais.
O Professor não sabe o que quer ser quando crescer.
O professor faz muitas perguntas, por dentro e por fora dele. O professor gosta que lhe façam perguntas. O professor ensina que as perguntas são a melhor maneira de aprender. O professor acha mais difícil fazer uma boa pergunta do que dar uma má resposta. O professor ensina a perguntar.O professor não sabe todas as respostas.
O Professor é um ponto de interrogação com muitas respostas possíveis.
O professor tem medo. De não conseguir, de não ser capaz, de errar, de acertar, de se perder, de perder alguém. Tem medo de ter medo. Medo de não ter medo. Medo de avançar depressa, de avançar devagar. Medo de ficar parado.O professor tem medo que não aconteça nada.
O Professor usa o medo como meio de transporte.
O professor chora, ri.
O professor sofre, mastiga desgostos, partilha-os se forem maiores do que ele próprio.
Tem sonhos, tem desejos. Às vezes pinta, às vezes canta, outras escreve. Planta flores, cria borboletas, namora, ama, tem filhos, não tem filhos, representa, dança, vai ao cinema.
O professor é feliz, é menos feliz, é feliz outra vez.
O professor fica parado a pensar no que sente.
O professor é de todas as cores por dentro e por fora.
Mais do que o arco-íris. Mais do que a maior caixa de lápis de cor do mundo.
Mais do que todas as cores que se podem imaginar.
O Professor do avesso é tão colorido como do direito.
O professor recomeça tantas tantas vezes, que desiste do prefixo "re".
O professor caminha numa estrada que dá voltas e voltas e voltas...
Não se lembra de ontem. Não sabe o amanhã. Oferece o tempo que tem.
O Professor não tem princípio nem fim.
O professor tem uma magia só dele.
Um feitiço que lhe foi lançado, não se sabe quando nem por que fada.
Ele é Bela ou Monstro, Princesa Adormecida, Gata Borralheira, Capuchinho Vermelho, Branca de Neve. As madrastas, os lobos, as bruxas, as trevas vão andar sempre por aí.
Ele luta, história a história, contra todos eles.
O Professor tem de ser o final feliz de todas as histórias, para que o mundo se salve.
Por entre o som das palavras, o professor é cheio de silêncios que poucos conhecem.
Silêncios que falam, muitas vezes, uma língua que quase ninguém se lembra de ter ouvido.
O Professor é um segredo que se deve contar em voz alta, para toda a gente ouvir.
* Texto publicado no Correio da Educação, CRIAP ASA, nº232, 3 de Outubro 2005. Autora: Teresa Marques, Escola Básica 2,3 de Azeitão.
O professor compra uma agenda nova, um caderno bonito, uma caneta verde. Prepara-se com expectativa (com esperança?) para o que o novo ano lhe trará.
O Professor é um aluno que não quis deixar a escola.
O professor zanga-se, "congelado", longe da família, horário mau, vida difícil. Faz promessas e juras: não gasta nem mais um minuto no fim de semana, nada de projectos loucos, nem mais um tostão do bolso, nem mais um tinteiro, uma folha de papel, gota de tinta, gota de sangue, gota de suor. Espreitem uns dias depois. O professor está, outra vez, a fazer a festa com os alunos. A festa é, quase sempre, muito maior.
O Professor tem forma de coração com memória fraca.
O professor não tem endereço electrónico. Não escreve textos no computador. Não quer. Diz que não, que não gosta, que não percebe. O professor insiste que prefere lápis e papel. Nunca, nunca conseguirá. Diz que não vale a pena. E depois...O professor pede ajuda ao filho. O professor faz formação. Aceita a mão de outro professor.O professor dá mais um passo.
O Professor é um caderno já muito cheio, onde encontramos sempre muitas folhas brancas.
O professor fala de saúde, futuro, matemática, inglês, poesia, estudo, música, informática, livros. Sabe fazer projectos, jornais, cartazes, desenhos, receitas, teatro. Cura feridas, ampara tristezas, acalma medos. Escuta segredos, dá conselhos, conta anedotas, prepara passeios, monta exposições. Dirige a escola, dirige um grupo, escreve regulamentos, prepara oficinas, constrói materiais.
O Professor não sabe o que quer ser quando crescer.
O professor faz muitas perguntas, por dentro e por fora dele. O professor gosta que lhe façam perguntas. O professor ensina que as perguntas são a melhor maneira de aprender. O professor acha mais difícil fazer uma boa pergunta do que dar uma má resposta. O professor ensina a perguntar.O professor não sabe todas as respostas.
O Professor é um ponto de interrogação com muitas respostas possíveis.
O professor tem medo. De não conseguir, de não ser capaz, de errar, de acertar, de se perder, de perder alguém. Tem medo de ter medo. Medo de não ter medo. Medo de avançar depressa, de avançar devagar. Medo de ficar parado.O professor tem medo que não aconteça nada.
O Professor usa o medo como meio de transporte.
O professor chora, ri.
O professor sofre, mastiga desgostos, partilha-os se forem maiores do que ele próprio.
Tem sonhos, tem desejos. Às vezes pinta, às vezes canta, outras escreve. Planta flores, cria borboletas, namora, ama, tem filhos, não tem filhos, representa, dança, vai ao cinema.
O professor é feliz, é menos feliz, é feliz outra vez.
O professor fica parado a pensar no que sente.
O professor é de todas as cores por dentro e por fora.
Mais do que o arco-íris. Mais do que a maior caixa de lápis de cor do mundo.
Mais do que todas as cores que se podem imaginar.
O Professor do avesso é tão colorido como do direito.
O professor recomeça tantas tantas vezes, que desiste do prefixo "re".
O professor caminha numa estrada que dá voltas e voltas e voltas...
Não se lembra de ontem. Não sabe o amanhã. Oferece o tempo que tem.
O Professor não tem princípio nem fim.
O professor tem uma magia só dele.
Um feitiço que lhe foi lançado, não se sabe quando nem por que fada.
Ele é Bela ou Monstro, Princesa Adormecida, Gata Borralheira, Capuchinho Vermelho, Branca de Neve. As madrastas, os lobos, as bruxas, as trevas vão andar sempre por aí.
Ele luta, história a história, contra todos eles.
O Professor tem de ser o final feliz de todas as histórias, para que o mundo se salve.
Por entre o som das palavras, o professor é cheio de silêncios que poucos conhecem.
Silêncios que falam, muitas vezes, uma língua que quase ninguém se lembra de ter ouvido.
O Professor é um segredo que se deve contar em voz alta, para toda a gente ouvir.
* Texto publicado no Correio da Educação, CRIAP ASA, nº232, 3 de Outubro 2005. Autora: Teresa Marques, Escola Básica 2,3 de Azeitão.
13.11.05
De novo
11.11.05
10.11.05
A minha neta J.
9.11.05
Desta vez, a beleza!

Gosto muito de Norman Rockwell. Até tenho uma pequena reprodução deste quadro da escola numa parede cá de casa.
Muitos críticos consideram que Norman pintou uma sociedade que nunca existiu. Não concordo. Acho que ele pintou uma América da primeira metade do século XX, muito doméstica, muito genuína. Adoro.
8.11.05
A minha neta M.
aos 18 meses, não gosta definitivamente de aniversários, nem da canção dos parabéns e muito menos de bolos com velas. Ontem, eu e ela vamos vendo um dos livros que lhe comprei, até chegarmos à página da festa de anos. Olha-me muito séria, faz beicinho e rompe num choro de arrancar lágrimas às paredes!
7.11.05
6.11.05
Citações de domingo
"É verdadeiramente apaixonante ser um discípulo de Jesus".
A.M.P.
"O fantástico em fazermos o nosso trabalho como para Deus é o verificar que Ele está presente e actuante no nosso ambiente de trabalho."
M.E.C.
A.M.P.
"O fantástico em fazermos o nosso trabalho como para Deus é o verificar que Ele está presente e actuante no nosso ambiente de trabalho."
M.E.C.
5.11.05
Tumultos em França
Muito preocupante a forma como as gerações mais novas dos imigrantes se revelam completamente não integradas. Em França, o facto de muitos desses jovens serem muçulmanos aumenta o problema da dificuldade de integração. Quem falhou? A escola, as igrejas, as próprias mesquitas, a vizinhança?
E cá? Já tivémos algumas pequenas amostras deste tipo de problema. Que estamos a fazer para integrar e dignificar as nossas 'gerações mais novas'?
Tudo quanto fazemos a nível das escolas e das igrejas (e estou a falar daquelas a que pertenço) pode ser precioso.
E cá? Já tivémos algumas pequenas amostras deste tipo de problema. Que estamos a fazer para integrar e dignificar as nossas 'gerações mais novas'?
Tudo quanto fazemos a nível das escolas e das igrejas (e estou a falar daquelas a que pertenço) pode ser precioso.
4.11.05
Desvendando o mistério
3.11.05
Muito obrigada, sr. Primeiro Ministro!
Os dois dias de férias que nos concede a partir dos 60 anos vão ser preciosos! Para já, espero bem que quando eu lá chegar (se chegar), já o senhor não seja o nosso primeiro. Em segundo lugar, nas escolas secundárias já mal conseguimos gozar os dias que temos... Este ano, tínhamos que as marcar entre 25 de Julho e 31 de Agosto. Todos. De facto, acabei por ter que adiar as minhas férias, por causa dos exames!
Never mind!
Never mind!
2.11.05
Quem é?
"Alto, de bela figura, feições espirituais e expressivas, modos insinuantes, palavra fácil e fluente, voz melodiosa e muito agradável, solidez dos argumentos, brilho na elocução, afabilidade e cortesia no trato particular".
Quem é? Ora adivinhem lá.
Quem é? Ora adivinhem lá.
1.11.05
1755

É com esta imagem de mundiconvenius.pt que me refiro ao tema irrecusável de hoje.
Interessante descobrir nas leituras que faço que o terramoto e sucessivo maremoto causaram na época uma enorme discussão filosófica sobre o papel da natureza e o de Deus por detrás da natureza, bem à semelhança (em ponto pequeno) do que se deu a propósito do Katrina e dos EUA. Frase simbólica dessa discussão é, para mim, a de Voltaire: "Lisboa está arruinada e dança-se em Paris".
Eu, que em 1969 experimentei uma amostrinha de terramoto, jamais consegui esquecer a sensação de estar por completo à mercê da natureza, de tentar caminhar e cair, de ver o roupeiro a ameaçar cair sobre mim, e sobretudo do ronco surdo que saía da terra.
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